terça-feira, 31 de março de 2015

Hoje

#Maria Capaz: http://mariacapaz.pt/cronicas/engolir-as-lagrimas-por-irina-gomes/

sábado, 28 de março de 2015

Esta frase...

...valeu tudo o que senti esta semana.
J.: Mãe, quando for grande for ser assim tão bonita como tu?
O meu coração encheu-se de um calor que só o amor de mãe pode explicar e o meu sorriso iluminou-me o rosto cansado.
Respondi: Vais ser ainda mais, minha querida.
Obrigada por ter esta filha Peste, mas tão doce.

quarta-feira, 25 de março de 2015

quinta-feira, 19 de março de 2015

Feliz Dia do Pai

Quase a fazer 38 anos sinto cada vez mais falta do meu que partiu há quase 21 anos.
Das memórias de infância guardo poucas, porque cedo a doença o roubou e o consumiu durante sete anos.
Mas recordo os passeios de domingo com o meu irmão mais novo, a sua loucura pelo Sporting, o seu cravo vermelho na lapela a cada dia 25 de Abril (porque ele esteve lá quando tudo aconteceu).
Conheço o pai das minhas filhas como pai há seis anos e mesmo, apesar, da distância admiro-o pelo espírito de luta que o levou a ir além fronteiras, convicto do lutar pelo futuro da filha.
Ser Pai não é tão linear como se possa querer fazer. Tal como ser Mãe.
Por isso, o mais importante no dia de hoje e em todos os dias do ano é que os Pais saibam amar os seus filhos e receber isso de volta.
Porque o que liga um pai a um filho e vice-versa é o amor que partilham, a cumplicidade. Não é algo que seja de todos, mas é algo que pode ser construído por todos.
Quis o destino que o Pai das minhas filhas o seja, há algum tempo, à distância de uma vídeo-chamada, mas como digo sempre que é preciso: nunca me arrependerei de o ter escolhido para Pai das minhas filhas. E no que depender de mim, a minha filha, será sempre a mais orgulhosa das filhas.
Feliz Dia do Pai

A vida e o tempo

Esta semana  tive acesso à fotografia que tinha pedido há uns meses da palmeira que foi plantada em casa de familiares dos meus familiares, em Moçambique, em honra da minha Leonor.
Ela teria já dois anos e meio e a palmeira faz dois anos e dois meses que foi plantada, mais ou menos. Separa-as os quatro meses de vida Leonor.
Penso tantas e tantas vezes em como seria agora a minha ruivinha.
Olhar para a palmeira e vê-la a crescer, acabou não por me entristecer, mas por me aquecer o coração.

A Leonor cresce na minha saudade e no amor que lhe tenho e aquela palmeira cresce em terras africanas em sua memória.
Muitos passarão por ela e elogia-la-ão sem saber o quanto significa do lado de cá.
Há pouco tempo foi publicada a notícia de que as nossas cinzas, num futuro bem próximo, poderão ser plantadas na raiz de uma árvore.
Para mim faz todo o sentido. É dar mais um sentido à nossa vida na hora da nossa morte.
É isso que vou querer para mim.
Eu, uma árvore no Guincho com uma palmeira em Moçambique.
Afinal a vida e a morte podem ser muito mais do que a tristeza e a saudade. Há como lhe dar sentido. Basta ter o coração aberto.

quinta-feira, 5 de março de 2015

No Amor só o Coração Bate

Esta é a campanha lançada pela plataforma Maria Capaz para a qual me orgulho de escrever.
Esta noite na SIC passou a reportagem O Amor Não Mata.
O tema da violência doméstica não podia estar mais em cima da mesa. As notícias têm sido mais que muitas e parece que agora, finalmente, se despertou para uma realidade que a APAV conhece há anos e contra a qual luta.
As vítimas na maioria são mulheres, mas não esquecer que também há homens.
Lembro-me de há cerca de quase vinte anos a minha mãe ajudar a mãe de uma menina de quem tomava conta a ganhar forças para ir à APAV e pedir ajuda contra o marido que lhe batia.
Lembro-me bem da minha mãe deitar as garras de fora e ameaçar o tal homem para que ele não o voltasse a fazer, pois ao bater na mãe, também empurrou a filha na altura com cerca de 3/4 anos contra o sofá e fez-lhe uma nódoa negra na testa, pois foi assim que a minha descobriu e que ajudou a mãe da menina a perder a vergonha e a desabafar.
A minha mãe teve muitos defeitos, mas tinha este lado humano que era uma das suas grandes qualidades.
Lembro-me de a aconselhar a ter cuidado e a não provocar o que a senhora não quisesse fazer. Já era adulta e preocupava-me que ela se estivesse a envolver demasiado sem saber todos os detalhes do que se passava em casa do tal casal.
Lembro-me dela me ter ouvido e quase todos os dias termos falado sobre o assunto, de modo, a poder ajudar esta mulher.
Foi a minha mãe que ligou para a APAV, denunciou o caso e perguntou como podia ajudar esta mulher e lhe deu todas as armas, para que ela ganhasse coragem e perdesse a vergonha.
Uma vez tendo ido à APAV, a associação ajudou-a a conseguir libertar-se daquele homem.
Já lá vão muitos anos que soube que estava já divorciada, depois de um período quase que escondida, mas feliz com a filha que eu conheci criança, e à altura já uma adolescente.
A vergonha é sempre a maior sentença das vítimas.
Que a grande campanha que se está a iniciar sirva para salvar vítimas e também para nos acordar para uma realidade, à qual muitas vezes fechamos os olhos, porque não queremos saber da vida dos outros.
Que as vitimas percam a vergonha.
Que a sociedade civil ganhe o bom senso de detectar quem precisa de ajuda.
Porque só enfrentando o problema de frente, podemos acabar com ele.
Porque sou mãe e quero que jamais a minha filha seja uma vítima.