quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Até Sempre Princesa Côderosa

Desde ontem que fiquei com o coração apertado quando li o post matinal da página que nos trouxe a ti e aos teus pais até nós.
A página de FB que chegou a tanta gente passando a mensagem que vieste trazer-nos.
Fizeste em 15 meses mais do que muitos em longas vidas.
Tenho a certeza que nunca serás esquecida, seja por quem for, que te conheceu e leu.
Sabes isto melhor do que eu!
Porque, melhor do que eu, sabes o que vieste fazer a este mundo.
Soube de ti, pouco tempo, depois de ter perdido a minha Leonor com 4 meses.
O nome aproxima-nos.
A admiração da luta de uma criança que é sempre superior à de um adulto, faz-me fazer-vos uma vénia.
A ti.
À minha Leonor.
A uma Joana com 10 anos que vi partir, dia a dia.
A tantas e tantas crianças que todos os dias sofrem e lutam pela vida, enquanto nós adultos, na maioria das vezes estamos mais preocupados com outras coisas, que no fundo, são importantes, mas não têm o mesmo valor que a vida e que o amor.
Perder a minha Leonor, conhecer-te e aos teus pais, através das mensagens da tua mãe que nunca se acanhou de mostrar a sua fé e o seu amor (coisa rara na sociedade que temos), conhecer outras tantas mães que perderam filhos... mudaram-me para a eternidade.
Sempre fiz questão de pensar, na minha vida, que há sempre uma história "pior" que a minha e de ir buscar todas as forças que tenho para superar as tristezas e os obsctaculos.
Quis a minha missão nesta vida que me tornasse numa mãe que perdeu uma filha.
Uma filha que não sabia ainda palavras, mas falava pelo olhar.
Um olhar tão profundo e sereno como o teu, apesar de toda a adversidade.
Quando li a notícia da tua partida, que já sentia no meu peito desde a manhã, as lágrimas vieram.
Como não podiam vir?
Sei que é o teu caminho.
Mas ficamos tristes por te ver partir. Por saber da dor eterna dos teus pais.
Mas fico feliz por ter tido a oportunidade de vos ler e de aprender contigo.
De abrir ainda mais os olhos para a vida.
De aprender a queixar-me menos e a stressar menos ainda.
De me ensinar a levar a vida um dia de cada vez.
Não és a única que partiu nos últimos tempos nessa luta, por isso sei que estás em festa com os teus amigos.
A grande verdade é que nós não temos a capacidade de ver as asas que vocês têm.
Sempre acreditei em anjos e depois da minha Leonor ainda mais. Tu, com as palavras que fizeste passar pela tua mãe, tal como a da oração que fizeste nesta fotografia, são a prova disso.
E o dia é de tristeza.
Há muita gente triste. Outras tantas indiferentes. O mundo é assim.
Mas tu destacaste-te pelo teu sorriso perante a adversidade.
O mesmo sorriso que sempre vi na minha piquenina.
O mesmo sorriso que lhe jurei, com elas nos braços quando partiu, e te juro.
Acho que todos nós, adultos, quando nos estamos a "passar" deviamos pensar em ti, Princesa Guerreira, e em todas as outras Princesas e Principes que lutam diariamente em Portugal e pelo Mundo inteiro.
Não é viver de tristezas.
É inspirar-nos na luta dos que foram escolhidos para lutar.
Saber de tudo isto e não esconder na minha cabeça que esta realidade triste existe, faz-me desfrutar ainda mais da minha filhota.
O tempo corre e nunca sabemos o dia da amanhã, nem o que a vida nos reserva.
Eu aprendi isso da maneira mais dura.
Mas pela minha Leonor, por ti, por todos os guerreiros e anjos, prometo sorrir entre lágrimas e só desistir de acreditar e de lutar pela minha felicidade, quando o meu coração desistir e também chegar a minha hora de partir.
Tu partiste. O mundo parece cinzento, mas não é, porque pintaste-o de côderosa.
Basta ir ao FB e ver. Até os homens não se acanham, de por ti, usar côderosa na foto de perfil.
Obrigada Princesa Guerreira. Obrigada Mãe Vanessa e Pai Jorge. Obrigada por serem sido vocês mesmos, sem pudores nem vergonhas. Simplesmente uma família côderosa.
Até Sempre Princesa Côderosa







quarta-feira, 3 de setembro de 2014

E já está...

... tudo pronto para amanhã.
O 1º dia do 1º ano.
Parece que ainda foi ontem que ela nasceu!

Informação

Para quem me segue aqui e não me conhece no FB aqui fica o link da página Mãe "Toninó" que criei no mesmo, para mais facilmente me dar a ler:

https://www.facebook.com/pages/M%C3%A3e-Tonin%C3%B3/1491949381059559

Obrigada a todos e todas os que me têm acompanhado nesta viagem que é a minha vida e na qual gosto tanto de fazer isto: escrever.


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A Dor

Acho que a primeira vez, na vida, que me apercebi de que havia algo que nos magoava e fazia chorar e sofrer, foi no dia em que soubemos que o meu pai tinha cancro.
Eu devia ter 9/10 anos.
Não esqueço esse dia.
Nem a roupa que tinha vestida.
A minha mãe não era de nos proteger das más notícias, e por isso acho que foi aí.
Talvez o  facto dela ter sido assim, desde sempre, também me ajudou a ganhar calo para tudo o que vivi no último ano.
Talvez seja a este seu modo de ser, que não reconheço e não valido com a minha filha, que lhe devo o meu espírito de luta.
Conheci a dor mais de perto à medida que a doença do meu pai foi aumentando e levando-o de nós. Foram sete anos.
Um ano antes dele partir, senti pela primeira vez, a dor enorme de perder alguém: o meu avô.
O meu eterno carequinha.
Consigo viajar no tempo e lembrar-me do quanto me doeu por dentro.
Um ano depois partiu o meu pai. Uma morte já esperada, pelo meio de tanto sofrimento. Mas a mesma dor. Desta vez acompanhada do sentido de que ele tinha ganho paz e teria descanso, e de que eu era a irmã mais velha de um miúdo que tinha acabado de ficar sem pai.
Já tinha quase 18 anos.
Já via a vida com outros olhos.
Senti dor.
Revoltei-me com o sofrimento.
Nunca com a morte.
Não sei porquê, mas sempre a soube certa.
Nunca a temi e só a temo se for precoce, porque sou mãe.
No passado dia 23 de Agosto, tive de contar pelos dedos, quantos anos faria o meu pai. Seriam 72! Faz agora em Outubro 20 anos que partiu.
A dor passou. Ficou a saudade do que não se viveu. Ele adoeceu eu era ainda uma garota. As memórias que guardo são muito poucas.
A dor da perda essa ficou já lá atrás. Algures no tempo.
Os anos foram passando, eu fui crescendo, a vida foi acontecendo e a dor tornou-se uma parceira.
Porque é mesmo isso que ela é.
Temos dor porque alguém que nos é querido morre, mas também temos dor quando amamos e não somos correspondidos... até mesmo, quando aquele amigo que julgávamos ser do peito, não o é tanto.
À medida que a vida corre e a dor se torna um dado adquirido, no mais cedo ou mais tarde, temos de aprender a lidar e a crescer com ela.
Caso contrário, resta-nos a mágoa e tudo o que de mau vem com ela.

Há um ano e meio que ganhei uma dor para a vida.
Uma dor que me obriguei a resolver dentro de mim, por ter outra filha, família e amigos...
A verdade é que senão conhecêssemos a dor como reconheceríamos a felicidade? O êxtase de um momento feliz?
Por isso gosto tanto desta frase que me surgiu ontem na net,  me fez pensar e vir aqui escrever:
- Dor não tenho medo de ti!