quinta-feira, 24 de abril de 2014

Lição de Vida para a Vida

Hoje não sou eu que escrevo. É a Mãe Vanessa. A Mãe guerreira da Princesa Leonor que muitos já conhecem. Quem não conhece tem de obrigatoriamente passar na sua página do Facebook - Os Aprendizes da Nono -, ou pesquisá-la um pouco na internet. Não vai ser difícil encontrar informações sobre esta menina e a sua mãe, que de tão especiais que são, nos passam as mensagens mais puras desta vida. 
Há muito que acompanho a luta desta Leonor, por ser uma criança, por também ter o nome da minha pequena guerreira. 
De cada vez que há uma notícia leio a Mãe Vanessa, que a cada palavra que escreve, faz com que muito do que penso e sinto, tenha cada vez mais sentido. O difícil é fazer disto prática diária. Mas tal como a Mãe Vanessa aqui escreve: se elas são capazes, eu também sou. Sempre pensei isso quando olhava para a minha Leonor. Ainda hoje penso: se ela se mostrou tão pequena, mas tão lutadora e tão profunda, quem sou eu para não tentar fazer o mesmo, do alto dos meus 37 anos, face aos 3 meses que ela tinha. 
Cada vez mais acredito que nada acontece por acaso. Que cada situação minúscula nos trás algo. Nem sempre estamos conscientes disso. Nem sempre estamos no degrau certo para ver. 
Hoje foi dia de ver esta foto e ler este texto e a agradecer à Nônô  e à Mãe Vanessa, pela linda mensagem:


"Quando o Pai Jorge me enviou esta foto, eu estava de pé na minha cozinha .

Rapidamente puxei uma cadeira para me sentar ,

O 1º pensamento que me ocorreu foi " Ai, minha rica Filha !!!" ...

De seguida olhei para a foto com "olhos de ver" e o que vi quando olhei para a "minha rica Filha" já foi algo completamente diferente ...!

Pensei para mim, "parece que está na praia, deitada a apanhar sol ...! Olha-me a descontracção dela ...!!! "

Lembrei-me imediatamente das vergonhas que apanho quando faço figuras tristes para fazer umas ridículas análises e de novo me senti tão pouca coisa diante dela ...

Digo muitas vezes para que não sobrem dúvidas que é á Nonô que vou buscar as minhas forças . A Deus e a ela ... Todos os dias ela arranja forma de me passar uma lição .

Hoje , sem sequer que fosse necessário eu estar presente foi mais um desses dias !

De que precisamos ter medo nesta vida ? O que nos assusta realmente ?

NADA ! Na verdade, NADA !

Pouco há que ainda não tenha sido feito . Já tudo foi feito, dito, experimentado, sentido ... O segredo passa por pensar que se já houve quem o tivesse feito, então também nós teremos capacidade para o fazer .

A Leonor vive sob esta premissa . Parece saber com a certeza de quem sabe o que diz que ter CORAGEM é apenas mais uma das muitas decisões difíceis com que temos que nos defrontar .

Ela SABE que só de nós próprios depende essa tomada de decisão e assume esta postura em tudo o que faz : COMO VOU REAGIR A ISTO DEPENDE DE MIM !

Se replicarmos e direccionarmos esta forma de estar e a aplicarmos em tudo o que fizermos nesta vida, o MEDO que também é nosso amigo, vai ser apenas mais um passageiro a bordo que nos vai acompanhar .
A sua missão será estar presente para nos alertar para os momentos de perigo .

Ao saber de tudo isto e daí a ela assumir as rédeas e o controle das situações vai um menos que nada .

A Nonô tem 5 ANOS . Se ela é capaz, eu também sou capaz e qualquer um de vós também será capaz ...

Ela ensina-me tanto ...

Aprender com a minha filha de 5 anos é uma honra de que vou querer usufruir até ao ultimo dos meus dias .

Até lá e em dose altruísta, vou partilhando convosco cada nova lição .

No final, somos todos Aprendizes, verdade ...?

Com coração de amor,

Mãe Vanessa

  




quarta-feira, 16 de abril de 2014

Complexidades da vida... ou não!

Anda a circular um video que ainda não vi, mas só dos comentários percebi que se trata de uma bonita homenagem ao "trabalho" que é ser mãe.
Aquilo que me faz cócegas ao cérebro é que numa altura em que se dá "graxa" às mães, como eu, que a mais ou a menos tempo inteiro, também existe o movimento sobre a dificuldade que é ter um filho, nos dias que correm. No muro de lamentações que existe para justificar a quebra vertiginosa da taxa de natalidade.
Enquanto que algumas mulheres lutam desesperadamente contra o corpo porque querem ser mães, outras dão-se à oportunidade de dizerem que não os querem. Até aqui tudo bem. Chama-se liberdade de escolha. Viva a liberdade!
Aquilo que não percebo é que não se queira ter filhos porque economicamente não se lhes pode dar tudo de melhor. O que é que é isto afinal? ´
Amor? Valores? Carinho?
Que eu saiba nem a Merkel taxou estes três e todos os seus derivados!
Ter um filho é mesmo a baboseira que se lê: a melhor coisa do mundo.
Mas... quando se está predisposto a isso.
Quando sabemos que vamos ter de dar de nós para sempre.
Quando sabemos que o cansaço do trabalho de 365 dias por ano, 24 horas por dia, 7 dias por semana, o coração fora do peito, o nó no estômago e o controlar dos nervos para não lhes passarmos ansiedade quando estão com 39 de febre e não sabemos o que têm, quando sabemos que o podemos perder para sempre...
Que tudo isto e mais um par de botas não é comparável ao amor incondicional.
Acho que viver isto, mesmo por entre gritos de irritação quando eles se portam mal, é do mais rico que a vida tem.
A seguir? Talvez uma relação amorosa vivida em pleno, sem atropelos, sem cobranças, sem condicionalismos que não sejam o amor e o respeito mútuo.
Ser mãe é um "trabalho" para a vida.
Ter filhos pode ser difícil, mas não tanto pelo que se vai gastar com a escola e as roupas, mas pelo filho "que nos pode calhar": autista, com paralisia cerebral, cego... até mesmo que morra a sair de nós, ou na véspera de fazer 4 meses, como foi com a minha Leonor.
Perguntem à mãe de uma criança cega ou com paralisia cerebral que se soubesse, o filho/filha que teria, voltaria atrás no tempo e não teria tido essa criança?
A resposta será claramente de que nada, por muito que a vivência seja dificilmente atroz, mas nada, poderá substituir o que essa criança fez na sua vida.
Ter um filho, tornou-se num capricho de muitos. Na obrigação de outros. No privilégio de poucos. Os poucos que se borrifam se o filho ou filha não tem calçado de marca e veste a roupa que já vem dos primos. O privilégio de ajudar um ser humano a criar asas não com base na Timberland ou na Chanel, mas com base no amor a si mesmo, aos outros... à vida. Sim. Porque viver e dar vida é o melhor mistério desta existência que temos que podemos viver.
Eu também quis ter filhos na altura certa. O destino ensinou-me que não é assim que as coisas funcionam. Fiquei desempregada quando uma filha nasceu e quando estava grávida da outra. Não fossem dois malditos vírus e teria duas filhas felizes, que vestiriam H&M, a roupa dos primos, dos netos e netas das amigas mais velhas.
Para ter um filho não é preciso ter muito dinheiro. Basta querer viver o que o mesmo video anda a mostrar ao mundo inteiro: ter um trabalho para a vida. Diria mesmo que para a eternidade. Acredito que mesmo quando o meu corpo perder o dom da vida, a minha alma, seja de onde for, olhará e velará pelo que de mais puro tive nesta vida: a minha filha.


sexta-feira, 4 de abril de 2014

Tão verdade

Não podia deixar de colocar aqui a crónica de Henrique Raposo, do Expresso.
Temos de mudar de mentalidades.
Já me fizeram sentir na pele que trabalhava menos do que outros e outras porque saia mais cedo. A verdade é que não tomava tantos cafés nem fumava.
O que importa é a qualidade do trabalho. Trabalhar até tarde não deve ser sinónimo de eficiência, bem pelo contrário.
A ver se um dia este país muda... para melhor!

"Não temos filhos porque começamos a trabalhar a meio da manhã

Tenho à minha frente uma entrevista de Helena André de 2010. Nesta conversa com João Vieira Pereira, João Silvestre e Rosa Pedroso Lima, a ministra socialista contou uma história que ficou para sempre na minha pobre e vil cabeça: no primeiro dia, Helena André chegou ao ministério às oito da manhã pronta para começar a trabalhar mas só encontrou as empregadas da limpeza, que, coitadas, abriram a boca de espanto. Com o tempo, muita gente começou a seguir o exemplo da ministra e aquela casa conseguiu, pelo menos em parte, acabar com o pior hábito português: ficar a trabalhar até tarde. Fala-se muito do nosso ritmo de trabalho, supostamente mais lento do que o holandês ou alemão. Mas julgo que a questão não está no ritmo, mas sim no horário de trabalho, que é sem dúvida mais imbecil do que o alemão ou holandês.
Uma amiga, há dias, começou a trabalhar numa empresa alemã aqui em Lisboa. Dando largas às manhas tugas, ela começou a bulir até tarde. O horário de saída é às cinco, mas ela ficava até às seis ou sete, até porque queria impressionar os chefes. No final da primeira semana, o chefe chamou-a e disse: "olha, herr fofa, és despedida se continuas a fazer isto, nós não te queremos se não consegues fazer o teu trabalho até às cinco". Eu senti esta crítica quando estive na Alemanha: tinha de começar a trabalhar às 8. Não podia chegar às 8, já tinha de estar sentado às 8. E repare-se que esta exigência não é apenas um freio produtivo que domestica as pausas, as conversas, as bicas, os cigarros, etc. A exigência foi pensada, acima de tudo, para a vida pós-laboral: se sai às quatro ou cinco da tarde, uma pessoa ainda tem muito tempo para estar com os filhos. Aquele horário de trabalho madrugador serve a família antes de servir a empresa.
E nós? Nós começamos a trabalhar às 9 e tal, 10 horas, almoçamos entre as 13 e as 14.30 e, claro, saímos estupidamente tarde, cansados e sem tempo para crianças. É como se toda a gente estivesse debaixo do horário das redacções. Pior: é como se a sociedade estivesse organizada em redor do horário do solteirão. Ai, mas o trânsito torna difícil chegar a horas! Ai, mas os transportes! Lamento, mas as empregadas da limpeza que a ministra conheceu às 8 da manhã também têm de enfrentar o trânsito ou os transportes. Como é que conseguem? Vão para a cama mais cedo. Mas, verdade seja dita, os principais culpados não são os funcionários mas sim as chefias que não seguem o exemplo de Helena André. O chefe português gosta do solteirão que fica até tarde, eh pá, sim senhor, ganda gajo, ganda entrega. "