quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Passagem de Ano


Sempre dei importância à passagem de ano. É uma altura em que faço o balanço do ano que está prestes a terminar e penso no que levo comigo e quero para mim no ano que se inicia.
É apenas mais uma noite do ano, eu sei. Mas se medimos a nossa vida em anos, porque não dar-lhes significado? Mesmo aqueles que são para esquecer!
Esta passagem do ano acho que é a primeira em que tenho apenas um só desejo: que 2015 me traga a serenidade e a sabedoria para continuar o meu processo.
Porquê?
Porque 2012 foi um ano de luta com uma grande alegria. 2013 um ano que começou cheio de esperança, mas 13 dias depois desferiu-me um golpe duro, seguido de um tsunami de perdas e notícias difíceis de lidar. Faz hoje um ano as esperanças que 2014 fosse um ano de mudança eram imensas. E foi um ano de mudança. Mudança interior.  Chego ao fim de 2014 com a certeza de que este ano me agarrei aquilo que eu via como uma bóia de salvação para as tristezas de antes, e a verdade, é que estava agarrada aos destroços do tsunami que foi 2013. Não foi mau, nada disso. Foi um despertar. Um ganhar de consciência interior, de identificar e valorizar muita coisa e aprender a desvalorizar outras tantas. Chego ao fim de 2104 a saber fazer melhor a triagem do que quero que me afecte e com as águas serenas e os destroços identificados, vou chegar a 2015 com a mesma Fé de sempre em acreditar que as coisas boas acontecem e o que o melhor guia para a vida se chama coração.
Demos asas à fé, aos sonhos e entremos em 2015 a Acreditar que tudo é possivel.
A todos os que fazem parte da minha vida, mais perto ou mais longe: FELIZ 2015.

 
 

Um filme com uma história triste não tem de ser necessáriamente triste

"The fault in our stars" é isso mesmo. Um romance vivido sob o véu negro de uma doença, mas que nos enternece, nos aquece o coração e nos faz pensar na simplicidade da vida e no quanto não a podemos desperdiçar.
Tornou-se num dos meus filmes de eleição.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Hábitos de Princesa

J.: Ó mãe porque é que as princesas nunca dão arrotos?
Eu: Tu dás arrotos todos os dias?
J.: Não. Mas nunca vi nenhuma dar um.
Eu à toa: Porque não calhou!
J.: Oh que pena!
Se alguma Princesa me estiver a ouvir faça o favor de dar um arroto!!!!!! É que os vestidos de baile e os sapatos são fixes, mas há que manter alguma naturalidade. LOL

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A Magia de Acreditar

O texto de Dezembro para a Up to Lisbon Kids aqui:
http://uptolisbonkids.com/2014/12/18/a-magia-de-acreditar/

Preocupações Natalícias

J.: Mãe, tens de enviar um e-mail ao Pai Natal.
Eu: Porquê?
J.: Para lhe dizeres que na noite de Natal estou em casa do tio João e ele não entregar os meus presentes a outra Joana qualquer.
Eu: O Pai Natal sabe bem onde é que vais estar.
J.: Como é que ele sabe?
Eu: O Pai Natal é mágico. Sabe sempre onde estamos.
J.: Eu gostava de ser como o Pai Natal e saber tudo.
Esta magia de acreditar no Pai Natal, mesmo já com o uso de e-mails, é simplesmente deliciosa.

A nova tendência aos olhos da minha filha

Vamos no carro para a escola e na rádio falam desta nova tendência da moda em não depilar as axilas e colori-las.
J.: Olha, estão a falar daquilo que vocês estavam a falar nos meus anos.
Eu: Pois estão.
J.: Pois eu, não pintava.
Eu: Então? O que é que fazias?
J.: Punha uma tatuagem do bolicao.

Eu: O quê?!!!!
J.: Punha uma tatuagem do bolicao, mãe.
Eu: Mas ficavas ou tiravas os pelos?
J.: Nem pensar! Eu tirava, mas em vez e pintar punha a tatuagem. Ficava mesmo mais giro.
Ri às lágrimas e depois pensei que, estando eu a pensar na minha segunda tatuagem no pulso, vai ser dar-lhe ideias para daqui a 10 anos ela querer começar a pensar fazer o mesmo, sem que eu consiga que sejam só as do bolicao.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Comunicação social ou Manipulação social?

Quando era mais jovem e sonhava com uma carreira no jornalismo de investigação, um jornalista já experiente ofereceu-me um livro que se intitulava "Comunicação Social - O Quinto Poder".
A verdade é que naquela altura ainda se vivia um outro jornalismo e muitos, como eu, ainda sonhadores, a utopia de um jornalismo isento e recto.
Toda esta história de Sócrates, as visitas e agora o advogado que passou a ser falador, são apenas e só pura manipulação da comunicação social, que na maioria dos casos, parece ter-se esquecido dos primórdios do jornalismo e anda sedenta de qualquer notícia e/ou declaração de alguém, por menos inconsistente ou disparatada que possa ser. Tudo serve para ser noticia.
Sócrates é um preso preventivo como tantos outros.
Se é ex-primeiro ministro então os jornalistas que tentem através das suas fontes saber até que ponto a Justiça tem provas para se fazer justiça.
Dispenso a especulação se o Guterres ou o Pinto da Costa o foram visitar e muito menos a notícia de que o advogado vai interpor a decisão da prisão em não o deixar dar mais entrevistas.
Isto é puro espectáculo para agitar as hostes.Mas do mau!
E a Comunicação Social vai atrás disto para garantir audiências com notícias destas.
Até a mais fraca das séries americanas que retrata a realidade judicial nos E.U.A. tem mais qualidade.
A quem tiver 40m aconselho um episódio da série News Room!

O Lixo da vida

Sim, eu acho que a nossa vida tem lixo, tal como nódoas negras e também daquelas que colocamos na roupa.
As nódoas negras são as mágoas que permanecem.
As nódoas da roupa o que não devíamos ter feito, mas fizemos.
O lixo é o que nos faz ficar tristes, que nos faz pesar a alma.
Tal como nem sempre é fácil fechar o saco da reciclagem, também não é fácil, livrarmos-nos do lixo da nossa vida.
Quantas e quantas vezes nos assalta?
Nos dificulta um sorriso?
Não nos deixa aproveitar um momento?
Tantas e tantas e tantas...
É preciso deixar que o mesmo se vá.
Adoptar a teoria da passagem do camião do lixo e decidirmos-nos a deitar algo fora, nem que seja uma vez por semana.
Ou então ir até à praia, fechar os olhos e ouvir o mar. Imaginar que as ondas, que varrem o lixo da areia, nos lava a alma.
Não façamos de nós um eco-ponto. 
Para fazer da nossa vida uma história limpa é preciso aprendermos a varrer o lixo das nossas vidas.
Sem ele resgatamos sorrisos, sentimo-nos vivos e capazes de seguir em frente.
 (foto by Hélia Gomes)


domingo, 14 de dezembro de 2014

Para todas as mães...

... que perderam filhos.
São mais do que alguma vez poderia ter imaginado, mesmo que estivesse a trabalhar e a escrever uma telenovela.
Há coisas na vida que ultrapassam a ficção, por muito que achemos que não. Mas volta e meia, se estivermos atentos às histórias que nos chegam por amigos, ou via internet, percebemos que a realidade poder ser muito mais dura e inacreditável do que a história que alguém um dia inventou.
O melhor argumentista?
Quem quer que seja que esteja do lado de lá a dar-nos material para escrever a história da nossa vida e escolhermos o tom em que o fazemos.
Há quem lhe chame Deus.
Chamem-lhe o que quiserem.
Hoje comemora-se o Dia Internacional em Memória dos Filhos que partiram. Não foi notícia. As pessoas não querem estas más notícias. Mas esquecem-se que há quem precise de falar da sua má notícia para seguir em frente.
Há pouco tempo a pequena Gui foi notícia e fez pensar na morte de bebés prematuros.
Hoje o dia também foi dos pais dela. E da Mãe Vanessa. E da mãe do Afonso. E da mãe da Bia. E de tantas mães.
Acordemos para esta realidade não com medo do que possa acontecer, mas conscientes do quanto temos que valorizar a vida e do quanto talvez possamos fazer a diferença na vida destas mães, com um simples beijo, no dia de hoje.
Eu mandei beijos a muitas mães que conheço. Foram elas que há um ano me deram a conhecer este dia.
Que todos o conheçamos não por maus motivos, mas porque estamos atentos aos pequenos Mundos, que tal como o Nosso, existem no Mundo.
Há um ano eu escrevi assim:
http://maetonino.blogspot.pt/2013/12/dia-internacional-em-memoria-dos-filhos.html



sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Completamente Toninó

Desde manhã sempre a abrir.
Tratar de coisas de casa, do trabalho, comer a correr, ir a correr para a escola da J. para ajudar na festa de Natal, assistir à festa de Natal, confusão do lanche, arrancar a J. da escola, vir a correr a casa vestir a roupa do ballet, ir a correr para o ensaio geral do ballet, vir do ensaio geral com uma criança cansada e em loop, conseguir fazer que ela coma alguma coisa, que lave os dentes e que se deite e durma porque amanhã antes das 10 da manhã tem de estar vestida e pintada no local da apresentação.
Não me lembro nada da minha infância sim! LOL
Estou Toninó, mas babada por ter visto uma pequena artista orgulhosa e sem medos a cantar, frente a cerca de 100 pessoas, canções com mensagens lindas do Princepezinho, ao som de batidas actuais e de saber pela professora que ela é muito trabalhadora e que apanhou a matéria sem problemas nenhuns, no nosso regresso a Portugal e com um mês de aulas perdido.
Muito Toninó de cansada, mas de coração cheio.
                                     (Foto by Hélia Gomes)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Hoje recebi o que precisava de ler!

E hoje a amiga de coração que me fotografou, deu-me lindas palavras escritas por alguém, que tal como ela, veio a este Mundo fazer a diferença.
Foi impossível não chorar.
Este poema tocou cá bem no fundo e em tudo o que ando a sentir.
E juro que ela não sabia de nada!
Ele há coisas fantásticas, não há?


''Tua caminhada ainda não terminou...
A realidade te acolhe
dizendo que pela frente
o horizonte da vida necessita
de tuas palavras
e do teu silêncio.

Se amanhã sentires saudades,
lembra-te da fantasia e
sonha com tua próxima vitória.
Vitória que todas as armas do mundo
jamais conseguirão obter,
porque é uma vitória que surge da paz
e não do ressentimento.

É certo que irás encontrar situações
tempestuosas novamente,
mas haverá de ver sempre
o lado bom da chuva que cai
e não a faceta do raio que destrói.

Tu és jovem.
Atender a quem te chama é belo,
lutar por quem te rejeita
é quase chegar a perfeição.
A juventude precisa de sonhos
e se nutrir de lembranças,
assim como o leito dos rios
precisa da água que rola
e o coração necessita de afeto.

Não faças do amanhã
o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo
que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás...
mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te.''
Charles Chaplin

Vou imprimi-lo e colocá-lo numa moldura para o ler todos os dias em que precisar de alento.

Podemos mudar o Mundo?

Sozinhos e de uma vez só não.
Mas podemos dar passinhos de bebé.
Ter pequenos gestos que podem fazer a diferença.
Hoje é o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Já passei pela página da Amnistia Internacional no FB e assinei as petições que são neste momento precisas.
Desafio-vos a fazer o mesmo.
Vivemos num Mundo de julgamentos. Mesmo no dia-a-dia e nas mais pequenas coisas.
Sócrates está preso preventivamente e já foi culpado e condenado em Praça Pública, sem que ainda tenha havido um julgamento. Não o estou a defender! Muito longe disso!
Estou a mostrar que só não temos pedras de verdade nas mãos como na era de Cristo em que se apedrejou Maria Madalena. Hoje fazemo-lo com palavras e actos!
Não deveria ser assim!
Para as causas grandes existe algo que surgiu à medida que a sociedade evoluiu: a Justiça!
É verdade que nem sempre funciona! Mas continuo a acreditar nela.
Chamem-me naif, se quiserem. Mas sou de signo carneiro e quando acredito nas coisas defendo-as.
Há que fazer um exercício se queremos mudar um pouco o nosso Mundo no Mundo: até que ponto somos nós também justos no dia-a-dia?
A regra é a mesma.
A dimensão dos actos e da situação é o que muda.
Quantas e quantas vezes julgamos e somos injustos no nosso dia-a-dia?
Quantas e quantas vezes nos achamos donos da verdade e da razão e nos esquecemo dos direitos (humanos) de cada um em ter/fazer as suas escolhas?
Os direitos humanos são fundamentais e se queremos lutar por eles comecemos pelo nosso dia-a-dia.
Contra mim falo. Mas defendo cada vez mais que esta é uma obrigação humana tal como os direitos humanos que temos.
Vale a pena pensar nisto. E quando não pensarmos, obrigar-nos a lembrar de que temos de pensar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Quase no fim do ano... Uma Nova Imagem

Começo hoje uma nova imagem do blogue, que consegui com a preciosa sensibilidade de uma amiga querida.
Fez na sexta-feira um ano que perdi alguém que me foi especial e que em muitas coisas foi um exemplo. Não me era de sangue, mas não era preciso. O sentido que dava à vida e o modo como a levou até ao seu último suspiro, foi para mim, uma lição e um exemplo. 
Por isso, faço questão de o recordar.
Porque sempre que acuso cansaço obrigo-me a pensar não só neste "avô de coração" como em tantos outros exemplos que tenho tido ao longo da vida.
Hoje passa na SIC o filme UP! Altamente. Quando o vi há uns bons meses com a J., ela disse logo que fazia lembrar o avô-bi. Este senhor além de pai e avô  conseguiu deixar a sua marca como bisavô na minha pequena J., que aos cinco anos soube que ele se transformou numa estrela.
E cada vez mais pertinho dos 35+3, tenho a certeza de que nesta vida o que melhor que temos a fazer é andar com um bloco e ir tirando notas do bom e do mau, do certo e do errado, dos exemplos e das experiências nossas e de todos o que nos rodeiam. 
Isto não é difícil. É apenas um pouco complicado. Mas se estivermos atentos, vemos que o padrão muitas vezes se repete e que a única coisa que temos de mudar é a nossa forma de encarar a situação. Sei que o cansaço emocional muitas vezes não ajuda, mas é respirar fundo e seguir em frente, com a certeza de que tudo tem solução desde que feito com o coração. 
Cada vez mais (e acho que não é por acaso) temos exemplos na nossa sociedade de gente corajosa que, mesmo sabendo que as batalhas dão nódoas negras, não se acanham de lutar pelo que acreditam e de dar sentido às suas vidas.
Obrigada pela inspiração.

 

Há um ano escrevi assim: 

http://maetonino.blogspot.pt/2013/12/hoje-o-ceu-ganhou-mais-uma-estrela.html

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Quem disse...

... que para abraçar precisamos de ter braços?


A imagem fala por si.
O amor e carinho que se passa num abraço, não é preciso que seja com braços.
A energia com que o fazemos é tudo.
Até à distância o podemos fazer.
O sorriso deste filho mostra bem que o pai não precisa de ser completo e perfeito para o fazer sentir amado e querido.
Cada vez mais acredito que estas pessoas não vêm ao Mundo assim, por acaso. São exemplos que temos para ver a vida com outros olhos e buscar dentro de nós e nos que rodeia a verdadeira essência da vida.
Nick Vujicic tem um livro inspirador sobre a sua vida e a sua página noFB é também um local onde podemos assistir a momentos deliciosos, que não precisam de única palavra, tal como este.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

DAR (Com o coração)



Dar é um ato que faz comichão a muita gente, que antes de o fazer já está a dizer, ou só a pensar, no que é que vai receber de volta.
A verdade é que quando damos, seja algo material ou imaterial, nem que seja, um grama de nós espera algo de volta.
Só que muitas vezes o que recebemos de volta não é palpável, não é material.
Nas últimas semanas tenho assistido via web a várias formas de DAR e que o que se recebe de volta não é material. 
Aliás, só se recebe de volta, porque se tem o coração aberto para sentir isso. Do que é que falo? Dou-vos vários exemplos.
No famoso (devido às reportagens “maldosas”) grupo de Mães do FB já vi quem viesse pedir ajuda para amigos e gerar-se um movimento de solidariedade que em 48h faz a diferença na vida de outros.
No FB vi também nascer o Grupo MãesSolidárias e o seu espaço, tão genuinamente gerido pela Diana Frazão, que do nada faz cada vez mais.
No FB conheço também o Gota Solidária, obra da mãe de uma Leonor, que como a minha partiu, e de duas amigas. Um grupo que a cada mês ajuda uma causa que é escolhida. Cada membro só tem de doar 1€ mensalmente. Por muito pouco que se angarie, isso fará a diferença na vida de alguém.
Sabemos que existem organismos de grandes dimensões que ajudam, mas numa altura, em que cada vez mais há quem precise de ajuda, este pequenos grupos tornam-se grandes.  
E Grandes são também as pessoas que a eles dedicam inúmeras horas dos seus dias. Grandes são as pessoas que vão ao armário, ver o que afinal não precisam assim tanto, para dar resposta a um pedido de ajuda que chega via internet, de alguém que se desconhece por completo.
Este DAR é maravilhoso.
O que se recebe?
A satisfação de saber que se ajudou alguém a esboçar um sorriso, a ter um segundo de felicidade, no meio de muitas preocupações e dificuldades.
Estive quase 6 meses num país onde a solidariedade é algo levado muito a sério e transversal à sociedade. Regresso e aquece-me ver o meu Portugal, cada vez mais solidário. Não nos programas de TV, que isso há muito que existe. Mas nestes pequenos gestos do dia-a-dia. Nestas pequenas coisas de 1€ ou de dar um armário que se tem na arrecadação, ou um lençol que se tem a mais.
DAR para receber… um simples sorriso de volta. Um obrigado sincero. A notícia de que alguém que estava mal está um pouco melhor.
Quando penso em ganhar o Euromilhões, uma das coisas seria fazer a diferença nestes e noutros grupos. Enquanto tento e vou gerindo a minha vida, o melhor que posso, resta-me chegar aos que me leem e queiram DAR, com o coração, com estas informações:

- Que o Mães Solidárias tem um mercadito de Natal a funcionar para o qual precisa de voluntárias e muitas coisas à venda, no intuito de ajudar 130 famílias carenciadas este Natal.
- O Gota Solidária precisa sempre de mais membros. Cada 1€ faz a diferença.

Este mês que é de Amor e Paz, façamos a diferença, que pode ser feita com muito pouco, na vida de alguém.
BOAS FESTAS!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Mudar. É bom ou mau?

É com muita satisfação que vos revelo que a partir de hoje, estarei com um texto "Toninó" mensal, no Up To Lisbon Kids. Link para a crónica aqui

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Doçura escatológica

No regresso da escola:
J.: Mãe, hoje de manhã doeu-me muito a barriga e fiz cócó.
Eu.: Doeu-te muito?
J: Sim, mas pensei em ti e  imaginei que estavas a contar-me aquelas histórias de relaxar para dormir e consegui.
Derreti-me.
Aliás, ainda estou derretida!

domingo, 16 de novembro de 2014

Em menos de 12 horas de FB

Vi o amor de um neto a uma avó que fez 91 anos.
Vi uma declaração de amor do marido à mulher aniversariante.
Vi a dor de uma amiga que perdeu o segundo dos seus "filhos" de quatro patas.
Vi a angústia de uma mãe com a filhota no hospital.
Vi fotos da natureza.
Vi desabafos.
Vi frases feitas.
Em suma, vi a vida em todas as suas vertentes.
E vi...
Esta foto. Aquela que é já a foto do dia.
Uma foto da vida que revela dor, e que infelizmente não é única.
Acontece diáriamente.
Somos uns felizardos por não ter de ler estas notícias todos os dias.
E é por causa de fotos como a do dia de hoje, que acho que temos de dar ainda mais importância, às primeiras coisas que escrevi que vi.
Pode dizer-se muitas coisas da internet e da comunicação social. A verdade é que são janelas para o Mundo fora do nosso pequeno mundo.
Janelas que nos dão a oportunidade, se quisermos, de pôr a nossa vida em perspectiva. De analisar. De pensar no que queremos para o nosso pequeno mundo.
Ainda não sei esta lição de cor. Mas estou decidida a que assim seja.
Por isso, vou tentar que este meu Domingo, mesmo que por entre muita coisa que dispensava facilmente, seja um Bom Domingo, já que para muitos, este dia, será um dos piores da história das suas vidas.
Espero conseguir ter boa nota na lição de hoje.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Às voltas...

...com o meu blogue descubro o texto de abertura! Grávida de 30 semanas da minha Ninocas e a falar das imensas mudanças. Agora dois anos e quatro meses depois, suspiro ao lê-lo... as mudanças foram ainda mais do que as que podia imaginar. A começar pela Leonor se ter tornado na minha estrela guia no céu e numa vida de altos e baixos, em quase seis meses de vida fora de Portugal, de tantas venturas e desventuras. Mas a vida é mesmo isto! E mesmo que me sinta cansada, sei que não gostaria de ter uma vida linear e sem emoções. Quando partir, deixarei tantas coisas para contar. Acho que é que isso que se deve querer da vida :)


"De volta à blogosfera


Depois de ter encerrado o Irinadeolhosembico há mais de um ano, a L., dentro da minha barriga, e a J., aqui fora, muito me têm dado vontade de voltar a escrever, sobre o meu dia-a-dia como mãe e como mulher. 
Este blogue nasce às 30 semanas de gestação da L. Uma gravidez que tem sido uma alucinação, por tudo quanto nos tem acontecido e, pela quantidade de mudanças que estamos a fazer na nossa vida. 
O nome mãe "toninó" surge porque:- Mãe - a base deste blogue sou eu como mãe... e no fundo como mulher. As duas coisas são indissociáveis. - "Tóninó" - porque é assim que a J. - apesar de falar super bem e usar expressões como "ora vejamos" -  diz tinóni. 
E é assim, "toninó" que me sinto como mãe e mulher, nestas aventuras e desventuras que os últimos meses nos têm dado... e que o futuro, certamente, nos reserva. Até já."

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O segredo?

Está dentro de nós!
Não vou escrever nenhuma frase das habitualmente ditas sobre o que é perder um filho.
Deixo-vos as palavras de um grande comunicador sobre a perda do seu filho.
A importância de não fecharmos na alma o que pensamos e o que sentimos é cada vez mais importante nesta vida corrida que temos, em que não há tempo para nada.
Mas tem de haver tempo.
Tempo para sentirmos.
Tempo para nós.
Tempo para, nem que seja no silêncio das nossos pensamentos, dizermos a nós mesmos, o que nos vai na alma.
Aqui fica o link para a dedicatória de Jô Soares ao filho autista, que faleceu aos 50 anos na passada sexta-feira.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

E é mesmo isto!

Texto  do site Inesperado.org para ler e interiorizar todos os dias.

"Apesar dos miminhos que recebeste dos teus pais, apesar de teres amigos que se riem das tuas piadas e apesar de já teres passado por muita coisa… não caias em ilusões: tu não és especial.
Não és especial porque andaste naquela universidade ou tens aquele trabalho. Não és especial porque tens boa aparência ou porque há alguém que gosta de ti.

És apenas mais um em 7 biliões, por isso escusas de andar por aí como se o mundo te devesse alguma coisa. Essa cara de vinagre fica-te mal, e esse ar só estraga o ânimo à malta. A sociedade não te deve um trabalho, a família não te deve uma casa e os teus amigos não te devem atenção. Nada disso: o mundo não te deve nada, és tu que deves muito ao mundo.
Deves ao mundo o teu tempo, energia e inteligência. A tua melhor intenção e o teu melhor empenho.
Trabalhar porque acreditas que o teu trabalho é importante, não porque tens um estatuto a manter. Estudar pelo entusiasmo de aprender e não apenas para passar nos exames. Namorar porque adoras a pessoa que está contigo, não porque não aguentas estar sozinho. Viajar porque queres viajar, não para teres fotografias para mostrar. Cuidar bem dos outros porque queres o bem deles, não para provares que és bonzinho.

Podes tentar fugir disto, claro. Podes ficar escondido atrás das cortinas e lamentar-te de todas as dificuldades que tens pela frente. Podes ficar à espera que alguma coisa te venha salvar…mas no fim tens apenas que decidir uma coisa: o que vais fazer com cada hora do teu dia? O que raio vais fazer da tua vida?
O mundo precisa de ti. E tu precisas de viver o melhor que tens. A tua vida é demasiado importante para depender de te sentires especial.
O caminho vai ser longo e difícil. Vais ser criticado e vais falhar… mas se apesar de cada falhanço, cada crítica e cada sofrimento continuares a dar o teu melhor… então é porque te tornaste em alguém especial."

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Até Sempre Princesa Côderosa

Desde ontem que fiquei com o coração apertado quando li o post matinal da página que nos trouxe a ti e aos teus pais até nós.
A página de FB que chegou a tanta gente passando a mensagem que vieste trazer-nos.
Fizeste em 15 meses mais do que muitos em longas vidas.
Tenho a certeza que nunca serás esquecida, seja por quem for, que te conheceu e leu.
Sabes isto melhor do que eu!
Porque, melhor do que eu, sabes o que vieste fazer a este mundo.
Soube de ti, pouco tempo, depois de ter perdido a minha Leonor com 4 meses.
O nome aproxima-nos.
A admiração da luta de uma criança que é sempre superior à de um adulto, faz-me fazer-vos uma vénia.
A ti.
À minha Leonor.
A uma Joana com 10 anos que vi partir, dia a dia.
A tantas e tantas crianças que todos os dias sofrem e lutam pela vida, enquanto nós adultos, na maioria das vezes estamos mais preocupados com outras coisas, que no fundo, são importantes, mas não têm o mesmo valor que a vida e que o amor.
Perder a minha Leonor, conhecer-te e aos teus pais, através das mensagens da tua mãe que nunca se acanhou de mostrar a sua fé e o seu amor (coisa rara na sociedade que temos), conhecer outras tantas mães que perderam filhos... mudaram-me para a eternidade.
Sempre fiz questão de pensar, na minha vida, que há sempre uma história "pior" que a minha e de ir buscar todas as forças que tenho para superar as tristezas e os obsctaculos.
Quis a minha missão nesta vida que me tornasse numa mãe que perdeu uma filha.
Uma filha que não sabia ainda palavras, mas falava pelo olhar.
Um olhar tão profundo e sereno como o teu, apesar de toda a adversidade.
Quando li a notícia da tua partida, que já sentia no meu peito desde a manhã, as lágrimas vieram.
Como não podiam vir?
Sei que é o teu caminho.
Mas ficamos tristes por te ver partir. Por saber da dor eterna dos teus pais.
Mas fico feliz por ter tido a oportunidade de vos ler e de aprender contigo.
De abrir ainda mais os olhos para a vida.
De aprender a queixar-me menos e a stressar menos ainda.
De me ensinar a levar a vida um dia de cada vez.
Não és a única que partiu nos últimos tempos nessa luta, por isso sei que estás em festa com os teus amigos.
A grande verdade é que nós não temos a capacidade de ver as asas que vocês têm.
Sempre acreditei em anjos e depois da minha Leonor ainda mais. Tu, com as palavras que fizeste passar pela tua mãe, tal como a da oração que fizeste nesta fotografia, são a prova disso.
E o dia é de tristeza.
Há muita gente triste. Outras tantas indiferentes. O mundo é assim.
Mas tu destacaste-te pelo teu sorriso perante a adversidade.
O mesmo sorriso que sempre vi na minha piquenina.
O mesmo sorriso que lhe jurei, com elas nos braços quando partiu, e te juro.
Acho que todos nós, adultos, quando nos estamos a "passar" deviamos pensar em ti, Princesa Guerreira, e em todas as outras Princesas e Principes que lutam diariamente em Portugal e pelo Mundo inteiro.
Não é viver de tristezas.
É inspirar-nos na luta dos que foram escolhidos para lutar.
Saber de tudo isto e não esconder na minha cabeça que esta realidade triste existe, faz-me desfrutar ainda mais da minha filhota.
O tempo corre e nunca sabemos o dia da amanhã, nem o que a vida nos reserva.
Eu aprendi isso da maneira mais dura.
Mas pela minha Leonor, por ti, por todos os guerreiros e anjos, prometo sorrir entre lágrimas e só desistir de acreditar e de lutar pela minha felicidade, quando o meu coração desistir e também chegar a minha hora de partir.
Tu partiste. O mundo parece cinzento, mas não é, porque pintaste-o de côderosa.
Basta ir ao FB e ver. Até os homens não se acanham, de por ti, usar côderosa na foto de perfil.
Obrigada Princesa Guerreira. Obrigada Mãe Vanessa e Pai Jorge. Obrigada por serem sido vocês mesmos, sem pudores nem vergonhas. Simplesmente uma família côderosa.
Até Sempre Princesa Côderosa







quarta-feira, 3 de setembro de 2014

E já está...

... tudo pronto para amanhã.
O 1º dia do 1º ano.
Parece que ainda foi ontem que ela nasceu!

Informação

Para quem me segue aqui e não me conhece no FB aqui fica o link da página Mãe "Toninó" que criei no mesmo, para mais facilmente me dar a ler:

https://www.facebook.com/pages/M%C3%A3e-Tonin%C3%B3/1491949381059559

Obrigada a todos e todas os que me têm acompanhado nesta viagem que é a minha vida e na qual gosto tanto de fazer isto: escrever.


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A Dor

Acho que a primeira vez, na vida, que me apercebi de que havia algo que nos magoava e fazia chorar e sofrer, foi no dia em que soubemos que o meu pai tinha cancro.
Eu devia ter 9/10 anos.
Não esqueço esse dia.
Nem a roupa que tinha vestida.
A minha mãe não era de nos proteger das más notícias, e por isso acho que foi aí.
Talvez o  facto dela ter sido assim, desde sempre, também me ajudou a ganhar calo para tudo o que vivi no último ano.
Talvez seja a este seu modo de ser, que não reconheço e não valido com a minha filha, que lhe devo o meu espírito de luta.
Conheci a dor mais de perto à medida que a doença do meu pai foi aumentando e levando-o de nós. Foram sete anos.
Um ano antes dele partir, senti pela primeira vez, a dor enorme de perder alguém: o meu avô.
O meu eterno carequinha.
Consigo viajar no tempo e lembrar-me do quanto me doeu por dentro.
Um ano depois partiu o meu pai. Uma morte já esperada, pelo meio de tanto sofrimento. Mas a mesma dor. Desta vez acompanhada do sentido de que ele tinha ganho paz e teria descanso, e de que eu era a irmã mais velha de um miúdo que tinha acabado de ficar sem pai.
Já tinha quase 18 anos.
Já via a vida com outros olhos.
Senti dor.
Revoltei-me com o sofrimento.
Nunca com a morte.
Não sei porquê, mas sempre a soube certa.
Nunca a temi e só a temo se for precoce, porque sou mãe.
No passado dia 23 de Agosto, tive de contar pelos dedos, quantos anos faria o meu pai. Seriam 72! Faz agora em Outubro 20 anos que partiu.
A dor passou. Ficou a saudade do que não se viveu. Ele adoeceu eu era ainda uma garota. As memórias que guardo são muito poucas.
A dor da perda essa ficou já lá atrás. Algures no tempo.
Os anos foram passando, eu fui crescendo, a vida foi acontecendo e a dor tornou-se uma parceira.
Porque é mesmo isso que ela é.
Temos dor porque alguém que nos é querido morre, mas também temos dor quando amamos e não somos correspondidos... até mesmo, quando aquele amigo que julgávamos ser do peito, não o é tanto.
À medida que a vida corre e a dor se torna um dado adquirido, no mais cedo ou mais tarde, temos de aprender a lidar e a crescer com ela.
Caso contrário, resta-nos a mágoa e tudo o que de mau vem com ela.

Há um ano e meio que ganhei uma dor para a vida.
Uma dor que me obriguei a resolver dentro de mim, por ter outra filha, família e amigos...
A verdade é que senão conhecêssemos a dor como reconheceríamos a felicidade? O êxtase de um momento feliz?
Por isso gosto tanto desta frase que me surgiu ontem na net,  me fez pensar e vir aqui escrever:
- Dor não tenho medo de ti!


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Por isto mesmo é que...

... não tenho receio nem pudor em contar as histórias da minha vida e de trabalhar a inventar outras tantas.


A partilha de histórias de vida só nos fazem crescer e tomar consciência do bem precioso que é a vida e a natureza.
Ter consciência da nossa história, ao longo dos anos, ajuda-nos a ser mais serenos e mais bem resolvidos connosco mesmo.
Não tenham medo de assumir e contar, mesmo que em surdina a vocês mesmos, a vossa história.
São as histórias da história da nossa vida que fazem quem somos.
Afinal o que é que fica quando partimos?
A nossa história.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O Amor - Parte III

Recebi este video no email em Dezembro de 2012.
Ainda a minha pequenina estava bem de saúde.
Desde sempre que acreditei que o amor é isto.
Mais do que a aparência física.
Mais do que que é suposto ser.
Mais do que é convencionado que seja.
O amor é algo simples...
Mas tão supremo de alcançar, que não é fácil lá chegar...
E muitos, mais do que deviam, não conseguem.

video

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O amor

Fala-se e escreve-se tanto sobre o amor.
Há teorias e explicações para todas as situações.
Para o principio e para o fim.
Para o mais ou menos.
Até o que não tem explicação, usa a não explicação como a mesma.
A verdade é que o amor é como o pó de fada dos filmes infantis.
Seja por um amigo, um colega de trabalho, pelo companheiro(a), pelo próximo...
Ele surge quase sempre do nada e da maneira mas simples.
Uma palavra trocada. Um olhar fixo. Uma caricia mais atenta.
E se o amor é como o pó de fada porque é que ele não desaparece tão depressa como aparece?
Porque aqui entra o lado humano.
Amar é sentir, mas também é permitir-mo-nos sentir, dar de nós a quem amamos ou até, simplesmente, ao próximo.
Está dentro de nós, do nosso coração, o que alimenta ou não esse pó de fada.
É a nossa vontade. O nosso querer. O nosso saber. A nossa balança da vida.
Porque é que há amigos que amamos de paixão e que só vemos uma vez por ano, e é como se os víssemos todos os dias?
Porque o amor, a entrega a essa amizade está lá.
Não há amor, seja ele de que tipo for, até por um filho, se o nosso coração não está aberto.
Se nós não nos queremos dar.
Se nós não queremos investir nesta magia que nos foi dada de graça.
O amor, às vezes, pode ser quase como a fé. Temos de acreditar para o conseguir manter.
Este pó de fada é frágil e pode ser efémero.
Compete-nos cuidar e fazer dele o que quisermos: que cresça, que morra ou que passe a mágoa, como tantas vezes acontece.
O amor está em todo lado.
Por um momento que seja, olhemos em redor, vejamos onde ele está e no que é que o queremos transformar.
E porque o pó de fada que me calhou me deu tantas pessoas lindas na minha vida (elas sabem quem são) aqui vai um beijo mágico em nome do
amor que nos une.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Saudade

Palavra que só existe na língua portuguesa, isto é, não tem tradução.
Podemos dizer "I miss you", mas não é a mesma coisa.
Quando a Leonor partiu, muitos foram aqueles que me disseram que a Joana por ter, apenas, quatro anos à data, se esqueceria da irmã.
Eu respondi sempre que duvidava. Sei que o tempo nos traz outra vida. Também eu, no meu dia a dia, aprendi a viver com isto e a não me lembrar dela a cada instante.
A Joana não esquece a Leonor. De vez em quando, fala da irmã com naturalidade e diz que tem saudades. Saudável. Diz que gostava que a irmã não tivesse ficado doente para a ter aqui com ela para brincarem.
A cada conversa que temos relativizo tudo. E os dias vão passando com uma Joana feliz, que de vez em quando, tem saudades da mana, que muito desejou.
Ontem, mais uma vez, foi parar de volta de um livro de bebé onde tenho algumas fotos da Leonor. Já lhe tinha explicado o que era e para deixarmos ali bem arrumadinho, que estava bem.
Só que a minha filha tem os genes da teimosia e da persistência, todos elevados ao quadrado, e ontem fez novo ataque. Com olhinhos dengosos pediu-me para ver. Acedi.
Não é muita coisa.
Mas bastou esta fotografia da Leonor, para ela dizer mãe tira uma fotografia, enquanto se apressava a colocar os dedos e a fazer um coração.
Dei-lhe o seu momento. Ficou feliz. Voltámos a arrumar tudo e a noite seguiu com naturalidade.
A vida tem-me ensinado que nada é igual de ser humano para ser humano.
Temos muito a tendência de achar que tudo é igual para todas as pessoas, mas a verdade é que contra todas as expectativas, a Joana não esquece a Leonor.
Acredito que no futuro terá dificuldade em se lembrar do rosto dela, mas a verdade é que mesmo aos 4 anos, já sentimos a ligação e o amor de irmãos. E isso não morre nunca!


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Tatuagem

Mais do que uma vontade da moda, era uma vontade desde os trinta anos, de marcar algo no meu corpo que tivesse um significado para a vida, já que a mesma se apagará quando eu me apagar desta vida.
O tempo foi passando. Quis o destino que há ano e meio perdesse a minha Leonor e com isso a certeza da tatuagem que queria fazer.
O tempo voltou a passar e, este ano, quando fui surpreendida no meu aniversário com a oferta da tatuagem, estava certa do que queria marcar no meu corpo: as minhas filhas e o que elas significam para mim.
Escolhi o pulso esquerdo. Do lado do coração.
O nome das duas num coração: o amor incondicional.
Uma estrela: símbolo da minha Leonor no céu e da minha Joana, aqui comigo. As minhas duas estrelas guias.
Ser mãe ensinou me que podemos tudo. Que somos muito mais fortes do que imaginamos.
Quis a tatuagem que o topo do coração se assemelhe a uma gaivota. Símbolo da natureza. De liberdade. O mesmo pássaro que vi a subir aos céus depois de me despedir da minha filha. O mesmo pássaro que simboliza o voo grandioso. O que a Leonor já fez, depois de em tão pouco tempo nos ter marcado e a tantos outros, de forma tão forte. O voo grandioso que a Joana fará quando crescer e sair debaixo das minhas asas.
A cada dia que passa, e já lá vão três meses, que estou cada vez mais apaixonada pela minha tatuagem.
Quando preciso olho para ela e toda a vida fica em perspectiva.
Do que as minhas filhas são para mim e do quanto elas me mudaram e fortaleceram para ser uma melhor mãe e ser humano.
A quem ma ofereceu e a quem foi comigo fazer isto o meu eterno obrigada, pois foi, sem dúvida, uma das melhores decisões da minha vida.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Sabemos que uma filha está crescida quando...

...nos pega pela mão e nos puxa para dentro do passeio, com ar preocupado, dizendo:
- Anda para aqui que estás quase na estrada!

domingo, 10 de agosto de 2014

Foi há seis anos

Que no dia 8/8/2008 soube que ia ter uma Joana e não um Sebastião, como tanto acreditava que sim.
Foi há seis anos que respirei de alivio naquela ecografia que me retirou todos os medos, que tinha desde a eco das 12 semanas.
Foi no mesmo dia em que começavam os Jogos Olímpicos em Pequim, que tive a certeza que começava esta Olimpiada da Vida, que é ser Mãe.
A Joana é a minha primeira filha e muito mais do que isso.
É a minha âncora à vida.
A luz que me faz seguir na escuridão.
Aquela que me obriga a equilibrar-me nos desafios da vida, tal como ela se equilibra nos brinquedos do parque infantil.


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Para ler todos os dias...

E não esquecermos de que, por muito que nos aconteça, somos sempre afortunados.
Não vejo outra maneira de ver a vida. Devo-o às minhas filhas. A da terra e a do céu.
 


terça-feira, 8 de julho de 2014

Pontapés no medo

Há dois meses que aqui nada escrevo. Anda desaparecida no combate que é a vida.
Não por falta do que escrever.
Não por falta do que sentir.
Aliás, por esta a viver uma mudança tão grande não tenho tido tempo para vir escrever e a minha peste está deliciosamente a consumir-me todos os minutos que não está na escola.
A primeira semana de escola com nova com lingua que não é a materna correu bem.
A segunda nada bem. Tive de a deixar a chorar todos os dias.
Já me sentia mal e me perguntava: "O que é que eu estou a fazer à minha filha?"
A verdade é que não a posso proteger de tudo. Ela não vai viver numa bolha cor-de-rosa.
O click deu-se quando após várias conversas lhe expliquei que também eu tenho medo.
Que também fiquei nervosa ao vir para um país que não o meu.
Que os crescidos também têm medo, mas dão-lhe pontapés no rabo e  que é isso que ela tinha de fazer. Sempre que tivesse medo tinha de dar um pontapé no rabo do medo e pensar em coisas boas. Pois assim ia ver tudo o que tinha de bom.
No dia seguinte de manhã começou a choramingar e eu perguntei-lhe se ela se lembrava do que tinhamos falado. Anui. Dei-lhe um beijo e coloquei-a no chão. Não queria acreditar quando ela ergue a perna no ar e simula um pontapé no medo. O pai ficou por momentos sem perceber.
disse-lhe: "É mesmo isso, Joana".
Demos-lhe, cada um, mais um beijo acompanhados de palavras de incentivos e lá foi ela.
Quando a fui buscar estava feliz e disse-me que não tinha chorado mais.
Fiquei contente, mas ao mesmo tempo pensei que era sexta-feira. Fiquei receosa de como seria na segunda-feira.
A verdade é que o click deu-se nesse dia e desde então, já lá vão três semanas, que ela se adpatou e está super feliz. Fala muito do que já sabe e quando não sabe fala por gestos ou coloca o português com sotaque inglês.
O à vontade já é tanto que agora até me corrige no modo de dizer correctamente o nome das amigas com sotaque britânico.
As férias estão à porta. Continuaremos a treinar o inglês e estar com amigos ingleses, pelo que, resta-me desejar que em Setembro com o inicio da primária tudo corra tão bem como está a correr agora.



segunda-feira, 5 de maio de 2014

Pequenas Mensagens que podem Fazer Toda a Diferença

A primeira  recebi-a há muito mais que 10 anos (não sei ao certo o ano) de uma amiga.
Veio de uma igreja na Escócia.
Já me ajudou em alguns momentos.
A segunda descobria-a em Dezembro passado, entre outras, na loja de souvenirs da Catedral de São Paulo. Pequenas Mensagens que em certas alturas da nossa vida podem fazer toda a diferença.
É esta a força das palavras.
É esta a magia (inconsciente e quase sempre involuntária) de quem escreve.



domingo, 4 de maio de 2014

Dia da Mãe é todos os dias, mas hoje podemos reflectir!



Foi o que fiz mal abri os olhos quando ouvi: "Mãe, Feliz Dia da Mãe! Vou só à casa de banho e já venho dar o teu presente, para depois irmos para a piscina". Eram 9h20m. Mais ou menos.
Sorri. Pensei que é o meu sexto ano de dia da mãe. Há 6 anos já tinha a J. na barriga e estava de cama para não a perder. Há 5 anos que sou brindada pelo seu sorriso.
A J. foi buscar o presente enquanto eu pensava que parte de mim não está cá. Há uma parte de eu ser mãe que partiu há ano e quase meio. É o meu 2º dia da mãe sem a Leonor. Este vazio veio para ficar. Aprendi a viver com ele. Mas se há um ano estava triste, hoje não estou. O meu coração está quente. Tenho uma filha/anjo que passou pela minha vida para me ensinar muita coisas - tantas, que ainda não descobri todas - e tenho uma filha linda que de bebé já passou a doce menina. Uma querida que me alegra os dias e me faz arrancar cabelos e contar até 10.
Mas é esta a maravilha de ser mãe!
O que os nossos filhos nos fazem sentir.
Aquilo que fazemos pelos nossos filhos.
Se pararmos e olharmos para trás, de certeza que, todas as mães já fizeram coisas que nunca se imaginaram capazes. É ser Mãe que torna isso possível.
É este amor. É este dar sem parar. Este querer que eles sejam felizes que não tem fim.
Quando falo de felicidade não me refiro a dinheiro.
Quero que a minha J. seja um ser humano que, mesmo com pouco, saiba ver o bom de todas as coisas.
Que tenha a capacidade de aceitar o que não pode mudar.
Que tenha a capacidade de lutar pelos seus sonhos, respeitando os outros e fazendo-se respeitar.
Que tenha a capacidade de perceber que a felicidade, quase sempre, não está no muito, mas no que é feito e dado de coração.
Que ela saiba que quando estiver mais frágil e precisar do meu colo que lá estarei. Mesmo que seja do outro lado.
Hoje também foi dia de pensar na minha mãe que partiu há quase um ano. Continuo a sentir a falta dela apesar de nunca termos tido a relação natural de mãe e filha. Mas, apesar disso, aos 37 anos, olho para trás e vejo que há coisas que ele me ensinou da pior maneira, mas que me ajudam a ser a pessoa que sou hoje e a ter enfrentado o que enfrentei. Tivesse tido eu outra educação e acho que não teria sido tão forte. À minha mãe, que foi a mãe que pode ser, agradeço fazer-me querer ser uma melhor mãe da minha J. (e também da minha L. - do meu lado espiritual) todos os dias.
O dia de hoje não é só das mães biológicas, é de todas as mulheres que deram o seu coração a um filho.
Feliz Dia da Mãe, que não é só hoje, mas 365 dias por ano, 24 horas por dia.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Lição de Vida para a Vida

Hoje não sou eu que escrevo. É a Mãe Vanessa. A Mãe guerreira da Princesa Leonor que muitos já conhecem. Quem não conhece tem de obrigatoriamente passar na sua página do Facebook - Os Aprendizes da Nono -, ou pesquisá-la um pouco na internet. Não vai ser difícil encontrar informações sobre esta menina e a sua mãe, que de tão especiais que são, nos passam as mensagens mais puras desta vida. 
Há muito que acompanho a luta desta Leonor, por ser uma criança, por também ter o nome da minha pequena guerreira. 
De cada vez que há uma notícia leio a Mãe Vanessa, que a cada palavra que escreve, faz com que muito do que penso e sinto, tenha cada vez mais sentido. O difícil é fazer disto prática diária. Mas tal como a Mãe Vanessa aqui escreve: se elas são capazes, eu também sou. Sempre pensei isso quando olhava para a minha Leonor. Ainda hoje penso: se ela se mostrou tão pequena, mas tão lutadora e tão profunda, quem sou eu para não tentar fazer o mesmo, do alto dos meus 37 anos, face aos 3 meses que ela tinha. 
Cada vez mais acredito que nada acontece por acaso. Que cada situação minúscula nos trás algo. Nem sempre estamos conscientes disso. Nem sempre estamos no degrau certo para ver. 
Hoje foi dia de ver esta foto e ler este texto e a agradecer à Nônô  e à Mãe Vanessa, pela linda mensagem:


"Quando o Pai Jorge me enviou esta foto, eu estava de pé na minha cozinha .

Rapidamente puxei uma cadeira para me sentar ,

O 1º pensamento que me ocorreu foi " Ai, minha rica Filha !!!" ...

De seguida olhei para a foto com "olhos de ver" e o que vi quando olhei para a "minha rica Filha" já foi algo completamente diferente ...!

Pensei para mim, "parece que está na praia, deitada a apanhar sol ...! Olha-me a descontracção dela ...!!! "

Lembrei-me imediatamente das vergonhas que apanho quando faço figuras tristes para fazer umas ridículas análises e de novo me senti tão pouca coisa diante dela ...

Digo muitas vezes para que não sobrem dúvidas que é á Nonô que vou buscar as minhas forças . A Deus e a ela ... Todos os dias ela arranja forma de me passar uma lição .

Hoje , sem sequer que fosse necessário eu estar presente foi mais um desses dias !

De que precisamos ter medo nesta vida ? O que nos assusta realmente ?

NADA ! Na verdade, NADA !

Pouco há que ainda não tenha sido feito . Já tudo foi feito, dito, experimentado, sentido ... O segredo passa por pensar que se já houve quem o tivesse feito, então também nós teremos capacidade para o fazer .

A Leonor vive sob esta premissa . Parece saber com a certeza de quem sabe o que diz que ter CORAGEM é apenas mais uma das muitas decisões difíceis com que temos que nos defrontar .

Ela SABE que só de nós próprios depende essa tomada de decisão e assume esta postura em tudo o que faz : COMO VOU REAGIR A ISTO DEPENDE DE MIM !

Se replicarmos e direccionarmos esta forma de estar e a aplicarmos em tudo o que fizermos nesta vida, o MEDO que também é nosso amigo, vai ser apenas mais um passageiro a bordo que nos vai acompanhar .
A sua missão será estar presente para nos alertar para os momentos de perigo .

Ao saber de tudo isto e daí a ela assumir as rédeas e o controle das situações vai um menos que nada .

A Nonô tem 5 ANOS . Se ela é capaz, eu também sou capaz e qualquer um de vós também será capaz ...

Ela ensina-me tanto ...

Aprender com a minha filha de 5 anos é uma honra de que vou querer usufruir até ao ultimo dos meus dias .

Até lá e em dose altruísta, vou partilhando convosco cada nova lição .

No final, somos todos Aprendizes, verdade ...?

Com coração de amor,

Mãe Vanessa

  




quarta-feira, 16 de abril de 2014

Complexidades da vida... ou não!

Anda a circular um video que ainda não vi, mas só dos comentários percebi que se trata de uma bonita homenagem ao "trabalho" que é ser mãe.
Aquilo que me faz cócegas ao cérebro é que numa altura em que se dá "graxa" às mães, como eu, que a mais ou a menos tempo inteiro, também existe o movimento sobre a dificuldade que é ter um filho, nos dias que correm. No muro de lamentações que existe para justificar a quebra vertiginosa da taxa de natalidade.
Enquanto que algumas mulheres lutam desesperadamente contra o corpo porque querem ser mães, outras dão-se à oportunidade de dizerem que não os querem. Até aqui tudo bem. Chama-se liberdade de escolha. Viva a liberdade!
Aquilo que não percebo é que não se queira ter filhos porque economicamente não se lhes pode dar tudo de melhor. O que é que é isto afinal? ´
Amor? Valores? Carinho?
Que eu saiba nem a Merkel taxou estes três e todos os seus derivados!
Ter um filho é mesmo a baboseira que se lê: a melhor coisa do mundo.
Mas... quando se está predisposto a isso.
Quando sabemos que vamos ter de dar de nós para sempre.
Quando sabemos que o cansaço do trabalho de 365 dias por ano, 24 horas por dia, 7 dias por semana, o coração fora do peito, o nó no estômago e o controlar dos nervos para não lhes passarmos ansiedade quando estão com 39 de febre e não sabemos o que têm, quando sabemos que o podemos perder para sempre...
Que tudo isto e mais um par de botas não é comparável ao amor incondicional.
Acho que viver isto, mesmo por entre gritos de irritação quando eles se portam mal, é do mais rico que a vida tem.
A seguir? Talvez uma relação amorosa vivida em pleno, sem atropelos, sem cobranças, sem condicionalismos que não sejam o amor e o respeito mútuo.
Ser mãe é um "trabalho" para a vida.
Ter filhos pode ser difícil, mas não tanto pelo que se vai gastar com a escola e as roupas, mas pelo filho "que nos pode calhar": autista, com paralisia cerebral, cego... até mesmo que morra a sair de nós, ou na véspera de fazer 4 meses, como foi com a minha Leonor.
Perguntem à mãe de uma criança cega ou com paralisia cerebral que se soubesse, o filho/filha que teria, voltaria atrás no tempo e não teria tido essa criança?
A resposta será claramente de que nada, por muito que a vivência seja dificilmente atroz, mas nada, poderá substituir o que essa criança fez na sua vida.
Ter um filho, tornou-se num capricho de muitos. Na obrigação de outros. No privilégio de poucos. Os poucos que se borrifam se o filho ou filha não tem calçado de marca e veste a roupa que já vem dos primos. O privilégio de ajudar um ser humano a criar asas não com base na Timberland ou na Chanel, mas com base no amor a si mesmo, aos outros... à vida. Sim. Porque viver e dar vida é o melhor mistério desta existência que temos que podemos viver.
Eu também quis ter filhos na altura certa. O destino ensinou-me que não é assim que as coisas funcionam. Fiquei desempregada quando uma filha nasceu e quando estava grávida da outra. Não fossem dois malditos vírus e teria duas filhas felizes, que vestiriam H&M, a roupa dos primos, dos netos e netas das amigas mais velhas.
Para ter um filho não é preciso ter muito dinheiro. Basta querer viver o que o mesmo video anda a mostrar ao mundo inteiro: ter um trabalho para a vida. Diria mesmo que para a eternidade. Acredito que mesmo quando o meu corpo perder o dom da vida, a minha alma, seja de onde for, olhará e velará pelo que de mais puro tive nesta vida: a minha filha.


sexta-feira, 4 de abril de 2014

Tão verdade

Não podia deixar de colocar aqui a crónica de Henrique Raposo, do Expresso.
Temos de mudar de mentalidades.
Já me fizeram sentir na pele que trabalhava menos do que outros e outras porque saia mais cedo. A verdade é que não tomava tantos cafés nem fumava.
O que importa é a qualidade do trabalho. Trabalhar até tarde não deve ser sinónimo de eficiência, bem pelo contrário.
A ver se um dia este país muda... para melhor!

"Não temos filhos porque começamos a trabalhar a meio da manhã

Tenho à minha frente uma entrevista de Helena André de 2010. Nesta conversa com João Vieira Pereira, João Silvestre e Rosa Pedroso Lima, a ministra socialista contou uma história que ficou para sempre na minha pobre e vil cabeça: no primeiro dia, Helena André chegou ao ministério às oito da manhã pronta para começar a trabalhar mas só encontrou as empregadas da limpeza, que, coitadas, abriram a boca de espanto. Com o tempo, muita gente começou a seguir o exemplo da ministra e aquela casa conseguiu, pelo menos em parte, acabar com o pior hábito português: ficar a trabalhar até tarde. Fala-se muito do nosso ritmo de trabalho, supostamente mais lento do que o holandês ou alemão. Mas julgo que a questão não está no ritmo, mas sim no horário de trabalho, que é sem dúvida mais imbecil do que o alemão ou holandês.
Uma amiga, há dias, começou a trabalhar numa empresa alemã aqui em Lisboa. Dando largas às manhas tugas, ela começou a bulir até tarde. O horário de saída é às cinco, mas ela ficava até às seis ou sete, até porque queria impressionar os chefes. No final da primeira semana, o chefe chamou-a e disse: "olha, herr fofa, és despedida se continuas a fazer isto, nós não te queremos se não consegues fazer o teu trabalho até às cinco". Eu senti esta crítica quando estive na Alemanha: tinha de começar a trabalhar às 8. Não podia chegar às 8, já tinha de estar sentado às 8. E repare-se que esta exigência não é apenas um freio produtivo que domestica as pausas, as conversas, as bicas, os cigarros, etc. A exigência foi pensada, acima de tudo, para a vida pós-laboral: se sai às quatro ou cinco da tarde, uma pessoa ainda tem muito tempo para estar com os filhos. Aquele horário de trabalho madrugador serve a família antes de servir a empresa.
E nós? Nós começamos a trabalhar às 9 e tal, 10 horas, almoçamos entre as 13 e as 14.30 e, claro, saímos estupidamente tarde, cansados e sem tempo para crianças. É como se toda a gente estivesse debaixo do horário das redacções. Pior: é como se a sociedade estivesse organizada em redor do horário do solteirão. Ai, mas o trânsito torna difícil chegar a horas! Ai, mas os transportes! Lamento, mas as empregadas da limpeza que a ministra conheceu às 8 da manhã também têm de enfrentar o trânsito ou os transportes. Como é que conseguem? Vão para a cama mais cedo. Mas, verdade seja dita, os principais culpados não são os funcionários mas sim as chefias que não seguem o exemplo de Helena André. O chefe português gosta do solteirão que fica até tarde, eh pá, sim senhor, ganda gajo, ganda entrega. "