sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A minha história...

... a história de tantos.
Quase todos os dias me chegam histórias de pais a viver ou que viveram situações semelhantes à que vivi e vivo com a Leonor. Situações piores até.
Por isso, e digo isto desde o primeiro momento, não sou a única mãe a viver o que vivi de afliação e aperto no coração. Não sou a única mãe a viver a "amputação" que é perder um filho. Quem me dera, ser! Confesso! Custa-me tanto saber do sofrimento alheio. Ninguém merece. Nem a criança, nem quem a rodeia.
Mas a vida às vezes é muito dura e há respostas que só podem vir do que não podemos tocar.
Por isso, acredito em anjos e em fadas.
Por isso acredito que espiritualmente a minha Ninocas estará sempre connosco de uma certa maneira.
Por isso não me permito a viver na escuridão da dor.
Por isso não me permito a não continuar a ser a mãe sorridente e a mulher brincalhona e bem disposta que sempre fui.
Às vezes mais chorona, mas sempre fiel a mim mesma. Pela Leonor. Pela Joana.
Pelos dois seres que gerei dentro de mim e a quem aprendo dia-a-dia, a dar asas.  Cada uma à sua maneira. Sou apenas o ponto de partida, de onde ambas abrem as suas asas, para voarem em direcção ao seu destino. O destino que descobrirei com o tempo. O mesmo que me acalmará e aquecerá o meu coração de mãe.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Porque as memórias não se apagam...

... nem as fotografias! Estava a limpar um telemóvel que usei pouco e encontrei estas fotos do final de Novembro. Cerca de um mês antes da Leonor ficar doente. Tinha 2 meses e 10 dias e a Joana estava a fazer os seus 4 anos.
Desde cedo que sei que a vida é dura, mas pergunto-me se precisa de ser tanto!
Saudades deste sorriso. Saudades destas bochechas.

domingo, 15 de setembro de 2013

Like a Diamond in the sky

Música da "partida" da minha Ninocas: por ela farei tudo para brilhar aqui e ela ver-me de lá. Porque lá sei que brilha "like a diamond".

sábado, 14 de setembro de 2013

As lindas palavras da avó das minhas filhas. Reais e sentidas por todos nós

"O tempo é uma coisa estranha...é elástico...ora é muito longo ora se torna no "ontem", e temos que aprender a gerir a tristeza, a raiva, a saudade, quase diariamente, um exercício contínuo, as tarefas do dia a dia ajudam a ter a mente ocupada, afastada da constante presença mas para empre ausente dos que partiram prematura e inesperadamente. Hoje o tempo é "hoje", foi hoje que há um ano nascia a minha 2ª neta, a nossa Ninô, faria um ano de vida, linda...um maldito virus roubou-a de nós,com apenas 4 meses de vida... 4 meses fantásticos, porquê??? Não somos os únicos, calhou-nos a nós, aprendo como Tempo, e a olhar para a outra neta, que enche a casa de alegria, e atiro a saudade, raiva, a tristeza, para uma gaveta na cabeça, e deixo o tempo fazer o seu trabalho, hoje ele encolheu...hoje é o dia, da nossa estrelinha esteja onde estiver...como disse alguém.."os anjos não envelhecem".....estão sempre lá....e ela está sempre connosco sorrindo..."

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

As palavras certas...

 ... vieram de um anónimo que acompanha o meu blogue, mas expressam tão bem o que sinto e o que penso. Obrigada a este alguém. Partilho convosco palavras sábias:

"Os anjos não fazem anos ! Não envelhecem ! E todos os dias celebramos as suas vidas...
O que faz anos são as saudades. E arde mesmo no peito, mas essa dor fortalece-nos, torna-nos melhores, mais sensíveis e por isso damos mais valor ao que temos, mesmo que sejam anjos no Céu.
De certeza que o vosso anjo vos enche de bênçãos e acompanha-vos sempre"

Nota da vida para a vida

Perder um filho é uma dor sem igual. Um vazio inacábavel. Por isso mesmo, há que viver e fazer com que cada dia seja especial. Sorrir. Fazer da dor da memória o combustivel para alegrar e viver intensamente dia a dia.  Porque isso, mais do que chorar ou ficar triste, é a melhor maneira de homenagear e lembrar quem partiu.
Por ti, Leonor, o meu sorriso, mesmo quando a saudade aperta. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Inspiração...

... na semana que é, de certeza, uma das mais difíceis da minha vida. 
"A nossa maior glória não reside no facto de nunca cairmos, mas sim em levantarmos-nos sempre depois de cada queda."

Mesmo cheia de nódoas negras Obrigada Confúcio
 

sábado, 7 de setembro de 2013

Desejo de ontem, de hoje e para o futuro

Acabei de ver no Masterchef Austrália um filho falar sobre o modo como a mãe tem reagido à doença da irmã, à morte do pai e a "todas as coisas más que acontecem na nossa família: Ela tem sempre um sorriso".
Emocionei-me. É isto que desejo passar à Joana. É isto que desejo que a Joana diga de mim. Que mesmo frente à pior coisa nunca deixei de sorrir. E que ela faça o mesmo na sua vida. Porque o sorriso é a maior arma que temos.  

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Em aprendizagem

Sei-o desde o primeiro minuto em que peguei na Leonor já sem vida. Vivo o dia-a-dia em busca da resposta. Vivo o dia-a-dia em busca da serenidade necessária para saber esperar pela hora certa de ter a minha resposta. A resposta que virá só quando eu evoluir o suficiente para a compreender. Aguardo ansiosamente - e luto contra essa ansiedade - por esse dia. Até lá, vivo com o que aprendi:
- que se pode viver com uma grande tristeza
- que se pode viver triste e sorrir muito. sorrir de verdade.
- que se pode ganhar uma grande tristeza mas valorizar ainda mais todas as alegrias 
- que o que parece não ter valor  pode ser o mais valioso das nossas vidas
Abaixo o texto que li e que me fez escrever isto :)
 Na Índia, são ensinadas “quatro leis da espiritualidade”:

A primeira diz: "A pessoa que vem é a pessoa certa". Ninguém entra em nossas vidas por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor, interagindo connosco, têm algo para nos fazer aprender e evoluir em cada situação.

A segunda lei diz: "Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido". Nada, nada absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum "se eu tivesse feito tal coisa..." Ou "aconteceu que um outro ...". Não. O que aconteceu foi tudo o que deveria ter acontecido, e foi para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem nas nossas vidas são perfeitas.

A terceira diz: "Toda vez que iniciares algo é o momento certo". Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo nas nossas vidas, é que as coisas acontecem.

E a quarta e última afirma: "Quando algo termina, termina". Simplesmente assim. Se algo acabou nas nossas vidas é para a nossa evolução. Por isso, é melhor sair, ir em frente e enriquecer-se com a experiência.

Não é por acaso que estamos a ler este texto agora. Se ele veio à nossa vida hoje, é porque estamos preparados para entender que nenhum floco de neve cai no lugar errado!

“Saber não é tudo. É necessário fazer. E para bem fazer, homem algum dispensará a calma e a serenidade, imprescindíveis ao êxito, nem desdenhará a cooperação, que é a companheira directa do amor”

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Parece tontice...

... e é! Mas também é amor de mãe.
A minha menininha voltou hoje ao ritmo da escola. Acordou entusiasmada ainda antes do despertador, mas ao chegar à escola ficou mimosa como é. Abracinho. Beicinho. Mais uma abracinho e lá ficou depois de lhe dizer que tinha de contar todas as aventuras destes dois meses de férias em casa comigo e com a família.
A verdade é que já vai no 3º ano nesta escola, mas o meu coração está apertadinho, cheio de saudades.
Estas férias (as maiores de sempre) mostraram-me uma filhota crescida, que só faz de bebé quando faz birra e que está super independente, mas super doce. Vivemos e ultrapassámos dia-a-dia as saudades do pai e da mana e descobrimos brincadeiras novas. Não houve manhã que não começasse com o monstro das cócegas. Entenda-se Joana a fazer cócegas à mãe.
No dia de hoje, mais uma vez, aprendo que ser mãe é mesmo isto: trazê-los ao mundo, amá-los sem fim e dar-lhes asas para voarem sozinhos (com a certeza de que nos têm e terão sempre no ninho à sua espera).