quarta-feira, 15 de maio de 2013

Família

Desde que me lembro de ser gente que sempre vibrei com a família. Talvez por isso, em alguns momentos, tenha querido resolver na minha o que não dependia de mim resolver. Cresci numa família complicada.
O primeiro grande golpe da minha vida foi quando perdi o meu avô aos 16 anos, de repente. Era o meu carequinha. Aquele que me ensinou o Hino de Portugal. Aquele com quem eu gostava de passar férias e fins de semana. Aquele que me levava a passear de mão dada babado e orgulhoso da sua neta. Tudo o resto era estranho. Os momentos bons acabavam mal.
Havia familiares que só mais tarde, já adulta, pude conhecer melhor. Tenho a sorte de ainda poder ter a minha tia paterna, mas o mesmo não aconteceu ao meu tio materno. Depois de o reencontrar, rapidamente adoeceu e morreu. Penso muitas vezes nele e no quanto gostaria de o ter "aproveitado" mais. Não dependeu de mim. Quando cresci assumi a minha noção de família e lutei por ela. Por isso, ganhei três tios, já bem crescida.
À medida que o tempo passou desenhou-se ainda melhor na minha cabeça o que eu queria como família. O que eu queria construir. Tive a sorte de encontrar o amor da minha vida e juntos tivemos a mesma vontade: construir a nossa familia.
Há 11 anos que todos os dias trabalhamos nisso. Trabalhamos?! Sim! Construir uma família implica trabalho, dedicação, amor, amizade, respeito. Não basta partilhar o mesmmo gene. É preciso amar, aceitar, entender, ceder.
Juntos, umas vezes mais às turras de que outras, temos vindo a construir isto. Mesmo agora que a nossa familia fisica perdeu a Leonor e a ganhou como estrela. Mesmo com o destino a pregar-nos rasteiras. O nosso amor será sempre a base da nossa família.
Ao longo deste últimos 11 anos da minha vida, também conheci outra família. A do Miguel que se tornou também minha. Uma família onde não é fácil entrar pois são unidos, coesos e muito protectores. Desde o primeiro minuto que sempre me trataram bem e agora, ao fim de tosdos estes anos, já fui mais do que adoptada. Sinto as asas todas a tomarem conta de mim. A minha sogrinha e o meu sogro tratam-me como filha. É tão bom! Ganhei muitos primos. Amigos do coração que sei que são para vida.
Nesta caminhada a que chamo vida e onde acho que a família tem um papel deveras importante, também "recuperei" os meus primos de sangue. Apesar de termos sido criados bem afastados, temos a vontade de estar juntos e de mudar a história da família. Há algum tempo estivemos todos juntos pela primeira vez e foi tão bom. Fomos amigos a uma mesa. Falámos, rimos, partilhámos. Isto é família.
Uma das coisas boas disto tudo é a Joana sentir que além da mãe e do pai, têm imensa gente ao seu redor. Salta de jantar em jantar. Fala-se da tia, do tio, do primos por parte do pai, dos primos por parte da mãe. O universo família para a Joana é vasto e eu gosto tanto disso. Sinto-me realizada nisto que queria para a vida.
Hoje na escola a peste doce desenhou o núcleo duro da sua família como podem ver em baixo. Aqueles que ela considera ser os seus pilares. Que bom que é!
Desde pequenina que lhe ensinamos a dar um abraço de família e mesmo sem o pai cá, já o faz comigo e com os avós.
À Joana também consegui passar que além da nossa família de sangue temos a família do coração. Amigos que entram nas nossas vidas e nelas não se tornam meros passageiros. Amigos que mesmo distantes no dia-a-dia, estão lá quando precisamos da sua amizade.
Sei que a Joana vai voar cedo de casa. É um Ser cheio de vida, curioso, independente e que cedo quererá fazer o seu caminho. Como mãe, morderei os lábios e solatrei a sua mão... sempre com a certeza de que voe ela para onde voar o seu ninho será a sua família. O lugar onde irá sempre que precisar. O lugar onde quererá sempre voltar.
Feliz dia da família

terça-feira, 14 de maio de 2013

M de Mulher e de Mãe

Porque pelos filhos uma Mãe faz tudo. E quando se pode cortar algumas ervas daninhas, que sabemos que podem surgir pelo caminho, ainda mais. Aqui fica a notícia e o exemplo de uma grande actriz que antes de mais é uma grande Mãe e uma grande Mulher.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Revolta

Eu não queria que o título fosse este, mas é a luta interna que tenho travado de há uns dias para cá.
Faz hoje 4 meses que a Leonor se tornou uma estrela. O dia-a-dia corre mais facilmente, mas o vazio, esse, permanece como permanecerá sempre.
O pior já me/nos aconteceu, mas a notícia de há uns dias veio partir-me a cabeça e o coração. Dizia que depois do que vivi com a Leonor não estava preparada para ter mais filhos, mas quem me conhece bem e eu, no meu intimo, sabíamos que depois de ultrapassar o "trauma" me lancaria em mais uma aventura da maternidade. Porque sempre quis ter filhos.Porque sonhámos ter uma familia de quatro ou cinco e agora a três sentimos um vazio. Porque, por entre as saudades que tem da Leonor, a Joana já pede um mano ou mana. Diz que quando formos para Inglaterra vamos ter um bebé. Acontece que o Nostradamus não sabe do diagnóstico cardiaco que tive há dois meses nem da notícia que recebi há dias. Mesmo que recupere a lesão que tenho não posso mais engravidar. É um risco de vida para mim.
Questiono o porquê de tudo isto e não encontro resposta! Fiquei sem a Leonor e nem posso voltar a ser mãe.
É verdade que há outras maneiras de ter filhos. É verdade que há quem nem um consiga ter. Eu entendo. Eu penso nisso tudo... Mas lamento...a tristeza que sinto por estes últimos meses de vida é grande.
Não é fácil atirar isto tudo para trás das costas e seguir em frente de sorriso rasgado. Eu tento. Mas é muito dificil. Ajudam-me a sorrir a minha família de coração, o meu lindo marido e a minha maravilhosa Joana.
Estou sem dúvida a viver um dos piores periodos da minha vida. Perda atrás de perda.
Mas uma vez mais estou de punhos erguidos frente a frente com a vida. Ela ganhou esta batalha, mas a guerra sou eu quem vai vencer.
Com a minha Leonor sempre no coração e com o amor do meu marido, da minha filha e da nossa familia, vamos conseguir concretizar os nossos sonhos. Farei de cada dia o mais feliz possivel.
Pensei se escrevia isto ou não, mas é nas palavras que consigo desabafar mais facilmente o que me vai na alma. 
Um beijo daqui para o céu para ti minha Leonor
Um amo-te daqui para Inglaterra para ti amor da minha vida
Um obrigada e um abraço apertado à minha família que tanto me tem acarinhado

domingo, 5 de maio de 2013

Dia da Mãe

Hoje e todos os dias. Hoje mais porque paramos e dedicamo-nos mais. As crianças vivem-nos mais.
Este dia da mãe foi dificil. Mas podia ser pior. A Joana iluminou-me desde que abriu os olhos e logo perguntou se hoje já era dia da mãe. Há três dias que perguntava. Correu a dar o presente à vóvóta e depois vieram os meus. O da escola de encher o coração de ternura e os mimos comprados com ajuda da vóvota. Mais ternura. Sorrimos e ficámos felizes.
Mas esta felicidade é estranha. Incompleta.
Hoje o dia não mudou o que sinto. Sou uma mãe incompleta. Já não vou saber as maravilhas de ser mãe duas vezes. Falta a minha pirralhinha. Falta uma parte de mim. Não me consigo sentir uma mãe completa. Talvez com o tempo amenize.
Fui mimada pela Joana que prometeu não fazer birras durante o dia e quase que cumpriu com a promessa.
Amo ser mãe, até quando estou a arrancar cabelos. Amo ser mãe da Joana e amava ser mãe da Leonor. Penso sempre como posso ser melhor mãe da Joana e se poderia ter sido melhor mãe da Leonor.
Ser mãe é ser tudo.
Ser mãe é dar de mão beijada o nosso coração que seguirá sempre com os nossos filhos.

Ser mãe é amar sem cobrar.
Ser mãe é estar sempre lá.
Ser mãe é arranjar paciência onde ela não existe.
Ser mãe é amarmos mais os nossos filhos e a nós. Porque senão nos sabemos amar como vamos amar o que de mais nosso temos?
Sempre quis ser mãe e depois de o ser pela primeira vez ainda quis mais sê-lo. Quis o destino que o fosse apenas por quase 4 meses.
Voltei a ser só mãe da Joana. Uma bebé que agora já é menina. Uma mistura fantástica da mãe e do pai. Uma peste doce como lhe chamo desde sempre e que hoje me fez sentir que é feliz por eu ser sua mãe. 
Obrigada Joana e Leonor por terem feito de mim vossa mãe.