terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Sobre a coragem

A mensagem abaixo chegou-me através de uma amiga de alma. Não precisamos assim tanto de nos tocarmos e convivermos para sentir e saber que há almas que tocam as nossas. É o caso desta amiga. 

Desde que a Ninocas partiu e que a minha mãe teve o AVC na semana seguinte, que os dias têm sido de luta. De travar batalhas. Contra a dor. Contra aqueles que nos querem deitar abaixo. Contra a injustiça. 

Se há coisa que as minhas filhas vieram fazer foi ensinar-me a valorizar-me e a não ter medo. A viver cada vez mais com o coração, independentemente dos dedos apontados, das frases acusadoras e/ou dos olhares de soslaio. 
Houve tempos em que me sentia insegura. Há uma mês quando "perdi" a minha pirralhinha chegaram-me frases de apoio de pessoas que comigo conviviam na altura e que me surpreenderam. Referiam a minha coragem. A minha garra. A minha obstinação.

A verdade é que hoje sou o que sou devido à minha obstinação em ouvir a minha voz interior. Deixei de permitir que me inferiorizassem e lutei para ter tudo o que tenho hoje. Realização no amor. Realização no que faço. 

Se foi preciso coragem? Pelo texto abaixo "parece" que sim. Aquilo que sinto é que sempre me obriguei a lutar contra o medo e fazer tudo com o coração. Mesmo que depois ele me doa. Como me dói no dia de hoje. 


"A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada." Osho

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

20 anos...

... da TVI, aos quais não consigo passar indiferente.
Porquê?
Porque a TVI nasceu quando eu terminava o liceu e queria ser jornalista. Porque foi na TVI que eu estagiei depois do meu curso de jornalismo. Porque foi para a TVI que trabalhei nos últimos 9 anos a escrever histórias e a inventar personagens.
Porque foi na TVI que conheci a amiga que me levou ao amor da minha vida. Ao pai das minhas filhas. Ao homem, só com quem poderia estar a viver esta perda.
Ao ver o que no Mundo aconteceu e mudou em 20 anos, percebi o quanto vivi e o quanto cresci. Na correria do dia-a-dia, esquecemo-nos de tantas e outras coisas, que acabam por ficar gravadas na História do país e das gentes.
Ao ver o que o Mundo e Portugal viveram nestes 20 anos, ganhei consciência dos meus cabelos brancos, que já teimam em aparecer e, de que deixei de ser aquela menina com o sonho de mudar o Mundo através da escrita.
Conheci a redacção da TVI e conheço bem de perto a ficção. Tenho amigos e conhecidos de ambos os lados. E posso afirmar, sem dúvida, que a TVI é uma casa feita, com muito boa vontade, com amor ao que se faz, por quem consegue fazer omoletes sem ovos. Os mesmos, que no dia em que a crise financeira deixar de ser desculpa e/ou causa (consoante a situação) tenham o devido reconhecimento.
Este post é para aqueles (que eu e eles sabemos) estão verdadeiramente de parabéns.
O meu desejo para os próximos 20 anos na televisão em Portugal? Que aprendamos a fazer mais e melhor televisão. Com mais imaginação, ousadia, risco. Deixando de multiplicar os formatos em mais vezes, dos que as porções do pão de Jesus aos apóstolos na última ceia. Que a falta de dinheiro deixe de ser desculpa. Que mais do que nunca as coisas sejam feitas de mente e alma aberta. Que se ouse rasgar mais do que uma mira televisiva. Que se ouse fazer história, sem nos contentarmos com pouco.

Grande lição...

... dada por quem tem apenas 4 anos.
Estamos a tirar roupa da máquina de secar e de repente a Joana grita, apontando para a rua:
- Mãe, olha a Leonor. É a Leonor!
Voltei-me e a minha peste doce apontava para a estrelinha que aparece neste angulo da casa, sempre muito reluzente.
- A Leonor está ali, mãe.
Respondi-lhe que sim, enquanto troquei um olhar com a minha sogra que estava sem saber como reagir no sofá da sala.
- Mãe, a Leonor está a piscar!
- Está sim, filha. Está a dizer-nos olá - disse.
- Olá Leonor - gritou a Joana.
- Olá Leonor - disse eu, com o coração num misto de saudade e ternura. Saudade da pirralhinha, ternura sem limites pela minha peste doce, tão doce... cada vez mais doce.
A Joana voltou à sua vida e ao seu dizer 1850 palavras por segundo. Naquele instante a nossa vida voltou à "normalidade", mas a lição ficou ali. Depende de nós o que trazemos no coração. Basta querer, para fazer mudanças. Não é fácil, mas consegue-se. Porque um coração quente é sempre melhor que um coração empedrenido. E isso eu jamais darei às minhas filhas.
Começa a fazer parte da nossa rotina (minha aqui e do pai em Londres) olharmos para o céu e sorrirmos para a Leonor. E tenho a certeza de que se chegar aos 80, continuaremos a fazer o mesmo, tal como, a nossa Joana sempre olhará para o céu quando quiser "falar" com a mana que tantos nos anunciou e desejou.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Coração de mãe...

Dividido entre a terra e o céu.
Esta música é para as minhas duas filhas.
A que tenho o privilégio de poder abraçar, beijar e sentir junto ao meu corpo... e a que só com o espírito tento tocar. A minha Ninocas de quem tenho tantas saudades.
As minhas lindas filhas. Uma loira. Outra ruiva.
As partes de mim, que de mim sairam. As partes de mim que tomam o seu rumo. Cada uma à sua maneira.
Coração quente, mas com um buraquinho que nunca nada preencherá.
Já beijei a Joana ao deitar ea ti, Leonor, minha Ninocas... o meu beijo de mãe para o céu, para o algures onde sei que estás. O algures que acredito, mas o algures que não me chega para matar as saudades que tenho do teu olhar e do teu sorriso.
Sei que não podes voltar. Sei que seria egoismo pedir isso.
Prometo aprender a lidar melhor com esta saudade que sinto.
Por enquanto, fecho os olhos com o teu sorriso na minha mente e peço para que essa memória me aqueça a parte do coração que gelou no dia 13 de Janeiro.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Há um mês...

... por esta hora, preparava-me para deixar a Leonor e vir a casa durante umas horas. Em três semanas de hospital era a primeira vez que não poderia passar a noite com ela nos Cuidados Intensivos. Os batimentos estavam acelerados, mas já estava sem medicação há umas horas, mas começava a aceitar já soro e algum leite e o mau estar parecia ter diminuido. Fiz-lhe festinhas. Adormecia-a e acalmei-a. Não queria sair dali sem a certeza de que estava mais serena. Pedi para deixar uma peça de roupa com o meu cheiro e assim fiz. Tirei o top que tinha junto ao corpo e coloquei-lho junto à cara como se fosse a fralda. Fiz-lhe festinhas e dei-lhe beijinhos. Saí eram 23h45 para que a médica pudesse colocar-lhe a sonda e recomeçarem a medicação. À porta do hospital já me esperavam a minha querida Vânia e o meu querido Pedro para me trazerem a casa.
Com parte de mim na unidade dos cuidados intensivos saí ao telefone com o meu marido, explicando que tudo parecia melhor e que poderia ligar durante a noite as vezes que quisesse (foi o que me disseram).
Vim para casa com os meus queridos amigos do coração. Atordoada. Cansada. Nervosa.
Cheguei a casa e falei com o meu marido e cunhados via skype.
A minha querida sogra disse que me ia preparar comida. Pedi só um chá e uma torrada. Sentia-me num túnel sem fim.
Às perguntas que me faziam eu respondia apenas que ela nao estava tão mal como em Dezembro, mas que o meu receio era que acontecesse o que sempre nos disseram no hospital de Santa Maria: o coração pode cansar-se e dizer que não quer mais.
Mal sabia eu que já era isto que estava a acontecer.
Fiz mais um curto telefonema e ouvi o meu telemovel a vibrar. O coração apertou-se. Senti. Corri a atende-lo. Era a enfermeira a dizer para eu ir que os médicos estavam de volta dela. Encostei-me à parede. A minha pirralha Joana dormia ali mesmo ao lado no sofá da sala. A minha sogra chamou o meu tio para me levar. Ainda pensei em conduzir, mas realizei que não ia conseguir. Liguei à minha prima e pedi-lhe para ir.  Liguei ao meu marido. de saída, a minha sogra abraçou-me dizendo que tudo ia correr bem.
- Se for o destino só temos de conseguir aceitar - soltei.
Desci e liguei à minha mana do coração que me perguntou se eu queria que ela fosse ter comigo. Respondi-lhe que sim. Sentia que o pior ia acontecer. Ela disse-me que não. Eu disse que era isso que sentia. Liguei ao meu irmão e comecei a subir a rua a pé, por não conseguir estar parada até o meu tio surgir.
Entrei no carro do meu tio que me levou ao hospital.
Pelo caminho só pedia à minha filhota que não partisse, mas o meu coração de mãe dizia-me o contrário.
Cheguei ao hospital e corri. Pedi para me abrirem caminho sem ver a minha prima do coração que já lá estava. Corri directa aos cuidados intensivos onde me bloquearam a entrada pedi para deixarem a Leonor partir nos meus braços.
Voltei atrás. Já lá estavam mais tios e o senhor da recepção abriu-nos uma sala. Os minutos passavam e a certeza apoderava-se de mim.
Chegou a minha mana do coração. Chorei e com um murro que lhe dei no peito disse-lhe que odiava os meus feelings.
Fomos para a sala e esperámos. Ainda nos rimos. Temos esta capacidade maravilhosa de tentar desanuviar com parvoices e não arrancar cabelos nem entrar em histerimos.
Surgiu a médica que me disse que estavam lá todos os médicos a tentar salvar a Leonor e um outro menino.
Refiz o pedido e ela lá foi decidida a não deixar partir a minha bebé.
Tomei um calmante e comi um kinder (tecnica que usei nos hospitais contra as quebras de açúcar ensinada pela minha querida prima Rita).
Ficámos ali à espera.
Vi os minutos a passar e o meu coração continuava a dizer o que a minha cabeça não queria assumir.
Perto das 3h da manhã do dia 13 de Janeiro, a médica voltou. Pediu-me desculpa por não me terem conseguido chamar e aconchegando-me no seu braço disse-me que não tinham conseguido.
Voltei-me um pouco para trás e acenei que não aos que ali estavam comigo. Sei que não perceberam. Na verdade, ninguém queria esta notícia.
A médica explicou-me tudo o que fizeram e que não conseguiram.
E levaram-me a ver o meu anjo. Peguei-lhe ao colo, sentei-me e beijei-lhe a testa. Dormia.
As lágrimas percorreram-me o rosto. Sei que nada acontece por acaso. Pensei no meu querido marido ao longe sem saber ainda. Sem poder estar ali porque é de uma grandez atroz  por ter ido lutar pelo futuro da nossa família. Pensei em como ia explicar à Joana que a irmã era uma estrelinha e não voltava. Preocupação minha, pois a Joana é muito mais evoluida do que eu e tem sido a minha grande bengala nesta caminhada dura, que teima, mas não pode ser coxa.
Falei com a minha pirralhinha. A minha Leonor. Encostei-a ao meu peito que ainda tinha leite e pedi-lhe que me ajudasse a perceber o porquê e a dar significado a isto.
Perguntaram quem queria chamar. Disse a minha prima e a minha melhor amiga. Entraram com o coração grande que têm e choraram comigo. Celebrámos por palavras o ser fantástico que ela foi em tão pouco tempo e eu disse que as minhas filhas não podiam ter melhores madrinhas.
Rita e Vânia, não tinha dúvidas de que vocês são seres fenomenais. Depois disto, não tenho palavras. Apenas o meu eterno amor e o meu eterno obrigada por me ajudarem a viver o momento mais dificil da minha vida. Por estarem ao meu lado quando dei a notícia ao meu querido marido. Por me ajudarem em tudo o que foi preciso.Há pessoas que entram nas nossas vidas porque temos muito para aprender com elas e eu tenho aprendido muito com as duas.
Um mês depois do destino se cumprir, continuo a falar com a minha pirralhinha (o meu pai morreu há 18 anos e às vezes ainda falo com ele). Digo-lhe que tenho saudades, mas que vou sorrir e não vou chorar e peço-lhe o mesmo que pedi na última vez que a senti junto ao meu corpo: a serenidade para perceber o porquê de ter sido escolhida para viver isto e a capacidade de dar significado à sua morte.
Aquece-me o coração recordar o seu olhar dengoso e maroto e o seu sorriso capaz de iluminar este e todos os outros mundos.
Ontem, Hoje e Sempre Obrigada Leonor
(este nao é um queixume, é apenas um desabafar da minha alma de mãe)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Carnaval...

Diz que são três dias e era bom que sempre que a nossa vida se transforma num Carnaval, entenda-se confusão, fosse mesmo só por três dias.
Neste Carnaval o que mais queria era mascarar o passado recente e o presente. Dar-lhe um nariz de palhaço, uma pistola de cowboy ou os dentes de vampiro. Mas a verdade é que não é possível. As gargalhadas esforço-me para que sejam sempre uma constante. Faço questão de continuar a dizer disparates. Dar tiros para o ar também era uma boa, mas não pode ser. E morder, não pescoços, mas sim os lábios para não chorar. Durante a virose da Joana tive de ir ao médico com ela e um menino de colo fez-me lembrar a minha Leonor. O seu olhar espevitado fez lembrar o da minha pirralha. Não consegui conter o pensamento de imaginar como é que ela seria à data. Esta semana faria 5 meses. Já estaria a sopas e fruta, a começar com a papa e ainda mais espevitada. Recolhi o pensamento. Mordi os lábios para que a Joana não se apercebesse das minhas lágrimas e pensei que nunca verei a Leonor a crescer. Só posso recordar o seu sorriso. Aquele que para mim é eterno. O mesmo que acredito ir encontrar quando chegar a minha hora de deixar este mundo físico. O mesmo sorriso a que me agarro quando ando a resolver assuntos dolorosos ( a minha mãe teve um avc uma semana depois da leonor morreu por não se cuidar). Puxo para mim todos os dias o amor grande que sentiamos e sentimos uma pela outra. Viajo pelo último ano que nos uniu. Há um ano vomitava todos os dias da gravidez e estava com uma infecção respiratória e uma otite. Ai! O que eu dava para ter todo aquele mal estar de novo com a certeza de que teria a minha pirralhinha aqui, agora, ao meu lado.
Mas este é o Carnaval da minha vida. O de me habituar a viver sem um bebé que esteve mais tempo dentro de mim do que nos meus braços.
O que me faz sorrir e ter força?
O teu sorriso, Leonor. O brilho dos teus olhos, Leonor. A tua irmã em toda a sua essência, Leonor.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Faz hoje 4 semanas...

Que parte de mim partiu.
Que vivi o impensável. O indesejável. O que me faz ainda reviver o que aconteceu há quase um mês.
É das coisas mais dificeis que estou a viver. Esquecer a respiração ofegante, os valores elevados no ecrã das máquinas, a cara da médica, da enfermeira, dos meus familiares que estiveram comigo aquelas duas horas terriveis no Hospital Santa Cruz. Entre o chegar e o ser chamada pela médica que me pediu desculpa por não me poderem chamar antes e satisfazer o meu  pedido da Leonor partir nos meus braços. Tudo fizeram mas nada funcionou. A Leonor não quis. E, por muito que doa, foi melhor assim depois do que aconteceu há 4 semanas. A nossa pirralhinha seria uma criança presa num corpo doentissimo e sabe-se lá com que lesões.
Consegui tê-la nos meus braços. Parecia que dormia. Mas eu sabia que não. Estava ali o rosto sereno com que partiu e que sempre teve desde que nasceu. O rosto que nunca vou esquecer. Quis um último sorriso. Um último olhar. Mas já não podia.
Naquele momento já só as nossas almas se podiam tocar. Como todos os dias peço que se toquem.
Sei que esteve ali enquanto esteve ao meu colo. Enquanto lhe prometi dar sentido ao que aconteceu. Enquanto lhe pedia ajuda para entender e seguir em frente. Enquanto chorei com as madrinhas das minhas filhas, esta partida. Este momento que o meu querido marido, o amor da minha vida, viveu ao longe por telefone. A minha angústia era grande. A dele não consigo qualificar.
Senti que tinha de deixar ir a Leonor e coloquei-a de novo na cama. Disse adeus ao seu corpo que cresceu dentro do meu, com a certeza de que as nossas almas se podem tocar e reencontrar de novo.
Agradeci aos médicos. A frustração e impotência estampada no rosto deles nunca me sairá da memória, nem o seu profissionalismo e humanidade, me sairão do coração.
Sinto que teve de ser assim. Mas há momentos em que só isso não me chega. Preciso do meu bebé. Mas de imediato penso, que o meu bebé teve de ir. Foi o melhor para ele. Não posso ser egoísta. Tenho de aceitar que o que aconteceu foi o melhor para a Leonor. Que teve de ser e que a resposta virá com o tempo.
O tempo que continuo a desejar que voe. O mesmo tempo que aproveito agora ainda mais com a minha filha furacão. Que encho de mimos que recebo de volta, sempre com um sorriso malandro e um olhar ternurento. A minha peste doce como lhe chamo. A minha pirralha. A minha pirralhinha, a minha segunda filha, vive e viverá para sempre no meu coração. Serei sempre mãe de duas filhas lindas. Da mais nova, tenho de matar os pensamentos de como se tornaria, do que faria na vida, de como seria. Guardo o seu ar espetivado que desde sempre teve, o seu olhar doce e o seu sorriso que marcou tudo e todos.
Obrigada meu amor pela luz que me trouxeste.
Obrigada minha peste doce por me aqueceres o coração.

Explicações que nos fazem viajar no tempo

Tinha de explicar à J. o que é que se estava a passar no seu corpo. O que é a virose, a febre, etc e tal, porque as perguntas eram mais que muitas. Para a Joana a Leonor teve um dodoi muito grande e teve de se transformar numa estrelinha para não chorar mais. Por isso, a palavra dodói tem de ter muitos graus quantitativos cá em casa. Pelo menos, por enquanto... Para lhe explicar melhor lembrei-me da série de quando era miúda e mostrei-lha. Achou o máximo aos bichos maus e aos bons que dentro do corpo dela lutam para que fique melhor. A reação dela foi deliciosa e ver isto fez-me recuar no tempo. Que bom!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sem lágrimas

Não se pode chorar quando o que se sente não é dor. É vazio. Um vazio enorme. Sem fim. Sem dimensão. Um vazio que veio para ficar. Um vazio ao qual tenho de me habituar. E o hábito, esse, só vem com o tempo. Só me resta deixá-lo passar.

Saudades tuas, pirralhinha

Por ti, por mim, por nós, por todos... Ontem, hoje e sempre brilharemos unidas pelo que é impossível separar ♥

(..) You’re a shooting star I see
A vision of ecstasy
When you hold me, I’m alive
We’re like diamonds in the sky

I knew that we’d become one right away
Oh, right away
At first sight I left the energy of sun rays
I saw the life inside your eyes

(...) Shine bright like a diamond
Shine bright like a diamond
Shining bright like a diamond
We’re beautiful like diamonds in the sky


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Coisas de mãe pequena

J.: - Mãe, eu gostava de ter o meu bebé.
Eu: E vais ter. Um dia. Quando fores crescida como a mãe.
J.: - Eu gostava, mas eu não quero.
Eu: Porquê?!
J.: - Porque não quero cortar a minha barriga.
Sorri e disse-lhe que quando ela for grande não vai doer assim tanto e expliquei-lhe que senão tivessem cortado a minha barriga não a teria (por enquanto é melhor não lhe falar do parto normal).
A J. sorriu e abraçou-me. Eu disse que a amava. Ela abralou-me ainda mais.
Estes momentos não são de ouro. São de diamante.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O aquecedor do meu coração...

Fui buscar o nosso pequeno furacão à escola e qual não é o meu espanto, quando lhe estou a colocar o cinto de segurança, e ela de livro da Sininho nas mãos a impedir, diz-me:
- Mãe, cuidado. Este é o meu Ipad.
- Ipad?!
- Sim. Igual ao da prima Rita.
Até aqui tudo bem. Iniciamos a viagem para casa e oiço:
- Ai, não consigo.
- O que é que não consegues?
- Pôr a Gabriela - respondeu chateada.
- O quê?!
- Já está. Vou ver a Gabriela no meu Ipad - finalizou confiante.


Mundo ao contrário...

Ainda hoje tive a prova de que vivemos num Mundo de ressabiados e frustrados. Num Mundo em que muita gente está sempre à coca para apontar o dedo aos outros sem saber a realidade, para dar um bitaite só para se sentir melhor consigo mesmo.
Uma sociedade onde cada vez se olha mais para o umbigo. Uma sociedade onde se critica a Pepa porque ela quer uma mala de 3 mil euros, e não pelo facto da criatura não ter um discurso fluido e com conteúdo e ser imagem de uma marca.
Numa altura em que este país precisa tanto que as pessoas se unam, se entre ajudem com sinceridade e sem atropelos... há muito boa gente (e nisso sou uma privilegiada), mas sinceramente existem muitas bestas.
Muitas que se têm cruzado nos meus dias desde que a Leonor morreu. A minha dor não é maior do que a de outra mãe. Não é sequer comparável à tão, infelizmente, conhecida mãe do Rui Pedro. Mas ouvir certas conversas faz-me pulsar o coração e dá-me voltas ao estômago.
Diz o ditado popular que "de médico e de louco todos temos um pouco" e  parece estar enraizado que assim deve ser.
Passei quase um mês da minha vida nos hospitais e vi como médicos e enfermeiras lutam pela vida de seres humanos (não eram só bebés). Lutam muitas vezes com poucas condições e (também eles) sofrem violentos cortes salariais. Para não falar do modo como são tratados por quem a eles recorre sem qualquer educação ou agradecimento/reconhecimento pelo seu trabalho. Eles salvam vidas, não atendem telefones.
Depois de tudo o que vivi acho um ultraje pagar mal a quem passa horas, às vezes dias a tratar quem precisa. A quem a qualquer hora do dia deixa a sua família para correr para um hospital e ajudar um familiar de outrem que precisa. Isto aconteceu-me. Na madrugada de 24 de Dezembro, ouve um anjo que não estava a trablahar e foi de urgência ao Hospital de Santa Maria ver a minha filha. A UCIPed estava cheia de meninos e a correria de médicos e enfermeiros para salvar e cuidar aquelas crianças, não tem descrição. É o trabalho deles, é verdade. Mas não é só porque estudaram para isso. É porque nasceram para isso, Porque vivem para isso. E nós só temos de lhes agradecer.
Se ouvi queixumes? Ouvi! Da frustração. A frustração de não conseguir salvar vidas.
Mas enquanto não precisamos dos médicos do corpo tentemos ser médicos da nossa alma e salvemos a nossa vida. A nossa sociedade precisa disso e o Mundo também. De outro modo, o que nos espera é o fim do poço.
Hoje não era para escrever, mas depois de ler o post do meu sogro sobre a árdua vida que tem, as palavras tomaram conta dos meus dedos.

http://jimmythesailor.blogspot.pt/2013/01/vida-de-marinheiro.html

Não sou dona da verdade, nem o pretendo ser. Apenas me permito dar voz ao que sinto.
Obrigada a todos os que me têm lido e ajudado a viver um dia de cada vez, tal como, a minha Ninocas me ensinou.