segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

2014

2013 acaba amanhã. Apetece-me dizer até que enfim, mas não sei o que me reserva o futuro, por isso, prefiro ficar-me pelo optimismo e pelas boas expectativas.
Há um ano o que mais desejava era a cura da minha Ninocas. No dia 1 de Janeiro quando cheguei junto dela deu-me o maior sorriso da sua vida. O maior sorriso que guardo eternamente no coração. Esse sorriso encheu-me de esperança, e no final, acho que de força para suportar a sua partida.
O ano foi de inúmeras perdas. Vi a minha mãe sofrer o que escolheu, mas que ninguém merece. A vida da minha avó de sangue e da minha avó afectiva também chegaram ao fim. Já na casa dos 90 ambas deixaram-me a sua história. Este ano também me levou o meu segundo avô. Um homem que tive o privilégio de conhecer e ter como avô através do casamento. Um homem que sempre me marcou e ainda mais, no dia 14 de Janeiro, quando fez questão de se despedir da sua bisneta, a minha Ninocas.
Não quero falar do meu problema do coração, pois quero acreditar que 2014 me traga a cura.
2013 teve muitas coisas más, mas também teve boas.
O sorriso e o cresimento da Joana alegrou os meus dias. Estar longe, mas de mãos dadas, com o amor da minha vida também me ajudou a seguir em frente.
Certezas para já é que 2014 será um ano de mudança. Um ano de desafios. Mas não são todos? Não deveriam ser todos?
2013 foi um desafio porque me fez mudar. Fez-me ver que na vida nada se controla. A importância está na forma como vivemos cada dia, cada relação, cada passo que damos, seja no que for, em que direcção for.
2013 ensinou-me a relativizar e a aceitar.
2013 fez-me ter ainda mais certezas que não sou única nas minhas dificuladades e, infelizmente, na minha dor de perda.
2013 fez-me olhar para os amigos e família de outra maneira.
2013 trouxe-me uma família que sempre "desejei" e que andava "desgarrada".
2013 trouxe-me outras mulheres e outras histórias de força incalculável.
O sentimento de injustiça e revolta fizeram parte deste ano, mas transformei-os em amor, em aceitação.
A minha vida, tal como tantas outras vidas, é feita disto mesmo: de dor e de alegrias.
Estar noutro país, para onde quero vir viver, a passar estes dias, que há um ano eram de inferno, ajuda-me a não pensar no pesadelo, mas também me fazem pensar e muito.
Crescemos com uma série de conjecturas sobre a vida que nos ensinam. Conceitos de que as coisas devem ser isto e aquilo, mas no fim de 2013 para mim, o resumo é este: a vida é feita de perdas, conquistas e desejos. Aprendemos a perder e a deixar ir. Lutamos para conquistar o que nos faz feliz, o que desejamos. E os desejos? Que seriamos de nós sem eles? São os desejos que nos movem, que nos fazem superar as perdas e lutar pelas conquistas que ambicionamos.
Para 2014 desejo-me e a todos os que me são queridos (incuindo o que dedicam algum tempo a ler-me) muitas conquistas e ainda mais desejos.
Feliz 2014

domingo, 22 de dezembro de 2013

Boas Festas


As Festas do ano passado nao foram boas. Foram um pesadelo. Mas este ano, mesmo com o coraçao apertadinho, as Festas vao ser boas. Estamos em família, entre amigos "novos" e com os amigos de sempre no coraçao.
O Natal é amor, é uniao, é partilha. Por isso, este Natal, vou amar ainda mais do que amava há um ano. Porque o meu anjo ensinou-me que a vida é demasiado valiosa para a desperdiçarmos.
Porque a Joana vive esta quadra com alegria e nao podia estar mais amorosa e entusiasmada.
Por isso, mesmo  que a vida nos reserve sempre algumas tristezas, vamos VIVER e AMAR.
FELIZ NATAL e que 2014 nos traga tudo o que merecemos. 
Obrigada a todos os que me leram e me apoiaram. Obrigada a todos os que vivem no meu coraçao. Obrigada â vida pelas triztezas, mas também pelas alegrias. 
FELIZ NATAL, encontramo-nos em 2014 :)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Elogio

Hoje recebi um sobre o que sou enquanto mãe. Não o esperava. Gostei tanto. Às vezes, mesmo sem saber, precisamos de umas palavras doces e inesperadas, para nos darem alento e nos aquecer o coração.
Obrigada do fundo do coração a quem me elogiou.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O ciclo da vida...

Faz hoje 11 meses que a Leonor partiu. Estamos a 10 dias de fazer um ano que o pesadelo começou. Estava triste, mas a notícia do nascimento do neto de uma senhora que me é muitíssimo querida, alegrou-me o dia. As saudades nunca vão passar. Ainda ontem chorava no banho de manhã. Mas hoje alegrei-me com a notícia de uma vida nova. Não é minha, mas é de quem gosto. E tão bom que é celebrar a vida. Bem vindo Lourenço. Toda a felicidade do mundo para ti e para a tua família.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Para ti, Leonor


Dia Internacional em Memória dos Filhos que partiram

Não fazia ideia de que este dia existia até há cerca de menos de um mês.
Quis a vida que a minha perda me fizesse ganhar a consciência de uma realidade ainda mais nua e crua da que imaginava. Conheci várias mães. Mais que muitas. Mais do que a vida devia permitir.
Mães que se unem na dor da perda de um filho.
Mães que nos seus dias maus desabafam e pedem ajuda.
Mães que nos seus dias melhores usam a sua força para elas e para ajudar as outras.
Mães que todos os dias chegam ao grupo "virtual" a sofrer com a dor da partida do Ser que, mesmo que com poucas semanas de vida no seu ventre, já amavam incondicionalmente.
Pode falar-se muito do amor de Mãe. Mas só se sabe o que ele realmente é no dia em que nos tornamos Mães. No dia em que sabemos que temos uma vida a crescer dentro de nós.
Estamos preparadas fisicamente para os trazer a este mundo. Não estamos preparadas psicologicamente preparadas para os ver partir, sem os ver crescer e concretizar todo um imaginário que temos neste amor, que não tem palavra que o descreva. Incondicional é pouco.
Quanto mais penso no que vivi há quase um ano. Na quantidade de crianças que vi entre a vida e a morte. De uma menina de 10 anos, filha única, que partiu... Abro os olhos para a vida. Penso no egoísmo que temos ao viver o nosso dia-a-dia, no nosso pequeno mundo, muitas vezes preocupados com merdices e a exagerar com outras tantas... e o dia-a-dia destas pessoas (tal como foi o meu) ali. Num hospital. Onde os apitos constantes se tornam a nossa segurança. A certeza de que o nosso filho(a) ainda está deste lado, alimentando a esperança de que tudo vai correr bem e não vamos perde-lo.
Vivi o Natal de 2012 intensamente. Com a Leonor entre a vida e a morte, só na passagem de Ano estávamos mais aliviados. Confiantes num futuro que sabíamos difícil e longo... mas que acabou por ser apenas de 13 dias.
Quase um ano depois, penso que parece que foi ontem, que tudo passou. A angustia assalta-me. Refugio-me dela pensando na certeza que senti quando a tive de a tirar dos meus braços dizendo que tinha de a deixar partir.
Sabia que os tempos iam ser difíceis. Horríveis mesmo. E são. O truque?
Agarrar-nos a tudo de bom que temos.
Aproveitar a vida o mais que se pode.
Amar. A nós mesmas e ao que nos rodeiam e nos amam.
Partilhar. A dor, mas também a alegria.
Dizer o que sente, mesmo que isso não seja o que os outros querem ouvir.
A morte de um filho muda-nos para sempre. Torna-nos mais fortes, mas também nos torna mais duros. Menos egoístas. Mais atentos. Mais centrados.
A dor essa não passa. Não parte como o nosso filho partiu. Fica aqui. No canto de um sorriso que se esboça pela vida, pelo que se tem, mas também pelo que se deixou de ter. Está sempre lá.
Desde o dia 6 de Janeiro de 2012, data em que soube que estava grávida tornei-me mãe de um Ser. Um Ser que nasceu a 14 de Setembro de 2012. Um Ser a quem demos o nome de Leonor. Um Ser que acredito que cumpriu a sua missão na véspera de fazer 4 meses. Um Ser de quem morro de saudades, mas que me ajuda a aquecer o coração e a olhar para a vida com outros olhos. Um Ser que me faz querer ainda mais ser Mãe da minha Joana. Aproveitá-la. SER MÃE.
Medos? Claro que existem. Mas tentamos dar-lhe pontapés no rabo e mandá-los passear. Obrigamos o sorriso a vencer.
Lembro-me desta frase que aprendi na adolescência e que cada vez faz mais sentido na minha vida:
"Sorri. Porque mais triste do que um sorriso triste é a tristeza de não saber sorrir".
Por isso, hoje, mais um dia da minha vida, mesmo tendo uma filha que partiu SORRIO. Por ela, pela minha outra filha, por mim, pelos que amo e me amam.
Ontem, hoje e sempre: SORRIO.



sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Viver é...

... passar por esta vida e deixar a nossa marca.

Ontem morreram dois grandes homens. O meu avô (por casamento) e Nelson Mandela. Um grande no nosso pequeno mundo. Outro grande para o mundo inteiro. Cada um deixou a sua marca. Cada um deixou o seu legado. O mundo não vai esquecer Mandela. A família, mesmo os bisnetos, nunca vão esquecer o Zé Roberto.
Dois homens de África. Dois homens que sem se conhecerem tinham muito em comum. Dois homens que acabam por partilhar o dia de partida deste mundo.
Daqui para aí: OBRIGADA.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Hoje o céu ganhou mais uma estrela

Sabíamos que em breve partiria. Os 89 anos já o anunciavam. Mas esperamos sempre sem esperar. Não queremos despedir-nos dos que amamos. Dos que nos marcam na vida. Dos que nos deixam saudades.
Sou uma sortuda porque nesta vida tive dois avôs. O de sangue que partiu há 20 anos. O que ganhei através do casamento que partiu hoje. Um homem que teve uma vida cheia e que encheu a vida de todos os que se cruzaram com ele. Sou uma sortuda.
Vou ter saudades, mas sei-o bem. Ao lado da mulher que amou uma vida inteira. Ao lado do filho mais velho que partiu antes do tempo. Na companhia da bisneta mais nova.
Sinto-me triste, mas também me sinto mais rica por ter conhecido este homem especial. No dia da cremação da Leonor pediu para a ver. A forma como a olhou não consigo descrever. Mas a partir daquele momento passei a admirá-lo ainda mais.
Hoje a família ficou mais pequena deste lado, mas ganhámos mais uma estrela para nos guiar.
Na memória ficam tantas coisas boas. Na memória ficam coisas que vou sempre contar à Joana (caso ela esqueça). Sempre que chegava o Zé Roberto perguntava-lhe: Quem é o teu querido? A Joana, de sorriso meio maroto meio doce, prontamente, respondia: Tu. Ele derretia-se. Ela sorria. Foi ele quem a ensinou a escrever o nome. Foi ele que também ficou emocionado e orgulhoso quando a viu dançar com a avó, na festa de anos, no passado sábado.
O mesmo orgulho que leva consigo. Dos filhos e filha. Dos netos e netas. Acho que não podia partir mais orgulhoso de todos.
Aos 89 anos, deixa-nos a sua ausência, mas também a riqueza dos seus ensinamentos. A riqueza de uma família: os Duarte Silva. Como sempre fez questão de frisar com ênfase.
Recordá-lo-ei sempre como alguém muito especial que, sem ser de sangue, teve, tem e terá sempre o meu amor de neta.


domingo, 1 de dezembro de 2013

Nada aquece mais o coração de uma mãe...

... do que ver a filha FELIZ!


Divulgação

Se conhecerem alguém interessado, façam o favor de partilhar. Obrigada. "Todos os anos, no 2º domingo de Dezembro, comemora-se o "Dia Internacional em memória dos FILHOS que partiram". Em todo o mundo, em todas as casas onde ficou um lugar vago, em todos os corações de pais doridos de Saudade, acender-se-á uma luz para lhes dizer que não foram esquecidos.
Para nós pais órfãos de filhos é uma forma de lhes dizer que os amamos, que estamos de pé e também, que precisamos de manifestar o AMOR que nos une.
Assim, no próximo dia 8 de Dezembro, será celebrada uma missa em memória dos filhos que partiram, onde cada mãe ou pai órfão poderá acender uma vela em memória dos seus filhos.
A missa terá lugar na Igreja da Igreja Nova (Mafra), e será às 12h.
Divulguem por todos e pais órfãos de filhos, para que todos juntos possamos prestar esta homenagem a todos os que partiram cedo demais."

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Faz hoje 5 anos...

... que me tornei MÃE.
Quis a vida que a Joana nascesse às 19 horas. Em simultâneo com um trovão gigantesco, que a madrinha e as tias presenciaram à porta do hospital. A minha filha trovão. O ser que nos veio realizar um sonho, mas ensinar-nos muito, encher-nos de orgulho e fazer-nos olhar a vida por outro prisma.
Olho para a minha menina, que outrora já foi bebé. Vejo uma menina e penso que o tempo passa depressa. Não tarda está uma mulher. Temos que a preparar para a vida. Fazer dela um ser seguro de si próprio. Consciente dos seus actos.  Um ser que use o coração sem medo e tenha força para aguentar as derrocadas e os altos e baixos da vida, que não podemos evitar.
Quis o destino que tão pequena começasse a lidar com a saudade e a falta da irmã. Não a esquece ao contrário do que seria esperar. Ainda há pouco, quando saímos do restaurante, apontou para o céu através da janela do carro e disse: a Leonor está ali. Disse-lhe que sim. Que a Leonor está sempre lá e ela disse-me que sim "sempre a ver-nos". Por um lado isto corta-me o coração. Por outro deixa-me derretida com o amor grande que a minha filha sente pela irmã. Pelo amor que eu e o pai sempre quisemos na nossa família. O famoso abraço de família, cada vez mais importante, a cada vinda do pai a Portugal é um símbolo tão grande, que hoje quando brincava com os Playmobil juntou os bonecos e disse: abraço de família. Babei de orgulho e de felicidade. De no meio, de uma vida a três dividida entre Portugal e Inglaterra e com a perda de alguém tão pequeno, que nos era tão importante, a Joana saber o que é amor de coração. O amor que aconteça o que acontecer estará sempre lá.
Ser mãe, sempre foi um sonho. Engravidar da Joana um desejo rapidamente conseguido, sem imaginar que assim seria. Estar duas semanas de cama para não a perder, começou logo por me ensinar a ser paciente. Estar grávida e dar à luz ensinou-me que nada se planeia (tirando o parto induzido marcado pelo médico no dia de anos da vóvota). E, nestes cinco anos, a Joana tem-me ensinado que a vida é vivida dia-a-dia. Cada dia é uma descoberta. Cada dia é mais um bocado de amor que se ganha.
Hoje, depois da festinha na escola, puxou-me a cara quando lhe apertava o cinto do carro e beijou-me: "Mãe, obrigada pela minha festa". Derreti-me com o seu amor. A festa foi simples. Um bolo em forma de lagarta, feito com queques e sumo e umas caixinhas com bolachas em forma de coração (que ela me pediu) e rebuçados. Estava feliz. E há melhor coisa para o coração de uma mãe? Para mim basta. O sorriso. O beijo. O abraço carinhoso.
O que é que mudou em mim desde há cinco anos? Tudo. As minhas filhas mudaram-me e enriqueceram-me. Sem elas não seria a mulher que sou hoje.
Dizia há pouco ao homem que me ajudou a concretizar este sonho que sim, que me sinto com uma mãe pássaro. A dar asas à sua pequena cria para depois a empurrar do ninho e ensiná-la a voar. Até lá é ela que me ensina, que esta ligação, este amor, não tem palavra que o defina. É só nosso. É mais do que sangue. É espírito. não é palpável. é AMOR. O mesmo amor que a fez nascer.
Obrigada Joana por seres minha filha e me encheres o coração do que há de melhor nesta vida.
Obrigada Miguel por seres o pai do que tenho de mais importante nesta vida.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

sábado, 23 de novembro de 2013

Falava eu da Leonor quando...

... isto me surgiu no caminho.
Quero acreditar que sim.

Lição aprendida há já algum tempo

“Não conheço nenhuma fórmula infalível para obter o sucesso, mas conheço uma forma infalível de fracassar: tentar agradar a todos.” ― John F. Kennedy

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Querer é (também) poder!

Sem querer passar mensagens religiosas, partilho este link que vi num grupo de mães e que me deixou sem palavras. A nossa força, a nossa fé e o nosso querer fazem tudo.
Fiquei sem palavras. Vejam o link

Simples, mas deveras importante!


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Acredito piamente nisto

E por isto sei que a perda da minha Ninocas tem um porquê. Um porquê que eu aguardo a altura certa para saber. Sei que tenho de evoluir até lá. E tal como este texto diz, não vem parar às nossas mãos por acaso.

"As 4 Leis da Espiritualidade ensinadas na Índia:
A primeira diz: “A pessoa que vem é a pessoa certa“.
Ninguém entra em nossas vidas por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor, interagindo com a gente, têm algo para nos fazer aprender e avançar em cada situação.
A segunda lei diz: “Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido“.
Nada, absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse feito tal coisa…” ou “aconteceu que um outro…”. Não. O que aconteceu foi tudo o que poderia ter acontecido, e foi para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.
A terceira diz: “Toda vez que você iniciar é o momento certo“.
Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que as coisas acontecem.
E a quarta e última afirma: “Quando algo termina, termina“. Simples assim. Se algo acabou em nossas vidas é para a nossa evolução. Por isso, é melhor sair, ir em frente e se enriquecer com a experiência. Não é por acaso que estamos lendo este texto agora. Se ele vem à nossa vida hoje, é porque estamos preparados para entender que nenhum floco de neve cai no lugar errado."

domingo, 17 de novembro de 2013

Durante a missa

J: Mãe, quem é Deus?
Eu: É o pai de Jesus.
J: Não, não. O pai do Jesus é o José.
E pronto! Por aqui me fiquei e vou ficar até ao momento em que o assunto voltar.

Faz hoje um ano...

... que, de madrugada, com a Leonor ao colo tremi dos pés à cabeça, como nunca tinha tremido.
A vida surpreendeu-nos com a partida súbita e demasiado prematura do nosso tio Raul. A família ficou sem chão. A minha prima, sua filha, ficou sem o pai e sem o melhor amigo. O meu querido Miguel perdeu o tio, segundo pai. As minhas filhas perderam um tio-avô. Os meus tios o irmão mais velho. Eu perdi um tio emprestado que implicava comigo, por gostar de mim.
Os nossos corações ficaram pequenos e espremidos de dor, sem ainda saber o que nos esperava. Que ele se transformaria no tio-avô anjo da nossa pequenina Leonor.
É nestes momentos da vida que nos sentimos pequenos. Meras personagens de um guião que alguém escreve a seu belo prazer. Umas vezes fazendo-nos a vontade. Outras arrancando-nos do nosso pequeno mundo, do nosso conforto, confrontando-nos com o poder da sua atitude magnânime.
Desde cedo que me questiono o que é esta vida e o que é que vimos aqui fazer.
Questionei-me ainda com mais força aterrada com a morte do Raul.
Voltei a questionar-me (e volto quase todos os dias) com a partida da minha Leonor.
O meu coração diz-me que há uma razão para tudo. A experiência de vida também. Não existem acasos na vida. Tenho a certeza.
E com esta certeza ponho-me a pensar e a reviver os sentimentos de há um ano. É inacreditável como uma parte do nosso mundo desapareceu. Porquê? Porque a vida tem os seus mistérios.
E para que é que serve a vida? Para vivermos de coração e braços abertos. Sem medos. Sem conceitos. Permitirmos ser nós mesmos, sem pensar no que os outros querem que sejamos ou que digamos. Temos de ser verdadeiros connosco próprios. Assumir os nossos medos, as nossas dores, a nossa realidade.
E para quê?
Para com tudo isto escrevermos a história da nossa vida deixando a nossa marca.
O meu tio Raul deixou-nos as "provocações", as gargalhadas, o seu grande coração. E deixou-nos também uma prima linda. Que de menina se tornou mulher. Que com a dor se revelou um ser ainda mais fantástico. A mulher para a qual ainda olhamos, com o mesmo olhar do pai dela, o de que continua a ser menina. A nossa menina. Aquela a quem colocaremos a asa por cima, sempre que for preciso.
Resumo? A vida é misteriosa. Quando chegou a hora do Raul escrever a sua última linha, iniciou-se uma nova página onde todos nós começámos a escrever e a olhar a vida com outros olhos.
Hoje é um dia triste. Mas só é triste porque o Raul deixou a sua marca. E isso é a maior razão da nossa existência. Mais do que o dinheiro, a imagem... a nossa essência. Aquela que mesmo depois de terminada a vida, fica para a eternidade.Deixar um pouco de nós, em todos aqueles que amamos e com quem nos cruzamos.
Obrigada Raul por ter deixado um pouco de si em mim, e em todos nós.

sábado, 16 de novembro de 2013

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

sábado, 9 de novembro de 2013

Parabéns meu querido :)

O meu marido faz hoje anos.  Mais que marido, é companheiro, amigo, cúmplice, amante.
Há 11 que comemoramos este dia juntos.
Há 11 anos que crescemos juntos.
Há 11 anos que, de ano para ano, o admiro ainda mais e me orgulho de o ter ao meu lado.
Hoje, no dia de mais um aniversário, fico feliz por o ter aqui ao pé de nós e sorrio por o ver sorrir no meio de todos os que o amam e que têm estado sempre ao seu lado. Mesmo quando a distância física se tornou grande e soubemos (todos os que o amam) torná-la pequena. Estar lá sempre que possível e da maneira que a distância deixa.
A ti, meu amor, obrigada por seres quem és. Obrigada pela teu sorriso. Obrigada por tudo. És um dos meus orgulhos. Como diz a Joana: "Lave iu".

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Mãe

A minha mãe faria hoje 63 anos. Partiu há quase 5 meses. Partiu cedo.
Hoje tenho saudades dela. Da sua refilicisse. Do seu lado (mais) negro de ver a vida. Por muito que tivéssemos posturas diferentes era e é a minha mãe. E esse elo não se quebra nunca.
O dia de hoje é estranho e triste para nós, filhos. Estamos mais unidos do que nunca, mas estamos tristes. Pensamos no que podia ser o dia de hoje, se o passado não fosse o que foi.
Mas a vida é assim.
Cada um traça o seu destino e tem o direito de fazer o que quer com a sua vida.
A minha teve esse direito.
E no meio de muita coisa que não gosto de lembrar, lembro as boas e muitas coisas que me ensinou.
Ela partiu cedo e na sua partida ensinou-me a valorizar ainda mais a vida, por isso, no dia de hoje, só me resta dizer: Obrigada Mãe.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Homenagem a todas as mães...

Quando se faz arte, seja ela qual for, com o coração o resultado só pode ter um adjectivo: Brilhante!


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Coisas de avô e neta...

Enquanto brincava com o iPod perguntou ao avô:
- Vovoto, deixas-me uma coisa tua comigo?? (referindo-se ao iPod)
- Que queres que eu deixe?
- O que tu quiseres, uma coisa tua! disse sorrindo matreiramente.
- Vou-te deixar um beijinho então!!!
- Não Vovoto. Os beijinhos estragam-se na almofada!!!

Filosofia de vida


terça-feira, 29 de outubro de 2013

A verdade é...

... que os bebés já nascem com as suas características próprias e personalidade enquanto seres. Não são providos do nada e moldados como queremos. São seres. Seres muito especiais. Cada um à sua maneira. É preciso largar as convenções e saber senti-los. Vejam o video. Este derreteu-me o coração e iluminou-me a alma.

domingo, 27 de outubro de 2013

Ser mãe...

É ser atenta, doce mas ao mesmo tempo disciplinada. É gritar de vez em quando. É soprar o ar ainda mais vezes e pedir paciência (aquela que, às vezes, nunca chega)...
É brincar, mas também saber ralhar.
É amar de braços abertos, mas também saber ficar séria e "castigar" na hora certa.
Ser mãe é ter as asas sempre abertas, mas também saber usá-las para empurrar os filhos para a frente, para se tornarem auto-suficientes e independentes.
Quantas e quantas vezes não nos questionamos se estamos a fazer tudo bem?
Quantas e quantas vezes a "sabedoria alheia" nos questiona?
Quantas e quantas vezes pensamos se somos boas mães!
Desde que sejamos mães com o coração até nos momentos em que nos zangamos, estamos sempre a ser boas mães. Mostrar o nosso amor aos nossos filhos seja entre risos ou numa chamada de atenção, é o mais importante. Porque é isso que eles esperam de nós. Que os preparemos para o mundo dos adultos. É por isso que nos põem tanto à prova.
Onde é que fui buscar estas certezas? Se já as tinha, agora ficaram mais fortes. Vejam o video.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Brilha, brilha lá no céu

Hoje a Joana estava ainda mais mimosa do que o costume e quis que a adormecesse. Pediu-me para lhe cantar a música que sempre cantei desde que ela é pequenina. "Brilha, brilha lá no céu, a estrelinha que nasceu!. Enquanto cantava pensei na Leonor. Na nossa estrelinha que nasceu para poder ir brilhar para o céu. As entrelinhas têm destas coisas <3

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Decisões difíceis

Há dias na vida em que nos deparamos com decisões difíceis de tomar. O coração, a razão, o pragmatismo... tudo luta por um lugar na balança. Mas não é fácil. Por muito que queiramos juntar tudo na mesma panela e fazer a massa do bolo perfeito, são coisas que não combinam.
Vivo com o coração, mas a vida tem-me ensinado que muitas vezes tenho de o ouvir quando me diz: "desliga-me. sê pragmática e resolve. agora só te vou complicar".
Fico na dúvida. Paro. Escuto e olho. Como se de uma estrada a atravessar se trate. A travessia tem de ser feita com segurança, para que não sejamos atropelados. E a vida é mesmo assim. Temos de a olhar com calma e saber fazer as travessias (decisões) em alturas que não sintamos que estamos a atravessar a estrada a correr ou muito devagar. Fugir do risco de sermos atropelados.
Decisão tomada. O coração volta um pouco a si e diz que apesar de se sentir melindrado com a situação, sabe que foi o melhor que se fez. Que se atravessou a estrada. Que na vida é como numa caminhada: para se mudar de caminho é preciso atravessar a estrada. Sem medos. Sem hesitações. Só assim conseguimos seguir em frente. Mudar. Crescer. Construir. Escrever e re-escrever uma história.
Hoje foi o dia.

domingo, 13 de outubro de 2013

Nota para o dia a dia

Confesso que às vezes grito, mas os miúdos têm o dom de nos tirar do sério. Aliás, acredito piamente que o fazem de propósito para nos porem à prova. Para, à sua maneira, nos ajudarem a ser melhores mães e seres humanos.
Tudo o que aqui está escrito tento fazer o mais possível com a minha Joanocas. Desde sempre que quando sonhava ser mãe, sonhava fazer estas e outras tantas coisas. Talvez por sentir que o que não tive em criança, era o que devia dar.


A grande verdade é que temos de aproveitar os filhos ao máximo. É preciso ter consciência que eles saíram de dentro de nós, mas não nos pertencem. Fazem parte de nós, mas são livres. Nós seremos sempre o seu ninho. E é só isso que eles têm de sentir. Que viver é amar, é aproveitar, é lutar. É fazer com que cada dia valha a pena. Que cada dia tenha tido um significado. Que não percamos tempo a remoer no que não é bom. Que não nos agarremos ao que é mau. Peguemos nisso e façamos disso a nossa força para atingir o que tanto auguramos. Para aproveitarmos todos os que nos rodeiam e que amamos. Não é nada fácil, eu sei. Mas sei por experiência própria que a luta e o sofrimento valem a pena. Porque a vida nos compensa, desde que não baixemos os braços. Pode demorar. Nem sempre conseguimos... mas mesmo depois da maior dor que vivi e vivo com a perda da Leonor, não consigo deixar de acreditar que haverão dias melhores. Penso que o melhor dela ficou comigo, no meu coração. A saudade que sinto e as lágrimas que às vezes derramo tento transformá-las em amor. Amor pela Joana que cresce a olhos vistos e cada vez mais segue o seu caminho. Amor por mim. Amor pelo marido que é outro lutador. Amor por aqueles que me rodeiam. Porque o hoje tenho a certeza do que tenho. E amanhã pode já não ser assim...

domingo, 6 de outubro de 2013

Aquecedor do coração

Já tinha a caixa das primeiras coisas da Joana para recordar...


... e não podia deixar de ter o mesmo da Leonor. Feitas pela minha sogra, esta foi bem mais difícil de construir.Por entre lágrimas de saudades surgiu uma caixa linda com as coisas da minha segunda princesa. Para a recordarmos e homenagearmos. Obrigada Miducha.



Mais caixas em: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10150788020184620.420165.175587064619&type=3

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A minha história...

... a história de tantos.
Quase todos os dias me chegam histórias de pais a viver ou que viveram situações semelhantes à que vivi e vivo com a Leonor. Situações piores até.
Por isso, e digo isto desde o primeiro momento, não sou a única mãe a viver o que vivi de afliação e aperto no coração. Não sou a única mãe a viver a "amputação" que é perder um filho. Quem me dera, ser! Confesso! Custa-me tanto saber do sofrimento alheio. Ninguém merece. Nem a criança, nem quem a rodeia.
Mas a vida às vezes é muito dura e há respostas que só podem vir do que não podemos tocar.
Por isso, acredito em anjos e em fadas.
Por isso acredito que espiritualmente a minha Ninocas estará sempre connosco de uma certa maneira.
Por isso não me permito a viver na escuridão da dor.
Por isso não me permito a não continuar a ser a mãe sorridente e a mulher brincalhona e bem disposta que sempre fui.
Às vezes mais chorona, mas sempre fiel a mim mesma. Pela Leonor. Pela Joana.
Pelos dois seres que gerei dentro de mim e a quem aprendo dia-a-dia, a dar asas.  Cada uma à sua maneira. Sou apenas o ponto de partida, de onde ambas abrem as suas asas, para voarem em direcção ao seu destino. O destino que descobrirei com o tempo. O mesmo que me acalmará e aquecerá o meu coração de mãe.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Porque as memórias não se apagam...

... nem as fotografias! Estava a limpar um telemóvel que usei pouco e encontrei estas fotos do final de Novembro. Cerca de um mês antes da Leonor ficar doente. Tinha 2 meses e 10 dias e a Joana estava a fazer os seus 4 anos.
Desde cedo que sei que a vida é dura, mas pergunto-me se precisa de ser tanto!
Saudades deste sorriso. Saudades destas bochechas.

domingo, 15 de setembro de 2013

Like a Diamond in the sky

Música da "partida" da minha Ninocas: por ela farei tudo para brilhar aqui e ela ver-me de lá. Porque lá sei que brilha "like a diamond".

sábado, 14 de setembro de 2013

As lindas palavras da avó das minhas filhas. Reais e sentidas por todos nós

"O tempo é uma coisa estranha...é elástico...ora é muito longo ora se torna no "ontem", e temos que aprender a gerir a tristeza, a raiva, a saudade, quase diariamente, um exercício contínuo, as tarefas do dia a dia ajudam a ter a mente ocupada, afastada da constante presença mas para empre ausente dos que partiram prematura e inesperadamente. Hoje o tempo é "hoje", foi hoje que há um ano nascia a minha 2ª neta, a nossa Ninô, faria um ano de vida, linda...um maldito virus roubou-a de nós,com apenas 4 meses de vida... 4 meses fantásticos, porquê??? Não somos os únicos, calhou-nos a nós, aprendo como Tempo, e a olhar para a outra neta, que enche a casa de alegria, e atiro a saudade, raiva, a tristeza, para uma gaveta na cabeça, e deixo o tempo fazer o seu trabalho, hoje ele encolheu...hoje é o dia, da nossa estrelinha esteja onde estiver...como disse alguém.."os anjos não envelhecem".....estão sempre lá....e ela está sempre connosco sorrindo..."

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

As palavras certas...

 ... vieram de um anónimo que acompanha o meu blogue, mas expressam tão bem o que sinto e o que penso. Obrigada a este alguém. Partilho convosco palavras sábias:

"Os anjos não fazem anos ! Não envelhecem ! E todos os dias celebramos as suas vidas...
O que faz anos são as saudades. E arde mesmo no peito, mas essa dor fortalece-nos, torna-nos melhores, mais sensíveis e por isso damos mais valor ao que temos, mesmo que sejam anjos no Céu.
De certeza que o vosso anjo vos enche de bênçãos e acompanha-vos sempre"

Nota da vida para a vida

Perder um filho é uma dor sem igual. Um vazio inacábavel. Por isso mesmo, há que viver e fazer com que cada dia seja especial. Sorrir. Fazer da dor da memória o combustivel para alegrar e viver intensamente dia a dia.  Porque isso, mais do que chorar ou ficar triste, é a melhor maneira de homenagear e lembrar quem partiu.
Por ti, Leonor, o meu sorriso, mesmo quando a saudade aperta. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Inspiração...

... na semana que é, de certeza, uma das mais difíceis da minha vida. 
"A nossa maior glória não reside no facto de nunca cairmos, mas sim em levantarmos-nos sempre depois de cada queda."

Mesmo cheia de nódoas negras Obrigada Confúcio
 

sábado, 7 de setembro de 2013

Desejo de ontem, de hoje e para o futuro

Acabei de ver no Masterchef Austrália um filho falar sobre o modo como a mãe tem reagido à doença da irmã, à morte do pai e a "todas as coisas más que acontecem na nossa família: Ela tem sempre um sorriso".
Emocionei-me. É isto que desejo passar à Joana. É isto que desejo que a Joana diga de mim. Que mesmo frente à pior coisa nunca deixei de sorrir. E que ela faça o mesmo na sua vida. Porque o sorriso é a maior arma que temos.  

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Em aprendizagem

Sei-o desde o primeiro minuto em que peguei na Leonor já sem vida. Vivo o dia-a-dia em busca da resposta. Vivo o dia-a-dia em busca da serenidade necessária para saber esperar pela hora certa de ter a minha resposta. A resposta que virá só quando eu evoluir o suficiente para a compreender. Aguardo ansiosamente - e luto contra essa ansiedade - por esse dia. Até lá, vivo com o que aprendi:
- que se pode viver com uma grande tristeza
- que se pode viver triste e sorrir muito. sorrir de verdade.
- que se pode ganhar uma grande tristeza mas valorizar ainda mais todas as alegrias 
- que o que parece não ter valor  pode ser o mais valioso das nossas vidas
Abaixo o texto que li e que me fez escrever isto :)
 Na Índia, são ensinadas “quatro leis da espiritualidade”:

A primeira diz: "A pessoa que vem é a pessoa certa". Ninguém entra em nossas vidas por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor, interagindo connosco, têm algo para nos fazer aprender e evoluir em cada situação.

A segunda lei diz: "Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido". Nada, nada absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum "se eu tivesse feito tal coisa..." Ou "aconteceu que um outro ...". Não. O que aconteceu foi tudo o que deveria ter acontecido, e foi para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem nas nossas vidas são perfeitas.

A terceira diz: "Toda vez que iniciares algo é o momento certo". Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo nas nossas vidas, é que as coisas acontecem.

E a quarta e última afirma: "Quando algo termina, termina". Simplesmente assim. Se algo acabou nas nossas vidas é para a nossa evolução. Por isso, é melhor sair, ir em frente e enriquecer-se com a experiência.

Não é por acaso que estamos a ler este texto agora. Se ele veio à nossa vida hoje, é porque estamos preparados para entender que nenhum floco de neve cai no lugar errado!

“Saber não é tudo. É necessário fazer. E para bem fazer, homem algum dispensará a calma e a serenidade, imprescindíveis ao êxito, nem desdenhará a cooperação, que é a companheira directa do amor”

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Parece tontice...

... e é! Mas também é amor de mãe.
A minha menininha voltou hoje ao ritmo da escola. Acordou entusiasmada ainda antes do despertador, mas ao chegar à escola ficou mimosa como é. Abracinho. Beicinho. Mais uma abracinho e lá ficou depois de lhe dizer que tinha de contar todas as aventuras destes dois meses de férias em casa comigo e com a família.
A verdade é que já vai no 3º ano nesta escola, mas o meu coração está apertadinho, cheio de saudades.
Estas férias (as maiores de sempre) mostraram-me uma filhota crescida, que só faz de bebé quando faz birra e que está super independente, mas super doce. Vivemos e ultrapassámos dia-a-dia as saudades do pai e da mana e descobrimos brincadeiras novas. Não houve manhã que não começasse com o monstro das cócegas. Entenda-se Joana a fazer cócegas à mãe.
No dia de hoje, mais uma vez, aprendo que ser mãe é mesmo isto: trazê-los ao mundo, amá-los sem fim e dar-lhes asas para voarem sozinhos (com a certeza de que nos têm e terão sempre no ninho à sua espera).

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Respeito

Depois de ver estas fotos e de ter lido alguns comentários não posso ficar calada. O que aqui vejo é uma família de luto. Tal como a minha já esteve, a vossa e outras tantas, como a dos bombeiros Ana Rita e Bernardo. Tal como um dia (às vezes mais breve do que esperamos) estaremos novamente. A verdade é que todos escrevemos uma história nesta vida. A nossa história. Muitas vezes amada, outras tantas odiada. Há quem goste de mim, há quem desgoste, há quem odeie. Existe esse direito, mas penso que o mesmo se deve anular quando o assunto é a morte e há sempre quem sofra com a perda dos que mais ama.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Bis

Há dias que não escrevo e agora que me apeteceu escrever o título seria o mesmo do último post: Saudades.
As da Leonor são diárias e sei que serão para toda a vida. É aprender a viver com elas e com a sua ausência. Rever as suas fotografias é sempre o lembrar de algo que se viveu, o aumentar das saudades e o lutar contra a ideia de como ela estaria agora, as gracinhas que faria, etc. Será sempre assim. É um hábito que estou a aprender a criar.
A verdade é que as saudades também chegam através de coisas que antes não gostávamos. No inicio do mês senti isso. A falta dos comentários mordazes e ininterruptos. Aqueles que me irritavam, que me faziam perder a paciência... Mas que me faziam senti-la viva e perto. De repente é o silêncio que reina. Não existem conflitos. Não existem constantes irritações. Mas é estranho. Reflexo de que somos um animal de hábitos. Até às coisas menos boas nos habituamos. E quando não as temos, sentimos falta delas.
Sinto falta de minha filha e dou por mim muitas vezes a pensar que a minha mãe não me ligou hoje. Já ela estava no lar e eu sentia isso. Agora sei-a do outro lado.
Foram muitas mortes em pouco tempo. As naturais da idade. A demasiado cedo. A provocada e desejada. Mas todas deixam o mesmo: um vazio.
São vazios diferentes. Mas a verdade é que em vida tudo nos ajuda a construir o que somos: o bom e o mau; o que nos irrita e o que nos faz amar; o que amamos e o que destestamos.
Não somos mais do que a simples soma de todas estas partes, numa grande equação, que todos queremos ver resolvida, mas que só ela se resolve a si mesma, no momento matemático antevisto na sua origem: a VIDA.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Saudades...


... de ti, minha filha. Do teu olhar profundo e sereno. Do teu sorriso maroto e meigo.
Vives em mim. No meu coração. Na minha alma. E parte de mim vive no céu contigo. Estamos ligadas porque o amor de mãe não morre. Ontem, hoje e sempre minha/nossa Ninocas.
beijos daqui para aí


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O amor não morre...

... porque ultrapassa a barreira do tempo e do espaço. O corpo fisico deixa-nos mas fica o sentimento de amor. A plenitude de ter tido um ser  nas nossas vidas.
Porque o amor é maior que a saudade.
Porque o amor é maior que a tristeza.
Porque o amor é eterno.
Porque o amor se sente. Basta que fechemos os olhos e recordemos um olhar, um sorriso.
O amor é a minha amarra à minha estrelinha que me guia.
O amor é que nos liga. 
O amor é o alimento da alma.

O AMOR é TUDO.

domingo, 28 de julho de 2013

terça-feira, 23 de julho de 2013

Frasco vazio...

... Coração cheio.

É assim que a nossa menina (sim, porque já o é!) ficou na partida do pai.
No aeroporto disse-me: "Mãe, não me sinto nada feliz. Não gosto nada de aerportos". Expliquei-lhe que a partida do pai é um bom motivo e que o aeroporto também serve de partida a coisas boas. E que mais dia menos dia, somos nós a ir de avião rumo a outra fase da nossa vida.
Entendeu e sorriu: "Quando chegarmos a casa vou já usar um dos beijinhos que o pai deixou".
Na véspera quando estávamos a fazer a mala pegou numa peça de roupa dela e em outra minha e levou-as ao pai: "Toma para cheirares quando tiveres saudades nossas". Ficámos emocionados e sem palavras para este gesto lindo da nossa menina de 4 anos e meio. Em troca o pai de manhã deu-lhe um frasco cheio de beijos para ela colocar ao lado da cama e usar quando sentir saudades. Feliz com o frasco vazio na mão - porque só disto são capazes as crianças - disse de imediato: "Quando acabarem a mãe liga o skype e tu voltas a encher o frasco, ok, pai?".
A resposta só podia ter sido um sim emocionado e deliciado.
Regressadas do aeroporto usou os beijinhos, ofereceu um a mim e outro à avó depois de perguntar se tinhamos saudades. Ao fim do dia alertou para que já não haviam muitos no frasco e que hoje seria preciso enche-lo de novo.
A cada partida a nossa menina mostra-se mais crescida, mais amorosa e de coração cheio. Orgulhamo-nos de conseguir nestas fases mais complicadas ajudá-la a sorrir e a sentir amor. Orgulhamo-nos das lições que este pequeno ser de 102cm nos dá, mostrando que a vida se enfrenta com o que temos no coração. E o que temos no coração? Tudo o que quisermos. A opção entre a alegria e a dor, nem sempre é nossa, mas somos nós quem decide quem fica em primeiro lugar.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Mais um Até já..

Mais uma etapa. Unidos e a lutar contra a saudade, entramos em mais uma etapa da conquista a que nos propusemos.
Força meu amor.

domingo, 14 de julho de 2013

A minha Ninocas faria hoje 10 meses. Fez ontem 6 que partiu para onde só a posso tocar com o meu amor infinito. O sorriso desta foto alegrou-me tanto e é o que guardo e lembro sempre que luto contra a tristeza.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Pedaços de mim...

Conheci esta música no meu curso de songwritting. Adoro-a. Tudo se encaixa perfeitamente. A letra não me diz nada até ao refrão. Pensei tanto na minha Leonor quando ouvi esta música pela primeira vez e não me canso de a ouvir. Só agora a consegui encontrar no youtube. Espero que gostem tanto como eu.

Amor

Quando se ama de alma e coração, o amor não morre reiventa-se.


sábado, 15 de junho de 2013

Até um dia... Mãe

Sem muitas palavras, mas com a certeza de que já não sofres, deixo-te a música que tinhas com o pai.
Sei-te muito bem acompanhada do lado de lá.
Os maus momentos deixaram de existir e as coisas boas ficam para sempre.
Obrigada por tudo o que me ensinaste, mesmo o que não foi da melhor maneira.
Acima de tudo o meu amor de filha é eterno.
Até um dia mãe

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Até um dia minha Fernandinha

Chegaste aos teus 98 anos com uma lucidez incrivel. Uma lucidez que tenho pena de ter não ter partilhado mais. Quis a vida que eu ficasse sem a capacidade de te ocultar tudo o que me aconteceu e por não te saber mentir não te vi.
Fechaste os olhos e partiste serenamente. Que bom! Merecias e muito. Por tudo o que passaste. Por tudo o que te fizeram. Pela pessoa linda que sempre foste.
Já tinha saudades tuas e vou continuar a tê-las. Partiste mas deixaste-me cheia de boas memórias e com o coração quentinho por te ter tido na minha vida. Não eras da nossa família de sangue, mas eras a minha avózinha. Nunca me hei-de esquecer de quando furei o dedo na tua máquina de costura, de quando me levavas à feira popular e ao frango assado no Bom Jardim no Rossio. Do quanto eu gostava de estar contigo no teu quarto a ver as tuas coisas. De quando fracassadamente (devido à minha falta de jeito) me tentaste ensinar a fazer croché. Não esqueço as roupas que me fizeste nem as que me arranjaste. Nunca me esquecerei de ti.
Sei que agora já sabes porque não te conseguia ir ver. Sei que me compreendes, como também sei que a esta altura já conheces a minha Leonor. A minha estrelinha. E tal como um dia sei que a encontrarei quando partir, tenho a certeza absoluta, que hoje depois de fechares os teus olhos de vez a este mundo, abriste-os e encontraste o teu filhote que (tal como eu) viste partir tão cedo.

Recordo os teus olhos azuis e o teu sorriso.
Obrigada por teres existido na minha vida.
Até um dia minha querida Fernandinha

terça-feira, 11 de junho de 2013

Ser princesa

Há quase um mês que não escrevo... São muitas as coisas sobre as quais quero escrever, mas ao mesmo tempo não consigo colocar facilmente por palavras tudo o que estou a viver: as saudades da Leonor, o outro avc e o estado da minha mãe, o meu coração que não melhora...
Foco-me no que tenho de melhor: a minha princesa Joana. Sem esquecer o meu querido marido (claro!)
A minha princesa está uma crescida e também ela gere ainda a falta da mana. Há cerca de duas semanas pediu-me uma fotografia da mana para a sua mesa de cabeceira. Disse-me que quer a fotografia para se lembrar dela. Ontem foi dia de escolher e imprimir. Aproveitei e também trouxe mais uma. Rever as fotografias traz nostalgia, mas também ajuda a aquecer-nos o coração com as memórias da princesa fofa e espertalhona que a Leonor foi.
Tudo o que tenho vivido tem-me ensinado a olhar para a vida com outros olhos. As minhas filhas, as minhas princesas (como a Joana, diz) têm-me ensinado muito desde que entraram na minha vida. Ao ver este video com a Joana, fiquei com o coração ainda mais quente. Ser princesa é muito mais do que usar um vestido lindo. Fico feliz que a minha Joana, já nos seus 4 anos e meio, veja a vida com estes olhos. No que depender da mãe princesa continuará assim e sempre com a coragem toda para enfrentar quem se lhe atravesse no caminho a querer desvalorizar o que verdadeiramente importa.
Obrigada princesas da minha vida pelo tanto que me ensinam.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Família

Desde que me lembro de ser gente que sempre vibrei com a família. Talvez por isso, em alguns momentos, tenha querido resolver na minha o que não dependia de mim resolver. Cresci numa família complicada.
O primeiro grande golpe da minha vida foi quando perdi o meu avô aos 16 anos, de repente. Era o meu carequinha. Aquele que me ensinou o Hino de Portugal. Aquele com quem eu gostava de passar férias e fins de semana. Aquele que me levava a passear de mão dada babado e orgulhoso da sua neta. Tudo o resto era estranho. Os momentos bons acabavam mal.
Havia familiares que só mais tarde, já adulta, pude conhecer melhor. Tenho a sorte de ainda poder ter a minha tia paterna, mas o mesmo não aconteceu ao meu tio materno. Depois de o reencontrar, rapidamente adoeceu e morreu. Penso muitas vezes nele e no quanto gostaria de o ter "aproveitado" mais. Não dependeu de mim. Quando cresci assumi a minha noção de família e lutei por ela. Por isso, ganhei três tios, já bem crescida.
À medida que o tempo passou desenhou-se ainda melhor na minha cabeça o que eu queria como família. O que eu queria construir. Tive a sorte de encontrar o amor da minha vida e juntos tivemos a mesma vontade: construir a nossa familia.
Há 11 anos que todos os dias trabalhamos nisso. Trabalhamos?! Sim! Construir uma família implica trabalho, dedicação, amor, amizade, respeito. Não basta partilhar o mesmmo gene. É preciso amar, aceitar, entender, ceder.
Juntos, umas vezes mais às turras de que outras, temos vindo a construir isto. Mesmo agora que a nossa familia fisica perdeu a Leonor e a ganhou como estrela. Mesmo com o destino a pregar-nos rasteiras. O nosso amor será sempre a base da nossa família.
Ao longo deste últimos 11 anos da minha vida, também conheci outra família. A do Miguel que se tornou também minha. Uma família onde não é fácil entrar pois são unidos, coesos e muito protectores. Desde o primeiro minuto que sempre me trataram bem e agora, ao fim de tosdos estes anos, já fui mais do que adoptada. Sinto as asas todas a tomarem conta de mim. A minha sogrinha e o meu sogro tratam-me como filha. É tão bom! Ganhei muitos primos. Amigos do coração que sei que são para vida.
Nesta caminhada a que chamo vida e onde acho que a família tem um papel deveras importante, também "recuperei" os meus primos de sangue. Apesar de termos sido criados bem afastados, temos a vontade de estar juntos e de mudar a história da família. Há algum tempo estivemos todos juntos pela primeira vez e foi tão bom. Fomos amigos a uma mesa. Falámos, rimos, partilhámos. Isto é família.
Uma das coisas boas disto tudo é a Joana sentir que além da mãe e do pai, têm imensa gente ao seu redor. Salta de jantar em jantar. Fala-se da tia, do tio, do primos por parte do pai, dos primos por parte da mãe. O universo família para a Joana é vasto e eu gosto tanto disso. Sinto-me realizada nisto que queria para a vida.
Hoje na escola a peste doce desenhou o núcleo duro da sua família como podem ver em baixo. Aqueles que ela considera ser os seus pilares. Que bom que é!
Desde pequenina que lhe ensinamos a dar um abraço de família e mesmo sem o pai cá, já o faz comigo e com os avós.
À Joana também consegui passar que além da nossa família de sangue temos a família do coração. Amigos que entram nas nossas vidas e nelas não se tornam meros passageiros. Amigos que mesmo distantes no dia-a-dia, estão lá quando precisamos da sua amizade.
Sei que a Joana vai voar cedo de casa. É um Ser cheio de vida, curioso, independente e que cedo quererá fazer o seu caminho. Como mãe, morderei os lábios e solatrei a sua mão... sempre com a certeza de que voe ela para onde voar o seu ninho será a sua família. O lugar onde irá sempre que precisar. O lugar onde quererá sempre voltar.
Feliz dia da família

terça-feira, 14 de maio de 2013

M de Mulher e de Mãe

Porque pelos filhos uma Mãe faz tudo. E quando se pode cortar algumas ervas daninhas, que sabemos que podem surgir pelo caminho, ainda mais. Aqui fica a notícia e o exemplo de uma grande actriz que antes de mais é uma grande Mãe e uma grande Mulher.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Revolta

Eu não queria que o título fosse este, mas é a luta interna que tenho travado de há uns dias para cá.
Faz hoje 4 meses que a Leonor se tornou uma estrela. O dia-a-dia corre mais facilmente, mas o vazio, esse, permanece como permanecerá sempre.
O pior já me/nos aconteceu, mas a notícia de há uns dias veio partir-me a cabeça e o coração. Dizia que depois do que vivi com a Leonor não estava preparada para ter mais filhos, mas quem me conhece bem e eu, no meu intimo, sabíamos que depois de ultrapassar o "trauma" me lancaria em mais uma aventura da maternidade. Porque sempre quis ter filhos.Porque sonhámos ter uma familia de quatro ou cinco e agora a três sentimos um vazio. Porque, por entre as saudades que tem da Leonor, a Joana já pede um mano ou mana. Diz que quando formos para Inglaterra vamos ter um bebé. Acontece que o Nostradamus não sabe do diagnóstico cardiaco que tive há dois meses nem da notícia que recebi há dias. Mesmo que recupere a lesão que tenho não posso mais engravidar. É um risco de vida para mim.
Questiono o porquê de tudo isto e não encontro resposta! Fiquei sem a Leonor e nem posso voltar a ser mãe.
É verdade que há outras maneiras de ter filhos. É verdade que há quem nem um consiga ter. Eu entendo. Eu penso nisso tudo... Mas lamento...a tristeza que sinto por estes últimos meses de vida é grande.
Não é fácil atirar isto tudo para trás das costas e seguir em frente de sorriso rasgado. Eu tento. Mas é muito dificil. Ajudam-me a sorrir a minha família de coração, o meu lindo marido e a minha maravilhosa Joana.
Estou sem dúvida a viver um dos piores periodos da minha vida. Perda atrás de perda.
Mas uma vez mais estou de punhos erguidos frente a frente com a vida. Ela ganhou esta batalha, mas a guerra sou eu quem vai vencer.
Com a minha Leonor sempre no coração e com o amor do meu marido, da minha filha e da nossa familia, vamos conseguir concretizar os nossos sonhos. Farei de cada dia o mais feliz possivel.
Pensei se escrevia isto ou não, mas é nas palavras que consigo desabafar mais facilmente o que me vai na alma. 
Um beijo daqui para o céu para ti minha Leonor
Um amo-te daqui para Inglaterra para ti amor da minha vida
Um obrigada e um abraço apertado à minha família que tanto me tem acarinhado

domingo, 5 de maio de 2013

Dia da Mãe

Hoje e todos os dias. Hoje mais porque paramos e dedicamo-nos mais. As crianças vivem-nos mais.
Este dia da mãe foi dificil. Mas podia ser pior. A Joana iluminou-me desde que abriu os olhos e logo perguntou se hoje já era dia da mãe. Há três dias que perguntava. Correu a dar o presente à vóvóta e depois vieram os meus. O da escola de encher o coração de ternura e os mimos comprados com ajuda da vóvota. Mais ternura. Sorrimos e ficámos felizes.
Mas esta felicidade é estranha. Incompleta.
Hoje o dia não mudou o que sinto. Sou uma mãe incompleta. Já não vou saber as maravilhas de ser mãe duas vezes. Falta a minha pirralhinha. Falta uma parte de mim. Não me consigo sentir uma mãe completa. Talvez com o tempo amenize.
Fui mimada pela Joana que prometeu não fazer birras durante o dia e quase que cumpriu com a promessa.
Amo ser mãe, até quando estou a arrancar cabelos. Amo ser mãe da Joana e amava ser mãe da Leonor. Penso sempre como posso ser melhor mãe da Joana e se poderia ter sido melhor mãe da Leonor.
Ser mãe é ser tudo.
Ser mãe é dar de mão beijada o nosso coração que seguirá sempre com os nossos filhos.

Ser mãe é amar sem cobrar.
Ser mãe é estar sempre lá.
Ser mãe é arranjar paciência onde ela não existe.
Ser mãe é amarmos mais os nossos filhos e a nós. Porque senão nos sabemos amar como vamos amar o que de mais nosso temos?
Sempre quis ser mãe e depois de o ser pela primeira vez ainda quis mais sê-lo. Quis o destino que o fosse apenas por quase 4 meses.
Voltei a ser só mãe da Joana. Uma bebé que agora já é menina. Uma mistura fantástica da mãe e do pai. Uma peste doce como lhe chamo desde sempre e que hoje me fez sentir que é feliz por eu ser sua mãe. 
Obrigada Joana e Leonor por terem feito de mim vossa mãe.


sábado, 27 de abril de 2013

A maior impotência

Maior do que aquela de não poder salvar a minha Leonor é a de não ter como livrar a Joana das saudades que tem da irmã.
Volta e meia fica chorosa e apesar de a saber uma estrelinha, quere-a de volta. Diz que tem saudades e que está triste. Continuo a explicar-lhe que não pode ser. Aninho-a no meu colo e dou-lhe mimos. Segundos depois, criança como é, chuta a tristeza e sorri falando de outro assunto que nada tem a ver.
Seguimos em frente, com a certeza de que apesar dos seus 4 anos, nunca esquecerá a irmã.
Eu estou a aprender a lidar com esta outra impotência. A de não poder evitar que a minha filha sofra e cresça. Não precisava de ser tão cedo. Mas se assim tem de ser... é de mãos dadas e corações unidos, que em familia, faremos esta caminhada que temos pela frente.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Tempos difíceis...

... e dias complicados.
Quase sempre de sorriso no rosto, tentando chutar a tristeza, alivir a alma e matar as saudades.
As saudades que não têm fim. Do seu sorriso. Do seu cheiro. Do seu toque. O que eu não dava para poder pegar nela por mais cinco minutos. Por beijar-lhe a testa e senti-la junto a mim.
Humanamente não há maneira de ultrapassar isto.
Espiritualmente é mais fácil. Sei que fui e sou mãe de um anjo. De um ser especial que veio mudar as nossas vidas.
Vivo o dia-a-dia nesta luta titânica entre o humano e o espiritual. Entre a dor e o amor. Entre a saudade e a fé.
Só o tempo me pode ajudar.
Amo-te daqui até ao céu minha pirralhinha

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Um presente muito especial

Feito pela minha querida sogra que me fez tanto sorrir.



Uma ideia/vontade partilhada pelas duas que ganhou vida  pelas mãos de quem trata a arte por tu. Mais trabalhos em: https://www.facebook.com/pages/Arti-Batik/175587064619
Eu estou muito contente com este quadro lindooooooooo. Obrigada :)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Vale a pena pensar nisto...


Certamente não será a receita secreta da felicidade, mas de certeza que nos ajuda a saber viver melhor. Sempre tentando colocar isto em práctica. Consciente de que nunca atingirei a perfeição.

domingo, 7 de abril de 2013

O tempo passa...

... e o vazio mantém-se. Há dias fáceis de viver e outros bem dificeis de suportar.
Já sabia que iria ser assim. Se demorou muito para que aos 17 anos me habituasse à ausência do meu pai (mesmo depois de anos de cancro), com a minha filha só pode ser pior. Aliás, acho que nunca vai passar. À noite quando vou para a cama continuo a sentir um vazio enorme no lugar do berço (mesmo com a decoração do quarto mudada). Fecho os olhos e lembro-me dela ao meu colo a mamar durante a noite, o seu sorriso, o ar cúmplice quando me agarrava o dedo e não largava fazendo-me sentir que ia precisar de mim. E precisou! Tanto! Fiz o melhor que pude. Aguentei o mais que consegui e irei aguentar para o resto da minha vida tudo. Por ela e pela Joana.
Não tenho escrito pois o meu corpo quebrou aos últimos meses. Além do golpe fatal outras tantas coisas tristes me aconteceram a nivel familiar. Tristezas com as quais tenho lidado. Tristes porque poderiam ter outro fim e não tiveram. A escolha não foi minha. Aliás, há muito que tive de aprender a libertar-me das más escolhas de uma pessoa, que por muito que me magoe, não deixa de ser importante para mim.
Tenho andado a cuidar de mim e do meu corpo. Já controlo melhor a ansiedade de querer saber já o porquê da morte da Leonor (acredito que não foi por acaso). Sei que virá na altura certa. Quando eu estiver preparada.
Li nos últimos dias o livro "A cabana" de Paul Young que me emprestaram dias a seguir à morte da minha pirralhinha. Trata-se da conversa com Deus de um homem, cuja filha mais nova foi raptada e assassinada, sem nunca terem encontrado o seu corpo. Recomendo vivamente a sua leitura. Não estive, nem estou revoltada com a entidade superior que acredito que exista. Resignei-me quase que desde o instante em que peguei ao colo na Leonor, sem vida. Pelas coisas que vivi com ela e pelo que ela me fez sentir. Este livro é sem dúvida uma viagem contra os pré conceitos da religião. É um exercicio ao amor. Ao que temos por nós e por quem nos rodeia. Uma forma clara de ver para além do óbvio.
Marcou-me por conter algumas frases que uso há anos e por referir que o que nos magoa também acaba por nos ajudar. É disso que estou à espera desde o dia em que a Leonor morreu. Tal como lhe prometi, todos os dias a minha cabeça pensa no que posso mudar e fazer para dar sentido à sua partida.
Confesso que quando ela partiu recebi muitas mensagens de amigos e amigos de amigos a dizerem que deixaram de fazer isto e aquilo para aproveitarem ainda mais os seus filhos. Fiquei feliz por saber isso. Também eu tento usufruir mais da Joana e deixá-la usufruir mais de mim. Afinl num instante vai estar na idade em que não é cool passear com os pais e etc e tal. O que agora plantar com ela acredito que vou colher mais tarde.Quanto ela já for adulta e ainda se quiser aninhar no meu abraço. Um dos meus sonhos de sempre quando pensava em ser mãe. O mesmo abraço que dou e darei mentalmente à Leonor, todos os dias, até ao que quando fechar os meus olhos a reecontre do outro lado. Seja o outro lado o que for.

sexta-feira, 22 de março de 2013

A coragem dos outros

Oiço falar da minha e chega-me a de outros. Outros que, desde o primeiro segundo em que soube que tinha perdido a minha Leonor, sei que existem e que vão continuar a existir. Por muito duro que seja.
O video deste pai é uma inspiração. A luta destes pais é uma inspiração.
Por um filho faz-se tudo. Mesmo depois do nosso filho já estar onde só o podemos alcançar com o coração e com o espírito.
Obrigada amiga que com os 99 balões lembraste os 122 dias de vida da Leonor. Tê-la nas nossas vidas foi uma benção. Tal como é ter-te como amiga. Um beijinho no teu coração.

quinta-feira, 21 de março de 2013

A morte...

... faz-nos sempre reflectir sobre a vida. Mesmo quando quem parte viveu muito.
Os anos passam e a 9 dias de fazer 36 anos faço um rewind e um flashforward à minha (ainda curta) vida. Olho para o que me aconteceu e para os que partem e fico com a certeza que apesar de a morte ser a coisa mais certa que temos na vida, é importante pensarmos nela quando estamos vivos.

O que queremos que sintam quando partirmos? Não podemos assumir que quem mais amamos sinta a nossa falta senão os fizermos sentir amados, até lá.

O que queremos deixar de legado quando partirmos? Simplesmente existir não é um legado. É preciso fazer "obra". Mesmo que ela seja pequena, dentro de nós, com e com quem nos rodeia no nosso "mundinho". Não precisamos ser Einstein's, nem Princesas Dianas ou Michael Jackson's. Basta sermos fieis a nós próprios, vivermos com vontade e dar-mos o coração a quem queremos.

(Para mim) Amar e ser amado tem de ser a maior obra da vida. Porque,afinal, quando alguém parte o que é que fica senão a memória do amor e das coisas que se fizeram com amor?

quinta-feira, 14 de março de 2013

Hoje seria...

... o dia em que ia colocar aqui a foto da Leonor, com 6 meses. Tal como sempre fiz com a Joana.
Mas a minha pirralhinha trocou-me as voltas. Fez ontem dois meses que partiu para de onde veio. E eu cá ando. A habituar-me a não a ter. A sorrir. A rir. A aproveitar a vida e o sol. Porque, por muito que me custe a sua ausência, esta é e será sempre a  melhor maneira de a homenagear e honrar os seus (quase) 4 meses de vida neste mundo.

terça-feira, 12 de março de 2013

Obrigada pelo exemplo

Há vários dias que não escrevo... precisei e ainda preciso de ficar no meu mundo e viver pequenas coisas que tanto me fazem sentir a falta da Leonor. Depois falarei sobre isto.
O que venho aqui escrever hoje é que os sonhos se podem tornar realidade. Basta acreditarmos nelesv e lutarmos por eles e contra o medo. Sim, porque o medo está sempre à espreita. E quando não é o nosso, é o dos outros que tenta espicaçar o nosso.
Venho falar-lhes de uma amiga querida e do seu projecto: a Sister's Trend.
Um sonho. Uma vontade. A força enorme de uma mulher que todos os dias trabalha para "ganhar a vida", sem descurar cada pormenor da loja e da marca que criou. Um sítio que pensou não só para vender roupa, mas para que as mulheres que ali vão, saiam de sorriso nos lábios e de coração quente.
"Entre por esta porta agora, diga que se adora e em meia hora mude a sua vida", é a frase que está À entrada da loja e que designa o que a minha querida amiga quis criar. E conseguiu!
A Sister's Trend faz hoje 2 anos e a Vânia está de parabéns. Deu asas e forma ao seu sonho. Lutou, acreditou e continua a acreditar que pode fazer a diferença todos os dias.
Esta minha amiga é um exemplo de que temos de combater o medo, focar-nos no que a nossa alma deseja, acreditar e lutar para vencer. Seja com uma loja de roupa. Seja no que for.
Para mim, sem dúvida, um dos segredos da vida é dar-mos alma ao que desejamos.
Parabéns Sister's. Parabéns Vânia.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Sobre a coragem

A mensagem abaixo chegou-me através de uma amiga de alma. Não precisamos assim tanto de nos tocarmos e convivermos para sentir e saber que há almas que tocam as nossas. É o caso desta amiga. 

Desde que a Ninocas partiu e que a minha mãe teve o AVC na semana seguinte, que os dias têm sido de luta. De travar batalhas. Contra a dor. Contra aqueles que nos querem deitar abaixo. Contra a injustiça. 

Se há coisa que as minhas filhas vieram fazer foi ensinar-me a valorizar-me e a não ter medo. A viver cada vez mais com o coração, independentemente dos dedos apontados, das frases acusadoras e/ou dos olhares de soslaio. 
Houve tempos em que me sentia insegura. Há uma mês quando "perdi" a minha pirralhinha chegaram-me frases de apoio de pessoas que comigo conviviam na altura e que me surpreenderam. Referiam a minha coragem. A minha garra. A minha obstinação.

A verdade é que hoje sou o que sou devido à minha obstinação em ouvir a minha voz interior. Deixei de permitir que me inferiorizassem e lutei para ter tudo o que tenho hoje. Realização no amor. Realização no que faço. 

Se foi preciso coragem? Pelo texto abaixo "parece" que sim. Aquilo que sinto é que sempre me obriguei a lutar contra o medo e fazer tudo com o coração. Mesmo que depois ele me doa. Como me dói no dia de hoje. 


"A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada." Osho

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

20 anos...

... da TVI, aos quais não consigo passar indiferente.
Porquê?
Porque a TVI nasceu quando eu terminava o liceu e queria ser jornalista. Porque foi na TVI que eu estagiei depois do meu curso de jornalismo. Porque foi para a TVI que trabalhei nos últimos 9 anos a escrever histórias e a inventar personagens.
Porque foi na TVI que conheci a amiga que me levou ao amor da minha vida. Ao pai das minhas filhas. Ao homem, só com quem poderia estar a viver esta perda.
Ao ver o que no Mundo aconteceu e mudou em 20 anos, percebi o quanto vivi e o quanto cresci. Na correria do dia-a-dia, esquecemo-nos de tantas e outras coisas, que acabam por ficar gravadas na História do país e das gentes.
Ao ver o que o Mundo e Portugal viveram nestes 20 anos, ganhei consciência dos meus cabelos brancos, que já teimam em aparecer e, de que deixei de ser aquela menina com o sonho de mudar o Mundo através da escrita.
Conheci a redacção da TVI e conheço bem de perto a ficção. Tenho amigos e conhecidos de ambos os lados. E posso afirmar, sem dúvida, que a TVI é uma casa feita, com muito boa vontade, com amor ao que se faz, por quem consegue fazer omoletes sem ovos. Os mesmos, que no dia em que a crise financeira deixar de ser desculpa e/ou causa (consoante a situação) tenham o devido reconhecimento.
Este post é para aqueles (que eu e eles sabemos) estão verdadeiramente de parabéns.
O meu desejo para os próximos 20 anos na televisão em Portugal? Que aprendamos a fazer mais e melhor televisão. Com mais imaginação, ousadia, risco. Deixando de multiplicar os formatos em mais vezes, dos que as porções do pão de Jesus aos apóstolos na última ceia. Que a falta de dinheiro deixe de ser desculpa. Que mais do que nunca as coisas sejam feitas de mente e alma aberta. Que se ouse rasgar mais do que uma mira televisiva. Que se ouse fazer história, sem nos contentarmos com pouco.