quinta-feira, 29 de novembro de 2012

4 anos...

... de uma vida mais rica. De uma descoberta maravilhosa que me vai acompanhar para sempre. Mesmo quando fechar os olhos, continuará a fazer parte da minha alma.
Faz hoje 4 anos que nasceu a minha primeira filha: a Joana. Um bebé muito desejado que veio fortalecer o nosso amor e deliciar-nos com a descoberta do que é ser mãe e pai. Com todas as doçuras e com todas as coisas que nos põem os cabelos em pé.
A Joana nasceu com pose pensativa e nestes 4 anos tem-se mostrado deveras pensadora com a sua perspicácia sempre aguçada. Não quero sofrer da síndroma de que a minha filha é a melhor, isto e aquilo. Sei que não. Mas delicio-me com a descoberta das suas descobertas. Com o jeito natural para a batotice nos jogos de memória, com a sua rapidez de respostas que nos deixam a conter uma gargalhada e a obrigar-nos a fazer um ar sério e a ter de lhe dar um sermão.
Sem dúvida que a nossa Joana é uma pirosa cor-de-rosa. Mais do que alguma vez imaginei que pudesse ser e sem grandes incentivos.
Hoje aos seus 4 anos, sente-se crescida e importante, apesar de continuar a adiar a retirada da chucha para dormir.
Hoje aos seus 4 anos acordou a meio da noite para ir para o quentinho da mãe e do pai, que não tem juntos todos os dias, e não se esqueceu de lembrar: "mãe, eu hoje faço anos tens de me dar os parabéns". Mal acordou de manhã fez questão de dizer o mesmo ao pai e em seguida correr para o quarto da avó e gritar: "Vóvota hoje é o nosso dia". Ao chegar à escola a preocupação manteve-se: "Pai, espero que os meninos estejam a preparar a minha festa".
Não saiu de casa sem a coroa que tanto pediu para exibir na cabeça e que pediu para ter no bolo de aniversário, que eu vou fazer... não sei muito bem como. Vou estrear-me na pasta de açúcar sem ter jeitinho nenhum. Mas é mesmo isto que os filhos nos fazem: impelem-nos a ultrapassar barreiras, a deixar um não de lado, a tentar e a conseguir porque mais valioso do que qualquer fortuna é o seu sorriso, o brilho nos seus olhos.
Quis o destino que nascesse no mesmo dia de anos da avó paterna e a ligação que têm enternece-me. A vóvota é o ponto de refúgio quando a mãe ralha e que ela escuta com atenção. É a cúmplice nas horas das brincadeiras e a fonte de riso quando a mesma se atrapalha: "mãe, a vóvota enganou-se".
Há 4 anos sabia que estava prestes a fazer uma grande descoberta. Sabia a grande e magnânime. Mas senti-la, de dia para dia, de ano para o ano, torna-se ainda mais avassalador. Um sorriso é um elixir. Uma dor uma facada no coração. Uma doença uma sensação de impotência. Todos os dias a vontade de proteger a nossa cria de tudo o que lhe possa fazer mal degladeia-se com a certeza de que é importante que aprendam sentimentos como a frustração, a negação, entre outros. Ser mãe é isto, mas é muito mais. Agora sinto isto duas vezes, porque sei que com a Leonor não será diferente.
À minha Joana agradeço-lhe os mimos e o facto de fazer de mim uma mãe melhor. Eu tenho de lhe ensinar valores e de a ajudar a formar-se, mas ela também me ensina muito. Sempre acreditei que os filhos nos trazem muito mais do que amor e realização e mais do que nunca sinto isso. Eu sou uma "mestre" para a sua vida, mas ela também o é para mim. Começou logo na gravidez, quando desde cedo me obrigou a ser uma pessoa menos stressada. E cada vez mais o faz quando me testa até ao limite e me obrigada a tentar arranjar um equilíbrio entre a paciência e a educação necessárias.
Tudo se resume a duas frases: A minha vida sem a Joana não teria este valor, esta importância, esta riqueza. A minha vida sem as minhas filhas seria um vazio.
Sempre quis ter filhos, mas longe de imaginar que me iriam enriquecer tanto e fazer tão feliz.
Lugar comum ou não, a verdade é mesmo essa: mais do que qualquer conta bancária as minhas filhas são a minha maior riqueza. O que tenho de mais puro. O que tenho de mais sincero.
Obrigada à minha Joana por me ter feito mãe.

domingo, 18 de novembro de 2012

Mais tóninó que nunca...

Mas com uma serenidade grande cá bem dentro do meu peito. Os últimos dias não têm sido fáceis. Notícias desagradáveis umas atrás das outras... mas cada vez mais a certeza de que a vida é para ser vivida sem pudor ou entremeio  Temos de ser fieis a nós mesmos. Temos de ser felizes.  O que os outros dizem de nós é secundário. Perdi um tio que ganhei com o meu casamento repentinamente quando na mesma semana vi outros brincarem com a morte, desdenhando da vida, apenas para serem o centro das atenções. É ingrato que quem ame a vida parta cedo e quem a desdenhe continue por cá. Talvez seja a vida a querer dar lições a quem consigo brinca. Uma espécie de castigo à antiga onde se ia com orelhas de burro para um canto da sala.  
Fui mãe pela segunda vez há dois meses e não há explicação para este milagre de vida. Temos de celebrar a vida, aproveitar casa dia como se fosse o ultimo mesmo quando a Segurança Social nos deu uma informação errada e agora nos envia uma conta que não fazemos a mínima como é que vamos pagar.Que se lixe o Sócrates, o Passos Coelho, o preço da gasolina e essas merdas todas que só servem para nos tirar o sono. O que eu gostava de dar um antídoto às minhas filhas para que se tornassem imunes a estas tormentas inevitáveis da vida. Não posso! Como é que vou prepará-las? Não sei bem, mas acho que amando-as cada vez mais com mais força a cada batida do meu coração. Ensinar-lhes que podem chorar mas que a cada dia que passe têm de olhar ao espelho e dizer que gostam de si, pegar no telefone e dizer que gostam a quem sintam que o devem fazer, abrir a janela e sentir bem profundamente o cheiro da terra olhada ou o calorzinho do sol de inverno a bater na cara. 
Pode ser poético, mas é mesmo isto. No fim de contas, quando a vida se apaga, e as contas se fazem inevitavelmente o que é que fica? As gargalhadas, os abraços, o amor que se sentiu e que se fez sentir. Grande parte do que se vive e verdadeiramente importa não é visível como disse tão bem Exupéry.