sexta-feira, 7 de setembro de 2012

L. a peste doce nº 2

Pois é verdade, depois de muitas ameaças, a L. ainda não nasceu. Amanhã são 39 semanas e as contracções acalmaram. Ela continua a pontapear-me frequentemente e intensamente, mas sinal de querer vir a este mundo, nada.
Decerto não lhe apetece ouvir o Primeiro Ministro, tal como a mim, mas já fazia o favor de vir a este Mundo, que eu sei cada vez mais cinzento, para o colorir um pouco mais.
Ontem andei no paredão, fui ao Guincho, andei à noite e o resultado foi uma das noites mais calmas e serenas dos últimos dois meses e meio :)
A L. tem-me ensinado que nada se planeia. Vive-se um dia de cada vez e tudo muda num segundo. Não é que eu já não soubesse, mas ela tem-se certificado que eu não esqueça a lição daqui para a frente.
Prova disso é mais esta espera para a ter nos nossos braços. Estamos ansiosos para a ver. Confesso que não estou ansiosa pela falta de dormir que se avizinha, mas super ansiosa por a ver crescer ao lado da irmã, que tanto a "adivinhou" e tanto cresce dia após dia. Não vejo a hora de ver um dos meus sonhos realizados e ter as minhas filhas lado a lado.
Uma coisa é certa. Já tenho duas pestes.

Traquinices de 95cm

Na segunda-feira foi dia de começar o ano escolar já na sala da pré, pois em Novembro faz os 4 anos.
Feliz por ser crescida, apesar de já notarmos alguns retrocessos devido ao iminente nascimento da L., a J. seguiu para a escola a repetir que já não é bebé. Deixar a chucha a que se agarrou aos 18 meses é que está difícil. Mas isso são outras histórias.
À tarde o pai foi buscá-la e a educadora fez questão de contar o que a minha "já crescida" filha decidiu fazer na sua sala da pré.
Em combinação com uma das colegas, pediram à vez para ir à casa de banho. Já lá, fecharam-se ambas num cubículo a brincar e a rir. A educadora que estava de olho nas duas pestes pequenas foi atrás e ouviu a J. a rir feliz da vida e a comemorar dizendo:
- Enganamo-la!
Pensei que estas coisas só viessem lá para a primária, mas a verdade é que com 3 anos e meio, tentar escapulir-se da aula já é uma realidade.
Nem quero pensar no que me espera daqui a uns anos.
Por agora rio e sorrio com este despacho todo e astúcia da minha piolha que ainda nem tem um metro de altura.

Os genes falam mais alto?

No passado sábado tivemos o casamento de um primo querido. A missão da J. foi entregar as alianças. Ciente e orgulhosa da sua responsabilidade comportou-se mais do que à altura, atirando por terra todos os receios dos pais, vóvota e titi-vóvó.
Já na segunda enquanto se preparava para ir para a escola, decidiu pegar num canudo de cartão do papel higiénico e fazer dele microfone para a sua reportagem.
As primeiras perguntas foram de imediato sobre o vestido da noiva:
- Estava bonita, não estava?
- E o príncipe também, não era?
A vóvota não escapou ao interrogatório, mas decidiu entrar na onda das perguntas:
- E a vóvota não estava linda?
A "repórter" de 3 anos e meio, apressou-se a manter o tema da conversa e respondeu à entrevistada com ar sério e crescido:
- Vóvota, não estou a falar disso agora.
Uma vez mais as gargalhadas foram difíceis de conter, bem como, o meu aperto no coração de a ver instintivamente fazer o que já fiz como profissão.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O que é que a ficção tem de real?

Corria a avó apressadamente para o quarto, pois não nos podíamos atrasar para ir buscar o príncipe (leia-se pai) ao aeroporto, e a J. não hesitou em analisar o momento: "A vóvota parece os três porquinhos a fugirem do lobo mau".
Saliento que ela não viu o filme, apenas ouve a história e que a avó, nem de perto nem de longe, tem o tamanho dos três ditos. A velocidade a que se deslocou só pode ser a justificação para o fato de a J. a comparar a três e não a apenas um.
O detalhe é deveras delicioso e fico super feliz com o fato dela conseguir pegar na história que escuta. imaginá-la e traze-la para a sua realidade.