quarta-feira, 25 de julho de 2012

Completamente "tóninó"

Pois que no início do mês informei a escola da J. que em Agosto ela só iria na última semana. A ideia era ela ficar a partir de dia 30 de Julho em casa comigo, de férias. Termos tempo para as duas antes da chegada da L. Fazer praia e piscina sem horários, que os miúdos também merecem. Não tendo a oportunidade deste ano sair daqui por uns dias, estarmos juntas e aproveitar o que nos rodeia - e que poucos têm, sorte a nossa! - era uma boa.
Acontece que entre as mil e uma coisas que nos estão a acontecer (ao M e a mim) troquei-me com os dias todos. Meti na cabeça que esta segunda-feira era dia 30, e apesar de o ter comentado com toda a gente - de família, a amigos e educadoras da escola - ninguém me disse nada. Todos pensaram que tinha mudado de ideias. A partir de sábado disse à J., que sim que já estávamos de férias. E foi às 4 da manhã de segunda-feira - horário preferido da L. para me acordar com pontapés e pressões nas costelas - que me caiu a ficha. Afinal era dia 23 e faltava uma semana! E agora? Não ia dizer à miúda, que afinal me enganei porque estou completamente "tóninó" e mandá-la para a escola. E eis que entrámos de férias!
Hoje, três dias passados destas férias antecipadas, chego à conclusão que deve ter sido melhor assim. Daqui a três semanas posso ter uma semana para mim, numa altura em que me parece que me vai custar mais "arrastar-me" com a L. sentada dentro de mim. Nada acontece por acaso. Acredito que daqui a uns tempos escreva algo que reitere esta decisão de mãe "tóninó".

sábado, 21 de julho de 2012

Cumplicidade sem palavras

Hoje o dia teve um revés e assim que estive com a J. pedi-lhe um beijo e um abraço. Não há como o carinho dos nossos filhos para nos aquecer o coração e fazer esquecer o que nos entristece. Depois de umas brincadeiras na piscina, estivemos a apanhar sol na varanda, pois a rapariga não queria ir tomar banho. E foi aqui que ao som da música que se fazia ouvir de uma festa vizinha que a minha pirralha me desafiou a dançar. Lado a lado, e ao mesmo ritmo, dançámos. Foi muito engraçado vê-la a abanicar os ombros tal e qual como eu. Da espreguiçadeira do lado saltou para o meu colo (eu estava semi deitada) e começou a dançar como uma crescida. Dança bem. Tudo o que fiz - nada infantil - ela imitou na perfeição. Parámos a olhar uma para a outra, sorrimos e de seguida gargalhámos retomando a dança. (Vai começar cedo a pedir-me para sair à noite. Tenho a certeza. Já o achava quando a vi dançar Boss Ac e Rihanna com o pai ao domingo de manhã. Hoje perderam-se as dúvidas). E foi neste momento simples, que a cumplicidade falou mais alto e na minha cabeça se acendeu a luz que diz que por muito que haja coisas que nos deitem abaixo, estes momentos com os nossos filhos são a maior riqueza que temos. É verdade que não nos pagam as contas, mas não há melhor ajuda para ultrapassar todos os problemas. 
Os filhos deveriam ser cada vez mais vistos como seres com os quais temos uma ligação inexplicável e não só pelo fato de "sairem muito caros" - como já ouvi dizer. Os nossos filhos não precisam do "tudo" material, precisam desta cumplicidade, de sentir este amor e esta proximidade que não é feita pelo número de sapatos, roupas de marca ou toneladas de brinquedos. Tenho a certeza que aquele momento valeu muito mais do que qualquer roupa que lhe tivesse comprado.

sábado, 14 de julho de 2012

Porque o amor não tem distância

E o skype ajuda muito.
A J. fala e brinca todos os dias com o pai, via skype. Brincam e conversam via internet. O que mudou na relação dos dois? Apenas o fato dele não estar ao pé dela em carne e osso. Ela continua a sentir o amor do pai e a fazer sentir o dela.
A distância para a J. não é um problema. É claro que sente alguma falta do pai e fala nisso com naturalidade.  Sabe que por agora tem de ser assim, mas que estamos todos juntos e que vamos estar todos juntos fisicamente.
Tinha receio de como iriam correr as coisas. É verdade que os miúdos se adaptam a tudo, mas estamos a falar das bases da J. : pai e mãe.
O segredo foi não complicar, tratar de tudo com naturalidade e sem mentiras ou enganos.
A J. está feliz e isso é o mais importante para nós. As saudades existem, mas um beijinho soprado de um lado para o outro e guardado no coração faz maravilhas. A cumplicidade dos dois é tanta que já têm uma brincadeira muito própria que fazem via skype. A destreza dos dedos da J. também já se apurou no envio de ícones para o pai.
Estamos "longe", mas com a certeza de que temos a nossa filha feliz. Há coisa mais importante para um pai e uma mãe?

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Limpezas...

... da casa...que acabam por também ser limpezas da vida.
Hoje a esvaziar gavetas encontrei mil e uma coisas que nem sabia que estavam ali guardadas e que na hora de decidir o que guardar, acabaram no saco do lixo. 
Perguntei-me por que é que guardamos tanta coisa no nosso dia-a-dia? E olhem que eu já tenho aversão a acumular coisas e de vez em quando dou uma geral!
Ao limpar a minha casa dei por mim a pensar porque tenho isto ou aquilo. A realidade é que precisamos de bem menos do que aquilo que achamos. 
A última semana também me mostrou e ensinou que a nossa casa é a NOSSA casa, pela ALMA que lhe damos. Não são os móveis Ikea, Moviflor, Bo Concept ou o que for que fazem a diferença. É o que somos. O nosso cheiro. O nosso toque. A nossa essência. Porque na hora de "fechar" a porta, o que fica é o que vivemos, o que guardamos na memória e no coração. As memórias sim são os "móveis" que carregamos pela vida. E como o próprio nome indica são móveis, não precisam de estar sempre fixas para existirem. Estão onde nós estivemos. Estão onde nos sentimos bem. Estão onde a nossa alma está.
A J. já me ensinou a viver com mais calma. A L. está a dar-me uma segunda lição de como viver um dia de cada vez.  Eu só lhes tenho muito a agradecer, pois acho que tudo isto me ajuda a ser melhor mãe, além da experiência de vida que vou ter para lhes passar.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Beijos de Boa Noite

Desde que a J. estava na minha barriga que criei o ritual de lhe dar as boas noites. Ritual que também já tenho com a L.. Já cá fora, um beijinho na testa, quando era mais bebé, tornou-se num beijo repenicado e num abraço apertado, à medida que a J. foi crescendo. Confesso que com uns "lambe-vaca" (lambidelas na cara ensinadas pelo pai) da parte dela, com uns de vingança minha e muita risada há mistura. Há quase um mês que o M. foi para fora e, apesar de não ser novidade, ter o pai a trabalhar à distância, a verdade é que agora ela já não tem ano e meio e a distância é muito, mas muito maior. A necessidade de manter o ritual do beijo de boa noite do pai, partiu do pedido do mesmo, de lhe dar um beijo e dizer que é do pai. Assim o fiz e a "princesa rosa" (como ela gosta de se auto denominar), aproveita há já várias noites para trocarmos beijos em nome dos familiares que estão longe, da irmã que está na minha barriga, dos amigos, das educadoras da escola... A cada dia tem a sua lista feita na hora, para brincar comigo e adiar por segundos a entrada na cama, beijar-me e ser beijocada, nuns minutos de grandes "mimices".
Os últimos tempos não têm permitido a leitura de uma história ao deitar, mas sinto que estamos a fazer história na história das nossas vidas, com estes beijos e abraços e as mimices que trocamos, em nome dos que estão perto e dos que estão longe.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Coração de mãe

"Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!" 

A frase circula como sendo de José Saramago mas, segundo a Fundação do mesmo, não é da sua autoria. Seja de quem for é uma grande verdade, e enquanto mãe, sinto que é das primeiras lições que os nossos filhos nos ensinam. 
Sim, porque nós ensinamos-lhes muita coisa, mas há que assumir que aprendemos tanto ou mais com eles. Coisas que se eles não existissem na nossa vida, com esta ligação que ultrapassa as explicações cientificas da genética, não aprenderíamos. 
Hoje tenho o coração apertado. E quando se aperta, a minha vontade é de me isolar do mundo com a J. Abraçá-la, beijá-la, brincar com ela. Sem lhe passar o que sinto, aproveitá-la ao máximo, mimar-me com ela. Mas a verdade é que nos seus 90 e tal cm de gente, ela já tem a sua vida e não posso desviá-la dela. Os amigos, a escola, a praia. As emoções de uma idade em que tudo é visto com um sorriso mais do que rasgado e um brilho nos olhos sem igual (enquanto adultos, não deveríamos nunca perder esta capacidade). 
E pronto, lá fui deixá-la à escola com o meu mimo e grande sorriso de sempre para a J. fazer a sua vida.
E fiquei a pensar, são este pequenos momentos que nos vão treinando o coração para o dia em que eles sairão definitivamente do ninho e voarão sabe-se lá para onde. O coração de mãe, esse ficará apertado, mas continuará a bater e a ser feliz sempre pelo sorriso e pela felicidade daquilo que sempre sentiremos como "nosso", mas não o é. O que será sempre meu, dela, do pai e de quem a rodeia é e será sempre a relação que construirmos. 

domingo, 8 de julho de 2012

De volta à blogosfera


Depois de ter encerrado o Irinadeolhosembico há mais de um ano, a L., dentro da minha barriga, e a J., aqui fora, muito me têm dado vontade de voltar a escrever, sobre o meu dia-a-dia como mãe e como mulher. 
Este blogue nasce às 30 semanas de gestação da L. Uma gravidez que tem sido uma alucinação, por tudo quanto nos tem acontecido e, pela quantidade de mudanças que estamos a fazer na nossa vida. 
O nome mãe "toninó" surge porque:- Mãe - a base deste blogue sou eu como mãe... e no fundo como mulher. As duas coisas são indissociáveis. - "Tóninó" - porque é assim que a J. - apesar de falar super bem e usar expressões como "ora vejamos" -  diz tinóni. 
E é assim, "toninó" que me sinto como mãe e mulher, nestas aventuras e desventuras que os últimos meses nos têm dado... e que o futuro, certamente, nos reserva. Até já.