terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A sexualidade dos nossos filhos

No meu caso, das minhas filhas.
Ontem ao ler a seguinte notícia do Expresso: http://expresso.sapo.pt/centenas-de-casais-igayi-deram-o-no-em-washington=f772746 e depois de ver as respectivas fotografias, uma vez mais reiterei na minha mente, que a sexualidade das minhas filhas só me importa no sentido de que sejam bem resolvidas e felizes.
Há pouco tempo perguntaram-me o que eu faria se uma das minhas filhas fosse lésbica. Respondi que seria uma preocupação acrescida, porque as pessoas são cruéis e, caso isso aconteça elas poderão sofrer um pouco mais, por serem consideradas (como dizem) "diferentes".
A mim importa-me que as consiga educar para que estejam bem com elas próprias e com a sua sexualidade, seja ela padrão ou não.
A mim importa-me que as minhas filhas não se importem com o que digam delas.
A mim importa-me que as minhas filhas me digam que são felizes. Que amam e se sentem amadas.
Há fotos desta notícia do Expresso que falam por si só. Muitos casais, decerto juntos há anos, como o caso as senhoras de mais idade, que se amam há anos e que estavam impossibilitados de poder casar como todos os outros seres humanos, apenas porque a sua sexualidade não implica a reprodução e a tabela das coisas certas de muitos. Coloco-me no lugar desta gente, no que passou, no que chorou, no que sentiu, no que teve de lutar dentro de si e com os outros, para poderem ser quem são. Ser lésbica ou homossexual implica ser diferente. Implica um olhar de lado. Implica um não és normal ou um és isto ou aquilo.
Como mãe e querendo apenas que a sexualidade das minhas filhas (quando chegar a altura) seja a coisa mais natural e fácil para elas, penso que só tenho de as educar para serem felizes. Com quem e como? É se secundário. Não é o sexo que prevalece  mas sim os valores do amor, do carinho, da atenção, da compreensão, da união que é precisa numa relação.
O conto de fadas continua a ser entre um príncipe e uma princesa... defendem-me que é a questão da genética que tem de prevalecer, o passar de gerações. Tudo isso continuará a acontecer e o mundo será um lugar melhor quando ninguém se sentir mal e tiver vontade de se esconder seja porque é homossexual  gordo, magro, zarolho ou o que for.
É isto que vou passar às minhas filhas: "Sejam vocês mesmas e façam o favor de ser felizes"

Arroto

Cantava alegremente a J. no carro quando a fui buscar à escola: amor, caridade, perdão, igualdade.
Perguntei se ela sabe o que é perdão e a resposta foi rápida:
- Sim.
Eu - Então o que é?
J. - É o arroto.
Eu - O arroto?!
J. - Sim. Quando comemos e arrotamos pedimos perdão e as mães dizem bom proveito.
Depois desta explicação deliciosa achei que não valia a pena entrar em conversas mais profundas, senão  não poderia "arrotar-me", entenda-se perdoar-me.
Uma lição está aprendida, o resto virá com o tempo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Na ponta dos dedos...

A J. mexe no ipod do avô como nem ele próprio mexe. Eu então?! God, sinto-me cada vez mais idosa por não ter tanto à vontade em manusear o dito cujo.
Acontece que hoje a J. estava a ver o seu Ruca no dito ipod e minutos depois veio a correr:
- Mãe, olha o Mickey Mouse no ipod do vóvoto - gritou.
- Boa. - Respondi eu, achando que o avô tinha cedido a mais um pedido da neta.
Acontece que minutos depois ouvi o mesmo avô preocupado com o facto de não ter feito nada e não saber de onde veio o tal rato Mickey.
Investigação feita após a J. ver o seu episódio o veredicto foi que ela entrou no youtube. Como é que puxou um video do Mickey Mouse para o ver? Boa pergunta. Estamos sem resposta.
A verdade é que a tecnologia de hoje é feita para a ponta dos dedos e os miúdos parecem nascer já a dominá-la.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Há dias assim...

... em que se quer escrever sobre uma coisa gira, mas a que mais nos palpita no peito não nos faz sorrir assim tanto.
A minha pirralha mais velha está triste com o regresso do pai a Inglaterra e isso notou-se nestes dias. Não que chore, mas já me disse duas vezes que tem saudades do pai. Expliquei-lhe que eu também e combinámos pedir mimos uma à outra quando sentirmos saudades.
A verdade é que a minha peste doce, apesar de mega feliz com a sua mana tão desejada, perdeu espaço no meu horário para ela, que agora é muitas vezes dividido com a irmã, apesar dos meus esforços e com a ausência do pai, está mais mimosa. Tirando as birras manipuladoras para tentar conseguir o que almeja, a peste doce, está a aprender a lidar com esta nova fase da nossa vida.
Sei que não vai ficar traumatizada, mas ver o meu bebé a lidar com este sentimentos aperta o coração. A verdade é que este é apenas um momento menos fácil da sua vida. igual a tantos e tantos que viverá pela vida fora.
E no meio de coisas menos sorridentes, faz-me sorrir a forma como nos unifica e que projeta na irmã o que sente. A irmã chorava ontem com cólicas e a J. apressou-se a dizer:
- A mana está a chorar porque também tem saudades do pai, mãe.
Não é de partir o coração e enchê-la de beijos?!
A minha loirinha pequenina está uma menina e o bom destes dias em que nos voltamos a habituar a viver sem ser a 4, são as conversas sobre a vida que nos espera.
- Na televisão em Inglaterra só se fala em inglês, não é mãe?
Apesar de estar bem onde estou, não vejo a hora de vivermos em família outra vez.
Estamos unidos e certos de que demos o passo mais acertado para o nosso futuro e das nossas filhas, e vamos buscar forças para o que temos pela frente, ao que sentimos, ao que nos une e ao que a 4 temos construindo e vamos construir.
Na soma de tudo, sobressaem o sorrisos, as palavras de afecto, a determinação e o amor que nos une. Aos 2 como pai e mãe. Aos 4 como família.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Magia...

do Natal e da Vida.
O Natal é  quando quisermos que seja. Mais do que a celebração católica ou a correria e preocupação desmedidas em comprar presentes, o Natal é MAGIA.
Este ano, já tive, já  tivemos Natal. Para aproveitar o facto de estarmos todos juntos e de este ser o primeiro em 9 anos que eu e o meu Mig, o vamos passar separados, e o primeiro da Joana sem o pai, decidiu-se fazer Natal familiar mais cedo, a 1 de Dezembro. E não é que parecia mesmo Natal?
O Miguel lá se vestiu de Pai Natal, depois de uma aventura em improvisar roupa, já que o fato que comprou na loja do chinês era do tamanho de criança.
Com a Joana colada à janela a olhar para o céu pois a vóvota disse-lhe que tinha visto passar o trenó, improvisámos histórias do porquê do Pai Natal está a demorar.
- Deve ter ido fazer um xixi - disse eu.
- E se calhar cocó, mãe. - salientou a Joana. E se calhar também dar um pum. - fez questão de acrescentar.
A inocência das crianças é deliciosa e chega a fazer inveja aos adultos moldados pelo crescimento e pela sociedade.
De olhos postos na varanda, arregalou os olhos que ficaram incandescentes de tanto brilho, assim que viu o Pai Natal assomar na varanda. Com a sala pouco iluminada para que não se visse a indumentária ( que só vestia a parte da frente do corpo do Mig) improvisada com uma manta vermelha do IKEA e fita isoladora, o Pai Natal ficou a uma das janelas da sala. Perguntou pela Joana que timidamente disse olá e que ele podia entrar.
Agarrada à minha perna estava no seu mundo de criança a realizar as conversas do último mês. Apesar de não se calar com um boneco de máscaras, vibrou e pulou de felicidade ao abrir o presente deixado pelo Pai Natal: uma tenda.
Em menos de cinco minutos nós, os adultos, viajámos ao sabor da inocência e da imaginação da minha Joana. No dia seguinte contou aos amigos o seu privilégio de ter o Pai Natal mais cedo na sua casa. Com o coração quentinho por ter visto o senhor das barbas brancas, a minha peste doce faz da sua tenda (que não era um pedido natalício) as delícias do seu dia-a-dia.
A verdade é que mais do que o presente x,y ou z a importância para as crianças está na MAGIA. Aquela que nos faz sonhar e acreditar que tudo é possível.
A MAGIA que não devemos perder à medida que crescemos.
A MAGIA que devemos forçar-nos a manter nas nossas vidas.
A MAGIA que, por mais pequena que seja, nos ajuda a superar os momentos mais difíceis e a ver uma luz ao fundo do túnel, mesmo quando ela ainda lá não está.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

4 anos...

... de uma vida mais rica. De uma descoberta maravilhosa que me vai acompanhar para sempre. Mesmo quando fechar os olhos, continuará a fazer parte da minha alma.
Faz hoje 4 anos que nasceu a minha primeira filha: a Joana. Um bebé muito desejado que veio fortalecer o nosso amor e deliciar-nos com a descoberta do que é ser mãe e pai. Com todas as doçuras e com todas as coisas que nos põem os cabelos em pé.
A Joana nasceu com pose pensativa e nestes 4 anos tem-se mostrado deveras pensadora com a sua perspicácia sempre aguçada. Não quero sofrer da síndroma de que a minha filha é a melhor, isto e aquilo. Sei que não. Mas delicio-me com a descoberta das suas descobertas. Com o jeito natural para a batotice nos jogos de memória, com a sua rapidez de respostas que nos deixam a conter uma gargalhada e a obrigar-nos a fazer um ar sério e a ter de lhe dar um sermão.
Sem dúvida que a nossa Joana é uma pirosa cor-de-rosa. Mais do que alguma vez imaginei que pudesse ser e sem grandes incentivos.
Hoje aos seus 4 anos, sente-se crescida e importante, apesar de continuar a adiar a retirada da chucha para dormir.
Hoje aos seus 4 anos acordou a meio da noite para ir para o quentinho da mãe e do pai, que não tem juntos todos os dias, e não se esqueceu de lembrar: "mãe, eu hoje faço anos tens de me dar os parabéns". Mal acordou de manhã fez questão de dizer o mesmo ao pai e em seguida correr para o quarto da avó e gritar: "Vóvota hoje é o nosso dia". Ao chegar à escola a preocupação manteve-se: "Pai, espero que os meninos estejam a preparar a minha festa".
Não saiu de casa sem a coroa que tanto pediu para exibir na cabeça e que pediu para ter no bolo de aniversário, que eu vou fazer... não sei muito bem como. Vou estrear-me na pasta de açúcar sem ter jeitinho nenhum. Mas é mesmo isto que os filhos nos fazem: impelem-nos a ultrapassar barreiras, a deixar um não de lado, a tentar e a conseguir porque mais valioso do que qualquer fortuna é o seu sorriso, o brilho nos seus olhos.
Quis o destino que nascesse no mesmo dia de anos da avó paterna e a ligação que têm enternece-me. A vóvota é o ponto de refúgio quando a mãe ralha e que ela escuta com atenção. É a cúmplice nas horas das brincadeiras e a fonte de riso quando a mesma se atrapalha: "mãe, a vóvota enganou-se".
Há 4 anos sabia que estava prestes a fazer uma grande descoberta. Sabia a grande e magnânime. Mas senti-la, de dia para dia, de ano para o ano, torna-se ainda mais avassalador. Um sorriso é um elixir. Uma dor uma facada no coração. Uma doença uma sensação de impotência. Todos os dias a vontade de proteger a nossa cria de tudo o que lhe possa fazer mal degladeia-se com a certeza de que é importante que aprendam sentimentos como a frustração, a negação, entre outros. Ser mãe é isto, mas é muito mais. Agora sinto isto duas vezes, porque sei que com a Leonor não será diferente.
À minha Joana agradeço-lhe os mimos e o facto de fazer de mim uma mãe melhor. Eu tenho de lhe ensinar valores e de a ajudar a formar-se, mas ela também me ensina muito. Sempre acreditei que os filhos nos trazem muito mais do que amor e realização e mais do que nunca sinto isso. Eu sou uma "mestre" para a sua vida, mas ela também o é para mim. Começou logo na gravidez, quando desde cedo me obrigou a ser uma pessoa menos stressada. E cada vez mais o faz quando me testa até ao limite e me obrigada a tentar arranjar um equilíbrio entre a paciência e a educação necessárias.
Tudo se resume a duas frases: A minha vida sem a Joana não teria este valor, esta importância, esta riqueza. A minha vida sem as minhas filhas seria um vazio.
Sempre quis ter filhos, mas longe de imaginar que me iriam enriquecer tanto e fazer tão feliz.
Lugar comum ou não, a verdade é mesmo essa: mais do que qualquer conta bancária as minhas filhas são a minha maior riqueza. O que tenho de mais puro. O que tenho de mais sincero.
Obrigada à minha Joana por me ter feito mãe.

domingo, 18 de novembro de 2012

Mais tóninó que nunca...

Mas com uma serenidade grande cá bem dentro do meu peito. Os últimos dias não têm sido fáceis. Notícias desagradáveis umas atrás das outras... mas cada vez mais a certeza de que a vida é para ser vivida sem pudor ou entremeio  Temos de ser fieis a nós mesmos. Temos de ser felizes.  O que os outros dizem de nós é secundário. Perdi um tio que ganhei com o meu casamento repentinamente quando na mesma semana vi outros brincarem com a morte, desdenhando da vida, apenas para serem o centro das atenções. É ingrato que quem ame a vida parta cedo e quem a desdenhe continue por cá. Talvez seja a vida a querer dar lições a quem consigo brinca. Uma espécie de castigo à antiga onde se ia com orelhas de burro para um canto da sala.  
Fui mãe pela segunda vez há dois meses e não há explicação para este milagre de vida. Temos de celebrar a vida, aproveitar casa dia como se fosse o ultimo mesmo quando a Segurança Social nos deu uma informação errada e agora nos envia uma conta que não fazemos a mínima como é que vamos pagar.Que se lixe o Sócrates, o Passos Coelho, o preço da gasolina e essas merdas todas que só servem para nos tirar o sono. O que eu gostava de dar um antídoto às minhas filhas para que se tornassem imunes a estas tormentas inevitáveis da vida. Não posso! Como é que vou prepará-las? Não sei bem, mas acho que amando-as cada vez mais com mais força a cada batida do meu coração. Ensinar-lhes que podem chorar mas que a cada dia que passe têm de olhar ao espelho e dizer que gostam de si, pegar no telefone e dizer que gostam a quem sintam que o devem fazer, abrir a janela e sentir bem profundamente o cheiro da terra olhada ou o calorzinho do sol de inverno a bater na cara. 
Pode ser poético, mas é mesmo isto. No fim de contas, quando a vida se apaga, e as contas se fazem inevitavelmente o que é que fica? As gargalhadas, os abraços, o amor que se sentiu e que se fez sentir. Grande parte do que se vive e verdadeiramente importa não é visível como disse tão bem Exupéry.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Estou mais rica...

... e não me saiu o Euromilhões :)
A L. nasceu no dia 14 de Setembro de cesariana marcada, pois era véspera das 40 semanas e nada de sinal. Com a cesariana da J. no CV de mãe e sem poder aguentar mais lá fui eu. Não sou de todo abençoada para as maravilhas do parto normal e tenho de ser esventrada.
Os nervos eram mais que muitos para ter a certeza de que a pirralha mais pequena nascia saudável. Após algumas horas de espera porque o bloco operatório estava em stand-by, para uma abençoada mãe que estava em trabalho de parto, lá fui eu pelo meu próprio pé. Sentadinha na mesa do bloco observei toda a preparação cheia de vontade de memorizar tudo, pois pode vir a ser útil nas lides da escrita, mas com a certeza de que o nervoso miudinho era tão grande que quase nada ia ficar gravado na memória, que de si já estava má... e ainda não voltou ao normal um mês depois.
Às 15h57 (acabo de perceber que estou em falha e ainda não vi o ascendente da pequenina, nem parece coisa minha!) nasceu a L., que gritou mal foi tirada e não se calou sentada nas minhas pernas. Da J. não tinha tido a oportunidade de ver o bebé sujo e o cordão umbilical. A L. estava ali em cima da minhas pernas a gritar ao mundo e estávamos ainda ligadas. Não há nada que apague este momento. Mesmo sendo mãe pela segunda vez este milagre da vida não tem explicação. Na memória até ao momento a minha vida se esvair não vou esquecer quando beijei a J. mal ela me foi posta ao lado e ela se calou e a minha L. pequenina ali ainda ligada a mim.
Alguns dos medos foram-se. Outros vieram. Faz parte desta coisa de ter um recém-nascido nos braços. A verdade é que a L. tem estado a crescer muito bem, apesar de ter nascido pequenina - 46cm e 2,770kg. Quando está a mamar observo-a e o meu coração explode. Tenho duas filhas que me completam e me realizam como mulher. Olho para trás e agradeço a Deus ou a quem quer que tenha encomendado esta rapariga que decidiu aparecer de surpresa (apesar de desejada). Com tudo o que aconteceu este ano com o meu desemprego teria adiado o projecto de ser mãe outra vez e agora com a L. nos braços, penso que não poderia deixar de a ter. Aos "culpados" (além de mim e do meu querido Mig, claro) o meu muito obrigada. Com ou sem trabalho, aqui ou noutro sítio qualquer a minha vida ganhou riqueza, ganhou mais amor, mais brilho, mais encanto com o nascimento da minha L.
Não posso estar mais feliz por esta dádiva que é ser mãe. Sim é verdade, apesar da falta de sono, das olheiras e ter a maminha de fora de 2h30 em 2h30.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

L. a peste doce nº 2

Pois é verdade, depois de muitas ameaças, a L. ainda não nasceu. Amanhã são 39 semanas e as contracções acalmaram. Ela continua a pontapear-me frequentemente e intensamente, mas sinal de querer vir a este mundo, nada.
Decerto não lhe apetece ouvir o Primeiro Ministro, tal como a mim, mas já fazia o favor de vir a este Mundo, que eu sei cada vez mais cinzento, para o colorir um pouco mais.
Ontem andei no paredão, fui ao Guincho, andei à noite e o resultado foi uma das noites mais calmas e serenas dos últimos dois meses e meio :)
A L. tem-me ensinado que nada se planeia. Vive-se um dia de cada vez e tudo muda num segundo. Não é que eu já não soubesse, mas ela tem-se certificado que eu não esqueça a lição daqui para a frente.
Prova disso é mais esta espera para a ter nos nossos braços. Estamos ansiosos para a ver. Confesso que não estou ansiosa pela falta de dormir que se avizinha, mas super ansiosa por a ver crescer ao lado da irmã, que tanto a "adivinhou" e tanto cresce dia após dia. Não vejo a hora de ver um dos meus sonhos realizados e ter as minhas filhas lado a lado.
Uma coisa é certa. Já tenho duas pestes.

Traquinices de 95cm

Na segunda-feira foi dia de começar o ano escolar já na sala da pré, pois em Novembro faz os 4 anos.
Feliz por ser crescida, apesar de já notarmos alguns retrocessos devido ao iminente nascimento da L., a J. seguiu para a escola a repetir que já não é bebé. Deixar a chucha a que se agarrou aos 18 meses é que está difícil. Mas isso são outras histórias.
À tarde o pai foi buscá-la e a educadora fez questão de contar o que a minha "já crescida" filha decidiu fazer na sua sala da pré.
Em combinação com uma das colegas, pediram à vez para ir à casa de banho. Já lá, fecharam-se ambas num cubículo a brincar e a rir. A educadora que estava de olho nas duas pestes pequenas foi atrás e ouviu a J. a rir feliz da vida e a comemorar dizendo:
- Enganamo-la!
Pensei que estas coisas só viessem lá para a primária, mas a verdade é que com 3 anos e meio, tentar escapulir-se da aula já é uma realidade.
Nem quero pensar no que me espera daqui a uns anos.
Por agora rio e sorrio com este despacho todo e astúcia da minha piolha que ainda nem tem um metro de altura.

Os genes falam mais alto?

No passado sábado tivemos o casamento de um primo querido. A missão da J. foi entregar as alianças. Ciente e orgulhosa da sua responsabilidade comportou-se mais do que à altura, atirando por terra todos os receios dos pais, vóvota e titi-vóvó.
Já na segunda enquanto se preparava para ir para a escola, decidiu pegar num canudo de cartão do papel higiénico e fazer dele microfone para a sua reportagem.
As primeiras perguntas foram de imediato sobre o vestido da noiva:
- Estava bonita, não estava?
- E o príncipe também, não era?
A vóvota não escapou ao interrogatório, mas decidiu entrar na onda das perguntas:
- E a vóvota não estava linda?
A "repórter" de 3 anos e meio, apressou-se a manter o tema da conversa e respondeu à entrevistada com ar sério e crescido:
- Vóvota, não estou a falar disso agora.
Uma vez mais as gargalhadas foram difíceis de conter, bem como, o meu aperto no coração de a ver instintivamente fazer o que já fiz como profissão.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O que é que a ficção tem de real?

Corria a avó apressadamente para o quarto, pois não nos podíamos atrasar para ir buscar o príncipe (leia-se pai) ao aeroporto, e a J. não hesitou em analisar o momento: "A vóvota parece os três porquinhos a fugirem do lobo mau".
Saliento que ela não viu o filme, apenas ouve a história e que a avó, nem de perto nem de longe, tem o tamanho dos três ditos. A velocidade a que se deslocou só pode ser a justificação para o fato de a J. a comparar a três e não a apenas um.
O detalhe é deveras delicioso e fico super feliz com o fato dela conseguir pegar na história que escuta. imaginá-la e traze-la para a sua realidade.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Parece estar quase...

Amanhã é lua cheia (a tal lua azul deste ano de 2012 - a 2ª deste mês), não sei se a L. se está a preparar, mas parece-me bem que sim.
Da J. fui para o hospital com tudo controlado, mas desta vez estou a aprender os sinais da mãe natureza. Não muito agradáveis, é certo, mas sem dúvida compensadores do que trazem no caminho.
Com nervos, mas senso já estou a afixar mentalmente o espaço horário das contracções que desde ontem depois do CTG se têm vindo a intensificar. O banhinho de água quente na zona dos rins também ajudou, e o resto não digo, mas quem já foi mãe perceberá do que falo.
Vou vestir-me para ir buscar um outro amor que tenho também ele grande, em todos os sentidos, e vamos ver se a lua cheia nos traz a Leonor, já que o quarto crescente nos trouxe outras coisas boas.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

ABC da minha 2ª gravidez


A – AMOR - O mais importante da vida. O que sinto pelas minhas filhas, inigualável, e pelo meu Mig. Ao fim de 10 anos, o nosso amor, continua a ser um dos principais lápis de cor com que escrevemos a nossa história.
B – BATALHA – Contra o cansaço e a adversidade. Sempre.
C – CASA – É onde quisermos e onde estivermos de coração
D – DIA – Viver um de cada vez
E – ENTUSIASMO de viver. É deixarmo-nos levar.
F – FARTURAS e/ou Churros J
G – GARGALHADA – Sempre e muitas, muitas, muitas, muitas.
H – HOSPITAL – Desta vez sem dia marcado :P
I – IMPACIÊNCIA 1 – Serenidade 3
J – JOANA. A minha primeira filha. A minha peste doce.
L – LEONOR. A minha segunda filha. Que a ter em conta a gravidez também terá tanto de peste como de doce.
M – MIGUEL – A certeza de que encontrei o que sempre sonhei. Juntos abrimos asas e ousamos voar.  
N – “Nostradamus do Estoril” – Temos a nossa versão home made, com a J., a dar a notícia da gravidez um mês antes.
O – OH esqueci-me! – Frase vencedora desta gravidez.
P – PAI – Presente, que o Mig consegue ser mesmo estando mais distante.
Q – QUEIJO cheddar J
R – RISO – Muitooooooo e sempre
S – SERENIDADE – Cada vez maior
T – TEXTOS – Que amo escrever e que não quero parar antes dos 120 anos...
U – ÚNICO – O que vivemos. Demorei a completar esta letra e agora sinto-me tóninó. Esta gravidez tem sido vivida, qual passeio numa montanha-russa, mas a verdade é que o que temos vivido a quatro e não só… com a nossa família e amigos do coração, têm sido e será sempre sem dúvida único. 
V – VERDADE – Sempre a privilegiei e infelizmente é cada vez mais algo em extinção
W – WORDS – Seja em que língua for têm o poder de ser intemporais e uma força quase sempre menosprezada. Devíamos pensar mais nelas.
X – XI-CORAÇÃO – Os que dou e recebo da minha J.
Y – YEIIII! Está quase.
Z – Zzzzzzz - Vai demorar anos a voltar a poder fazer este som durante o tempo que me apetecer

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Silêncio ou sussurro?

Hoje a J. não se calou um segundo ao jantar. A somar aos pontapés e murros da L., eu já estava quase a arrancar cabelos. É que a a J. não só faz perguntas, como na mesma frase responde a si mesma e ainda consegue começar a contar uma história sem colocar virgulas ou respirar. Eu sei que a genética é forte, mas a verdade é que nem a ordem "J. respira" -  à qual ela responde com um momento de meditação vivido à velocidade da luz - surte efeito.
Foi para a cama e queria ver televisão enquanto arrumei alguma roupa da irmã. A matraca não parou a insistir no seu pedido. A versão pica-miolos sem falta de ar é de tirar qualquer um do sério, mas eu lá vou tendo paciência. Continuei a responder que só depois de eu terminar de arrumar ela poderia e que até lá era favor ficar em silêncio. Foi quando comecei a ouvir o seu sussurro: "Mãe, mãe". Olhei e a J. apontou para a boca. Perguntei o que era e ela sussurrando disse:"Vês?! Estou em silêncio". Mais uma gargalhada contida acompanhada de um "continua assim". Enquanto terminei de arrumar a roupa ela foi enfiando e tirando a cabeça da almofada a dizer que "ainda te estou a ver a arrumar, depois quero ver televisão". A verdade é que o sono ganhou a guerra e apesar da J. ter-lhe dado luta, acabou por esquecer os sussurros e dar lugar ao silêncio. Até amanhã de manhã quando acordar com os decibéis no máximo. 

Moradas...

Com a nossa mudança para casa dos avós paternos, a J. assimilou muito bem que agora vivemos numa outra casa e já lhe expliquei que daqui a uns tempos teremos outra noutro país.
Informação recebida e registada, quando a J., sempre pronta a ajudar nas tarefas domésticas disse que arrumava a sua e a minha roupa interior. A gargalhada soltou-se quando depois de dizer que ia colocar as dela na gaveta se voltou para mim e perguntou: "Mãe, onde é que moram as tuas cuecas?". Depois da gargalhada a resposta foi na "rua do nosso quarto, na gaveta que tu já conheces". E lá foi ela!

sábado, 25 de agosto de 2012

Magia Mágica

Passando a redundância da minha J., tudo aconteceu há pouco mais de uma semana quando o cão de uma amiga nossa desapareceu. A J. apercebeu-se da preocupação de todos e do fato da nossa amiga estar triste. Ao final da tarde, na varanda com a avó, decidiu erguer as mãos no ar, gesticular e dizer: "Cão da Susana volta para casa". Continuou a gesticular, qual personagem de filme de Harry Potter (que ela desconhece), e terminou com um "Pronto. Fiz magia". A avó não queria acreditar e a J. fez questão de esclarecer que o cão ia voltar.
Acontece que em menos de 48h, após imensas buscas e cartazes espalhados por todo o lado, o cão, ainda cachorro e com apenas um mês junto da nossa amiga, apareceu à porta de casa de madrugada.
Para nós, adultos, há certamente a explicação lógica do cheiro ou de outro algo qualquer que o fez voltar. Mas, para a J., o Patapouf voltou para casa: "por causa da magia que eu fiz. A minha magia mágica".
Verdade ou não, ela o saberá.
A realidade é que o universo das crianças é tão fantástico que acreditam no poder que têm em consertar as situações e conseguirem o que querem. Um poder que à medida que crescemos perdemos e não deveríamos.
Isto fez-me pensar e a verdade é que seja aos 3 anos e meio seja aos 35, o importante é ACREDITAR. Em nós, nos nossos sonhos, no que for. Essa é a grande MAGIA da vida: ACREDITAR.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Água fria - Coração quente

Eu conhecia um avô que nunca entrou na piscina que tem na casa. Há 8 Verões que se recusava a molhar nem que fosse o dedinho do pé. A verdade é que este Verão o "milagre" aconteceu. Para brincar com a neta de 3 anos e meio e após alguns "por que é que o vovoto não entra na piscina?", o vovoto entrou. Custou o frio, mas ganhou o gosto. De há vários dias para cá que, desde que o tempo permita, neta e avô passam no mínimo uma hora dentro de água em corridas e brincadeiras. A vóvota também já se juntou à dupla e o resultado foi uma criança de banho tomado e jantada a dormir às 20h30. O que não acontecia desde o ano de idade, mais ou menos.
Dizem que ser avô(ó) é ser pai e mãe duas vezes, mas o que mais tenho ouvido é que quando se vive esta fase se aproveita muito mais os netos do que se conseguiu aproveitar os filhos, por causa das circunstâncias da vida. Quando for avó logo direi. Sei que enquanto mãe a J. tem mudado muito em mim e no pai e que nos ensina muito. Não sejamos "mentirosos"! Os filhos ensinam-nos e muito. Quanto aos avós vejo-os babados e a fazerem o que também nunca pensaram.
E nesta teia de vivências boas por entre muitas birras, percebo a importância de se ter filhos cedo para que possamos ser avós novos, e tenhamos saúde e genica para viver e partilhar desta fenómeno que são os netos.
O frio do avô perdeu a batalha e o coração de todos ficou bem mais quentinho

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Mistelas...

... de grávida de 35 semanas:

- batatas fritas com sabor de queijo e cebola misturadas em salada fria de feijão frade com atum e sardinha. Não imaginam como me soube bem!

- sanduíche de pão tostado com tomate fresco, chutney de manga com passas e queijo curado de cabra. Pode soar esquisito, mas soube muitíssimo bem.

A J. foi a mostarda de que não gosto e que me apetecia comer em tudo. A L. dá-me estas vontades "esquisitas", mas que me sabem muito bem. Quando ela nascer devo ficar enjoada só de ler este post. 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Musicais

Está oficialmente aberta a fase dos espectáculos, já com direito a vénia de agradecimento ensinada pela vóvóta. O fascínio pela música Mama Mia e Dancing Queen, leva-nos ao desespero de ouvir as respectivas, no mínimo 20 vezes por dia. Ele é abrir os olhos e "Mãe posso pôr o Dancing Queen baixinho?".  Ao fim da manhã é hora de frente ao ipod, abanicar-se pela sala a treinar a coreografia. É que a protagonista chateia-se e corrige-se a ela própria com: "assim não fica bem!". Ao fim do dia é um "mãe, vem tomar banho comigo e dançamos o Dancing Queen na banheira as duas".
Eu sei que o "waka waka" a toda a hora quando ela tinha 18 meses, já fazia antever esta fase mas já me culpo de ter ido ver o Mama Mia grávida. O inglês também já começa a sair bem com palavras como chance, girl e high a serem pronunciadas correctamente. Parece-me que será fácil a integração em infantários ingleses.
Eu que até gosto muito de ABBA, já ando a deitá-los pelos ouvidos. O que me safa são os "Caricas" do Panda, que cantam qualquer coisa como chaleira, de mão na anca, seguido de prato raso, que a J. teima em dizer "raxo". A coreografia está a ser também ensaiada e nós nem precisamos de treinar o sorriso sempre que temos uma apresentação do Musical Joaninha. É que o seu ar profissional, concentração e no fim agradecimento de vénia com ar de diva, provocam-nos o maior sorriso e a melhor sensação do mundo. A primeira apresentação europeia já foi feita via skype para o pai, que lá teve de conter as lágrimas, mas que se fartou de rir ao ver a sua "bebé" cada vez mais menininha.
Com o pedido de aulas de ballet para breve, resta-nos respirar fundo pois antevê-se uma adolescência com muita vontade de matinés e afins. Vai caber aos pais disfarçar o quanto gostavam e gostam de fazer o mesmo. Hihihi

Manipulações...

Quem acha que os miúdos não nos sabem manipular, está muito enganado. 
A minha J. é perita nas suas tentativas de me dar a volta e não desiste facilmente. Ontem quando a coloquei sentada e quieta de castigo para que a birra terminasse, ela jogou a sua cartada. De lágrimas imensas nos olhos, sabendo da proximidade dos avós e ansiando pelo seu apoio, chorou sentida: "Eu só quero que alguém seja meu amigo". A risada foi contida e expliquei-lhe que somos amigos dela, mas que quando ela se porta mal tem de ficar de castigo. Vendo que nenhum dos avós veio em seu socorro e que prevaleceu a palavra da mãe, limpou as lágrimas, informou que a birra estava terminada e acabou por se portar bem ao jantar.
A tragédia da falta de amizades durou menos de 5m.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Completamente "tóninó"

Pois que no início do mês informei a escola da J. que em Agosto ela só iria na última semana. A ideia era ela ficar a partir de dia 30 de Julho em casa comigo, de férias. Termos tempo para as duas antes da chegada da L. Fazer praia e piscina sem horários, que os miúdos também merecem. Não tendo a oportunidade deste ano sair daqui por uns dias, estarmos juntas e aproveitar o que nos rodeia - e que poucos têm, sorte a nossa! - era uma boa.
Acontece que entre as mil e uma coisas que nos estão a acontecer (ao M e a mim) troquei-me com os dias todos. Meti na cabeça que esta segunda-feira era dia 30, e apesar de o ter comentado com toda a gente - de família, a amigos e educadoras da escola - ninguém me disse nada. Todos pensaram que tinha mudado de ideias. A partir de sábado disse à J., que sim que já estávamos de férias. E foi às 4 da manhã de segunda-feira - horário preferido da L. para me acordar com pontapés e pressões nas costelas - que me caiu a ficha. Afinal era dia 23 e faltava uma semana! E agora? Não ia dizer à miúda, que afinal me enganei porque estou completamente "tóninó" e mandá-la para a escola. E eis que entrámos de férias!
Hoje, três dias passados destas férias antecipadas, chego à conclusão que deve ter sido melhor assim. Daqui a três semanas posso ter uma semana para mim, numa altura em que me parece que me vai custar mais "arrastar-me" com a L. sentada dentro de mim. Nada acontece por acaso. Acredito que daqui a uns tempos escreva algo que reitere esta decisão de mãe "tóninó".

sábado, 21 de julho de 2012

Cumplicidade sem palavras

Hoje o dia teve um revés e assim que estive com a J. pedi-lhe um beijo e um abraço. Não há como o carinho dos nossos filhos para nos aquecer o coração e fazer esquecer o que nos entristece. Depois de umas brincadeiras na piscina, estivemos a apanhar sol na varanda, pois a rapariga não queria ir tomar banho. E foi aqui que ao som da música que se fazia ouvir de uma festa vizinha que a minha pirralha me desafiou a dançar. Lado a lado, e ao mesmo ritmo, dançámos. Foi muito engraçado vê-la a abanicar os ombros tal e qual como eu. Da espreguiçadeira do lado saltou para o meu colo (eu estava semi deitada) e começou a dançar como uma crescida. Dança bem. Tudo o que fiz - nada infantil - ela imitou na perfeição. Parámos a olhar uma para a outra, sorrimos e de seguida gargalhámos retomando a dança. (Vai começar cedo a pedir-me para sair à noite. Tenho a certeza. Já o achava quando a vi dançar Boss Ac e Rihanna com o pai ao domingo de manhã. Hoje perderam-se as dúvidas). E foi neste momento simples, que a cumplicidade falou mais alto e na minha cabeça se acendeu a luz que diz que por muito que haja coisas que nos deitem abaixo, estes momentos com os nossos filhos são a maior riqueza que temos. É verdade que não nos pagam as contas, mas não há melhor ajuda para ultrapassar todos os problemas. 
Os filhos deveriam ser cada vez mais vistos como seres com os quais temos uma ligação inexplicável e não só pelo fato de "sairem muito caros" - como já ouvi dizer. Os nossos filhos não precisam do "tudo" material, precisam desta cumplicidade, de sentir este amor e esta proximidade que não é feita pelo número de sapatos, roupas de marca ou toneladas de brinquedos. Tenho a certeza que aquele momento valeu muito mais do que qualquer roupa que lhe tivesse comprado.

sábado, 14 de julho de 2012

Porque o amor não tem distância

E o skype ajuda muito.
A J. fala e brinca todos os dias com o pai, via skype. Brincam e conversam via internet. O que mudou na relação dos dois? Apenas o fato dele não estar ao pé dela em carne e osso. Ela continua a sentir o amor do pai e a fazer sentir o dela.
A distância para a J. não é um problema. É claro que sente alguma falta do pai e fala nisso com naturalidade.  Sabe que por agora tem de ser assim, mas que estamos todos juntos e que vamos estar todos juntos fisicamente.
Tinha receio de como iriam correr as coisas. É verdade que os miúdos se adaptam a tudo, mas estamos a falar das bases da J. : pai e mãe.
O segredo foi não complicar, tratar de tudo com naturalidade e sem mentiras ou enganos.
A J. está feliz e isso é o mais importante para nós. As saudades existem, mas um beijinho soprado de um lado para o outro e guardado no coração faz maravilhas. A cumplicidade dos dois é tanta que já têm uma brincadeira muito própria que fazem via skype. A destreza dos dedos da J. também já se apurou no envio de ícones para o pai.
Estamos "longe", mas com a certeza de que temos a nossa filha feliz. Há coisa mais importante para um pai e uma mãe?

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Limpezas...

... da casa...que acabam por também ser limpezas da vida.
Hoje a esvaziar gavetas encontrei mil e uma coisas que nem sabia que estavam ali guardadas e que na hora de decidir o que guardar, acabaram no saco do lixo. 
Perguntei-me por que é que guardamos tanta coisa no nosso dia-a-dia? E olhem que eu já tenho aversão a acumular coisas e de vez em quando dou uma geral!
Ao limpar a minha casa dei por mim a pensar porque tenho isto ou aquilo. A realidade é que precisamos de bem menos do que aquilo que achamos. 
A última semana também me mostrou e ensinou que a nossa casa é a NOSSA casa, pela ALMA que lhe damos. Não são os móveis Ikea, Moviflor, Bo Concept ou o que for que fazem a diferença. É o que somos. O nosso cheiro. O nosso toque. A nossa essência. Porque na hora de "fechar" a porta, o que fica é o que vivemos, o que guardamos na memória e no coração. As memórias sim são os "móveis" que carregamos pela vida. E como o próprio nome indica são móveis, não precisam de estar sempre fixas para existirem. Estão onde nós estivemos. Estão onde nos sentimos bem. Estão onde a nossa alma está.
A J. já me ensinou a viver com mais calma. A L. está a dar-me uma segunda lição de como viver um dia de cada vez.  Eu só lhes tenho muito a agradecer, pois acho que tudo isto me ajuda a ser melhor mãe, além da experiência de vida que vou ter para lhes passar.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Beijos de Boa Noite

Desde que a J. estava na minha barriga que criei o ritual de lhe dar as boas noites. Ritual que também já tenho com a L.. Já cá fora, um beijinho na testa, quando era mais bebé, tornou-se num beijo repenicado e num abraço apertado, à medida que a J. foi crescendo. Confesso que com uns "lambe-vaca" (lambidelas na cara ensinadas pelo pai) da parte dela, com uns de vingança minha e muita risada há mistura. Há quase um mês que o M. foi para fora e, apesar de não ser novidade, ter o pai a trabalhar à distância, a verdade é que agora ela já não tem ano e meio e a distância é muito, mas muito maior. A necessidade de manter o ritual do beijo de boa noite do pai, partiu do pedido do mesmo, de lhe dar um beijo e dizer que é do pai. Assim o fiz e a "princesa rosa" (como ela gosta de se auto denominar), aproveita há já várias noites para trocarmos beijos em nome dos familiares que estão longe, da irmã que está na minha barriga, dos amigos, das educadoras da escola... A cada dia tem a sua lista feita na hora, para brincar comigo e adiar por segundos a entrada na cama, beijar-me e ser beijocada, nuns minutos de grandes "mimices".
Os últimos tempos não têm permitido a leitura de uma história ao deitar, mas sinto que estamos a fazer história na história das nossas vidas, com estes beijos e abraços e as mimices que trocamos, em nome dos que estão perto e dos que estão longe.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Coração de mãe

"Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!" 

A frase circula como sendo de José Saramago mas, segundo a Fundação do mesmo, não é da sua autoria. Seja de quem for é uma grande verdade, e enquanto mãe, sinto que é das primeiras lições que os nossos filhos nos ensinam. 
Sim, porque nós ensinamos-lhes muita coisa, mas há que assumir que aprendemos tanto ou mais com eles. Coisas que se eles não existissem na nossa vida, com esta ligação que ultrapassa as explicações cientificas da genética, não aprenderíamos. 
Hoje tenho o coração apertado. E quando se aperta, a minha vontade é de me isolar do mundo com a J. Abraçá-la, beijá-la, brincar com ela. Sem lhe passar o que sinto, aproveitá-la ao máximo, mimar-me com ela. Mas a verdade é que nos seus 90 e tal cm de gente, ela já tem a sua vida e não posso desviá-la dela. Os amigos, a escola, a praia. As emoções de uma idade em que tudo é visto com um sorriso mais do que rasgado e um brilho nos olhos sem igual (enquanto adultos, não deveríamos nunca perder esta capacidade). 
E pronto, lá fui deixá-la à escola com o meu mimo e grande sorriso de sempre para a J. fazer a sua vida.
E fiquei a pensar, são este pequenos momentos que nos vão treinando o coração para o dia em que eles sairão definitivamente do ninho e voarão sabe-se lá para onde. O coração de mãe, esse ficará apertado, mas continuará a bater e a ser feliz sempre pelo sorriso e pela felicidade daquilo que sempre sentiremos como "nosso", mas não o é. O que será sempre meu, dela, do pai e de quem a rodeia é e será sempre a relação que construirmos. 

domingo, 8 de julho de 2012

De volta à blogosfera


Depois de ter encerrado o Irinadeolhosembico há mais de um ano, a L., dentro da minha barriga, e a J., aqui fora, muito me têm dado vontade de voltar a escrever, sobre o meu dia-a-dia como mãe e como mulher. 
Este blogue nasce às 30 semanas de gestação da L. Uma gravidez que tem sido uma alucinação, por tudo quanto nos tem acontecido e, pela quantidade de mudanças que estamos a fazer na nossa vida. 
O nome mãe "toninó" surge porque:- Mãe - a base deste blogue sou eu como mãe... e no fundo como mulher. As duas coisas são indissociáveis. - "Tóninó" - porque é assim que a J. - apesar de falar super bem e usar expressões como "ora vejamos" -  diz tinóni. 
E é assim, "toninó" que me sinto como mãe e mulher, nestas aventuras e desventuras que os últimos meses nos têm dado... e que o futuro, certamente, nos reserva. Até já.